BILOCAÇÃO

Pela denominação genérica de "fenômenos de bilocação· se designam as múltiplas modalidades sob que se opera o misterioso fato do "desdobramento fluídico" do organismo corpóreo. Daí vem que os fenômenos de "bilocação" revestem fundamental importância para as disciplinas metapsíquicas, porquanto servem a revelar que as manifestações "anímicas", conquanto inerentes às funções do organismo físicoquico de um vivo, têm como sede um certo quê qualitativamente diverso do mesmo organismo. Assumem por isso um valor teórico resolutivo, para a demonstração exxperimental da existência e sobrevivência do espírito humano.

Por outras palavras: os fenômenos de bilocação demonstram que no "corpo somático" existe imanente um "corpo etéreo" que, em circunstâncias raras de diminuição vital nos indivíduos (sono fisiológico, sono hipnótico, sono mediúnico, êxtase, deliquio, narcose, coma), é suscetível de afastar-se temporariamente do "corpo somático", durante a existência encarnada. ( ... ) o "corpo etéreo" é suscetível de separar-se temporariamente do "corpo somático", conservando íntegra a consciência de si ( ... ). (Animismo ou espiritismo, cap., p.118)

Ver também DESDOBRAMENTO e EXTERIORIZAÇÃO

Bilocação no Leito de Morte

( ... ) A exteriorização, proveniente do corpo do moribundo, de um substância semelhante ao vapor que se condensa e paira sobre o mesmo, tomando-lhe a forma e o aspecto; a vitalização e a animação desta forma, logo que a vida se apaga no organismo corporal; a intervenção de entidades, geralmente familiares e amigos do moribundo, que vêm assistir o Espírito na crise suprema. (Metapsíquica humana, cap.10, p.137)

1 - BILOCAÇÃO E VISÃO A DISTÂNCIA

Em todas as formas de desprendimento, a forma visível da alma é cópia absolutamente fiel ao corpo terrestre.

Este caso fora narrado ao DR. PAUL GIBIER e, transcrito no livro "FENÔMENOS PSIQUICOS", de ALBERTO SEABRA. Ed. Pensamento. O protagonista é um talentoso artista, que jamais sentira qualquer tipo de manifestação psíquica ou mediúnica. Eis o relato:

"Há poucos dias, ao entrar em casa, lá pelas 22 horas, fui de repente surpreendido por uma estranha sensação de cansaço que eu não podia explicar. Decidido, no entanto, a me não deitar imediatamente, acendi a lâmpada e deixei-a na mesa perto da cama. Acendi um charuto, aspirei algumas baforadas e estirei-me em um sofá. No momento em que me deixei cair de costas e repousei a cabeça no coxim do sofá, senti que os objetos do ambiente giravam. Tive então uma espécie de tontura, uma sensação de vácuo. Depois, achei-me subitamente transportado para o meio do quarto. Surpreendido por esse deslocamento de que não tinha tido consciência, olhei em torno de mim e minha admiração cresceu singularmente.

Vi-me, primeiro que tudo, molemente estendido no sofá, sem rigidez; todavia, a mão esquerda se achava levantada acima de mim, estando o cotovelo apoiado, e segurando o charuto aceso, cuja luz se via na penumbra. A primeira idéia que tive foi que estava dormindo e que tudo que eu sentia não passava de sonho. Apesar disso, dizia eu a mim mesmo que jamais sentira coisa como essa, coisa que no entanto me parecia de intensíssima realidade. Direi mais: tinha a impressão de que a realidade jamais me fora tão real.

Percebendo, também, que se não podia tratar de um sonho, a segunda idéia que subitamente me assaltou foi que eu estava morrendo. E, lembrando-me então de que tinha ouvido falar em Espíritos, imaginei que eu mesmo me tivesse tornado Espírito ( !). Tudo que eu antes havia conseguido saber desse assunto, então, se desenrolou perante a minha visão interna, mas em menos tempo do que o necessário para pensar em tal. Lembro-me perfeitamente bem de ter sido então assoberbado por uma espécie de angústia, por um como pesar de coisas não acabadas ...

Aproximei-me de mim ou, antes, de meu corpo, daquilo que já então julgava ser o meu cadáver. Chamou-me a atenção um espetáculo que só pude compreender depois; senti-me, além disso, respirar, e vi o interior do meu peito e, nele, o coração a bater, com pancadas fracas, mas regularmente. Vermelho como fogo, eu vi o sangue a circular nos grandes vasos. Foi então que compreendi que devia ter sido uma síncope de um gênero particular, salvo se as pessoas que têm síncopes, pensei, se esquecem do que lhes sucedeu ao desmaiarem. Tive então receio de me esquecer de tudo, quando voltasse ao estado de vigília.

E como se fosse adquirindo certa tranqüilidade, olhei em torno de mim, perguntando-me quanto tempo iria durar o fenômeno, e depois não me importei mais com o corpo. Contemplei a lâmpada que continuava a arder em silêncio e considerei que ela estava juntinho da cama e que por isso podia incendiar as cortinas. Levei a mão à chave da mecha para apagá-la. Eu sentia a chave, percebia-lhe, por assim dizer, cada uma de suas moléculas, mas, por mais que eu a virasse com os dedos, só estes é que executavam o movimento.

Geralmente a primeira impressão é a de que o "duplo" sai na horizontal.
Em seguida passa a movimentar-se na vertical.

