CLASSIFICAÇÃO EXPLANADA
JORGE ANDRÉA

Se tomarmos o psiquismo em seu conjunto, verificamos que a zona consciente, pela sua pobre e reduzida atuação no cenário cósmico, é campo bem limitado e que, por isso, poderá ser denominado de psiquismo de superfície; denominação que contrasta com a zona psíquica energética ou psiquismo de profundidade. Assim, teríamos uma zona superficial e outra profunda; a primeira, psiquismo de superfície ou zona do consciente e a segunda, psiquismo de profundidade ou zona do inconsciente ou espiritual.

Para melhor elucidação do que acabamos de assinalar, reecorremos ao esquema. A gravura procura localizar as diversas camadas do psiquismo, onde o corpo físico ou material encontra-se na periféria e o espírito ou zona do inconsciente, com seu respectivo envoltório perispiritual, na posição interna. Assim, teríamos, do centro para a periferia:

1 - Inconsciente puro

2 - Inconsciente passado com seus núcleos em potenciação

3 - Inconsciente atual

4 - Corpo Mental

5 - Perispírito ou psicossoma, com suas irradiações em busca do corpo físico

6 - Duplo etéreo

7 - Corpo físico (zona consciente)

8 - Irradiações da aura

1 - Zona do Inconsciente Puro - Centro da vida, ponto de partida das energias diretivas do Espírito a distribuir-se por toda a estrutura do psiquismo. É uma zona inatingível por quaisquer dos métodos psicológicos em vigor. Representaria a zona do autêntico EU, com características de campo dimensional de energias tão específicas que, por seu intermédio, haveria a possibilidade de pensar-se que o "fluido-universal" (elaboração do pensamento divino) aí encontrasse a porta de penetração e, conseqüentemente, de orientação e abastecimento das inesgotáveis vibrações divinas para os seres. Seria uma zona quintessenciada, faixa de nascimento das energias criativas do próprio psiquismo, a ponte de comunicação e local de canalização da Grande Lei da Vida; seria a fonte da energia crística que carregamos.

As energias criativas dessa zona, que nomeamos de inconsciente puro, distribuem, com ordem e precisão, os necessários impulsos nutridores para a camada que imediatamente lhe segue, por nós denominada de inconsciente passado ou arcaico. Esta, por sua vez, orientaria a que lhe sucede e, assim por diante, até o corpo físico. Desse modo, o Centro da Vida, a fonte criativa estada, com seu inteligente direcionamento, nas células físicas orientando os processos bioquímicos, porém com energias perfeitamente adaptadas pelas respectivas filtragens que as camadas dimensionais do psiquismo podem oferecer.

2 - Zona do Inconsciente Passado ou Arcaico - A camada que circunda a do inconsciente puro e onde estariam sedimentadas todas as experiências que determinado ser vivenciou através dos evos. Aí encontraremos os "núcleos" desses arquivos que, pela sua intensa atividade, denominamos de núcleos em potenciação; poderíamos nomeá-los, em pensamento junguista, de arquétipo. Quanto mais vivenciou determinado ser, maior o lastro dessas fontes vibratórias pelo processo de incorporação; nesta absorção e devida metabolização da mecânica psíquica, os arquivos do espírito, aí situados, sempre se expressarão numa posição de unificação e totalidade sob forma de aptidões. Assim, os alicerces das experiências acumuladas transformam-se em aptidões que poderão ser, cada vez mais, buriladas, ampliadas e melhoradas, na medida em que a evolução individual se for afirmando.

Desses núcleos em potenciação partirão energias que percorrerão as diversas camadas do psiquismo até esbarrar no paredão das células físicas, especificamente em seus núcleos, impulsionando e direcionando o laboratório do código genético. Seria este o modo pelo qual as forças do espírito intervêm na organização física?

3 - Zona do Inconsciente Atual ou Presente - Esta terceira zona de revestimento representaria uma região cujas funções psicológicas, por se encontrarem bem próximas da zona física, mais facilmente mostram parte dessa dinâmica já mais bem percebida pela zona consciente. E' a zona onde os conflitos do psiquismo, sob forma de neuroses, mais facilmente derramam-se na zona consciente, natural canal de derivações.