Fui depois ver-me no espelho, defronte da chaminé; mas em vez de ver a própria imagem, percebi que o meu olhar podia transpô-lo se o quisesse - logo se me apresentou a parede, a parte superior dos quadros e dos móveis que estavam em casa do vizinho, e depois o interior de sua casa. Verifiquei que não havia luz nesses compartimentos, nos quais, entretanto, a minha vista tudo via, e claramente percebi uma réstia de luz que me saía do epigastro e iluminava os objetos. Tive a idéia de penetrar na casa desse vizinho que eu não conhecia, e que nesse momento estava no entanto fora de Paris.

Mal desejara visitar o primeiro compartimento e já para lá me vi transportado. De que modo? Não o sei. Parece-me, porém, que transpus a parede com a mesma facilidade com que a minha vista a atravessara.

Eis-me, portanto, em casa do meu vizinho, pela primeira vez em minha vida. Esquadrinhei-lhe os quartos, cujos aspectos guardei de memória, e me dirigi à biblioteca, onde notei principalmente os títulos de várias obras colocadas numa divisão acima dos meus olhos (!). Para mudar de lugar, bastava-me querer, pois sem esforço já me encontrava onde quisesse estar ... Despertei às cinco horas da manhã, hirto, frio, deitado no sofá e tendo ainda o charuto apagado entre os dedos. A lâmpada tinha se apagado e o vidro estava esfumaçado. Fui para cama, e lá, sem poder dormir, senti calafrios. Finalmente, veio o sono, e quando despertei era dia velho.

Nesse mesmo dia, servindo-me de inocente estratagema, consegui que o porteiro fosse ver se não havia qualquer coisa em desarranjo no quarto do vizinho; e, com ele subindo, lá encontrei os móveis e os quadros por mim vistos na noite anterior, bem como os títulos dos livros por mim observados."

Na Segunda Parte da obra "NO INVISÍVEL, LÉON DENIS trata da "EXTERIORIZAÇÃO DO SER HUMANO":

"Durante o sono normal quando o corpo repousa e os sentidos estão inativos, podemos verificar que um ser vela e age em nós, vê e ouve através dos obstáculos materiais, paredes ou portas, e a qualquer distância ... O SER FLUÍDICO se desloca, viaja, tudo se realizando sem a intervenção dos sentidos materiais, estando fechados os olhos, e os ouvidos nada percebendo".

CAMILLE FLAMMARION, o grande astrônomo francês em seu livro O DESCONHECIDO E OS PROBLEMAS PSÍQUICOS", cita vários casos de visão a distância. Entre tais casos, desponta o da esposa de um coronel de Cavalaria que, com o duplo exteriorizado, presencia o suicídio de um oficial a quatro quilômetros de distância.

A ação da alma, a distância, sem o concurso dos sentidos, se revela mesmo no estado de vigília, nos fenômenos da transmissão de pensamento e da telepatia. Assim, duas almas, vinculadas pelas ondulações de um mesmo ritmo psíquico, podem sem e vibrar em uníssono.

Em "ANIMISMO E ESPIRiTISMO", ALEXANDRE AKSAKOF refere-se à comunicação a distância por pessoas vivas exteriorizadas:

O SR. TOMÁS EVERITT, de Londres, obteve, pelo punho de sua mulher, comunicação de um de seus amigos, médium, em viagem para América.

O eminente Juiz EDMONDS. ( Nova lorque, revela que dois grupos espíritas, reunidos à mesma hora, em Boston e em Nova lorque, se correspondiam por seus respectivos médiuns. Relata EUGÉNE NUS em "CHOSE DE L'AUTRE MONDE":

Dois grupos de experimentadore reunidos em Madrid e em Barcelona se comunicavam simultaneamente através de seus médiuns. Ao fim de cada sessão, redigia cada um por Sl parte uma ata, que era posta imediatamente nos Correios. As duas mensagens combinavam-se fielmente.

Em "ESPIRITISMO PERANTE A CIÊNCIA", GABRIEL DELANNE analisa alguns casos de BICORPOREIDADE. Essas análises se estendem à sua obra seguinte: "A ALMA É IMORTAL", onde afirma:

"No curso da vida, a alma se acha intimamente unida ao corpo, do qual não se separa completamente, senão pela morte; mas, sob a ação de diversas influências: sono natural, sono provocado, perturbações patológicas, ou forte emoção, é-lhe possível exteriorizar-se bastante para se transportar, quase instantaneamente, próximo ou distante".

A lembrança das coisas percebidas nesse estado pode conservar-se, como aconteceu com o agente do caso que relatamos. De ordinário, porém, a pessoa, ao acordar, nenhuma consciência tem do que vivenciou.

AFONSO CAHAGNET, o célebre magnetizador, autor de "ARCANES DE LA VIE FUTURE DÉVOILÉS', (1847), conta o que se segue:

"O venerável padre MERICE me assegurou que, durante uma febre muito forte de que fora acometido, se vira por muitos dias separado de seu corpo, que lhe aparecia deitado a seu lado, por ele se interessando como por um amigo. O reverendo se apalpava e procurava certificar-se, por todos os meios capazes de produzir comunicação, de que aquele era um corpo ponderável, se bem pudesse nutrir a mesma convicção relativamente ao seu corpo material".

Em todas as formas de desprendimento, a forma visível da alma é cópia absolutamente fiel ao corpo terrestre. Há identidade completa entre uma pessoa e o seu duplo, podendo-se afirmar que esta semelhança não se limita à reprodução dos contornos exteriores do ser material, pois que alcança até a íntima estrutura, ou por outra: todos os órgãos do ser humano existem na sua reprodução fluídica.

ALLAN KARDEC lança luzes sobre o momentoso assunto em "O LIVRO DOS MÉDIUNS", Capítulo VII e nos seguintes números da "REVUE SPIRITE": janeiro, maio e novembro de 1859; janeiro, março, abril e novembro de 1860 e julho de 1861 .

R. I. E., fevereiro