4 - Corpo mental - Temos que nos louvar nas informações espirituais, porquanto não existem possibilidades de conhecimento dessa zona pelos seus reflexos na zona consciente. Pelo que nos fala André Luiz, ela representa o envoltório sutil da mente. Poderíamos dizer que nesta região, possivelmente, o perispírito encontra seus alicerces.

5 - Perispírito ou Psicossoma - Esta zona representaria um envelope, um envolvimento para as zonas espirituais ou do inconsciente. É possível que as expansões energéticas das diversas zonas do inconsciente ou do espírito se ajuntem na constituição do peripírito ou este possa tomar inserção nas exclusivas regiões do corpo mental.

6 - Duplo Etérico - Seria uma zona vibratória ocupando posição entre o perispírito e o corpo físico. Acreditamos que o campo energético dessa zona, em suas expansões com a do perispírito, se entrelacem nas irradiações do compo físico e forrneçam excelente material na formulação dos fenômenos psicocinéticos.

7 - Corpo Físico - A zona do nosso conhecimento, o terreno de pesquisa em que a ciência tem dedicado estudos bem aprimorados nos campos histofisiológicos. Apesar de tudo, ainda estamos longe de conhecer as estruturas funcionais da nossa organização física, principalmente na parte concernente a fisiologia nervosa.

Todas essas camadas do psiquismo, em conjunto, oferecem um campo vibratório específico próprio a cada ser. Este campo vibratório transcendente a superfície corpórea, com suas irrradiações a se deslocarem com a velocidade do pensamento, fora do tempo e do espaço, podem alcançar distâncias incomensuráveis, quase que de modo instantâneo. Também de distâncias incalculáveis pode haver captação de energias semelhantes, demonstrando um natural intercâmbio.

Assim, nas áreas de atuação dessas irradiações, desde o ponto de origem até a zona de chegada, em toda a área de influência, a mecânica dos fenômenos paranormais encontraria apoio e desenvolvimento. O campo medianeiro ou zona perispiritual seria a zona, por excelência, por intermédio da qual os fatos para psicológicos se expressariam. O perispírito, orientando a zona do duplo etérico e, conseqüentemente, a organização física, propiciará uma combinação de irradiações que se difundem através da superfície do corpo, de modo difuso, constituindo o que se denomina aura (nº 8 da gravura, muito conhecida pela aura dos santos).

Os estudos sobre a aura tomaram, realmente, um direcionamento bem científico com as pesquisas do casal Kirlian, publicadas em 1960, após ininterruptos trabalhos de 15 anos, demonstrados pelas fotografias obtidas sob influência de campos de alta freqüência; daí a denominação de kirliangrafias. A evidência foi de tal ordem que os cientistas russos chegaram a traduzir esses eflúvios magnéticos como pertencendo ao 4.° estado da matéria ou campo bioplasma.

Nos Estados Unidos estudos semelhantes, nesta área, foram desenvolvidos por Thelma Moss, Krippner e Tiller. A interpretação desses campos energéticos, de contundente evidência, pela escola americana foi idêntica à escola russa, embora denominada de campo psiplasma.

Hoje, as fotografias de todo esse manancial são conhecidas como sendo as kirliangrafias, em homenagem ao seu descobridor. Existe um grupo de interessados dessa área que acham nessas fotografias da aura a existência, apenas, do efeito corona. Entretanto, podemos dizer que as variações de opacidade, brilho e cores dos clarões dessas emanações são bastante oscilantes, principalmente na organização humana, mostrando a veracidade do efeito kirlian, o que não acontece com o efeito corona, de quase nenhuma ou diminutas variações.

Assim, o efeito kirlian existe, mesmo afirmando-se na plataforma do efeito corona que é a "fuga" da alta freqüência e voltagem pelas bordas do corpo em que incide, no dizer de H. Rodrigues.

As pesquisas do casal Kirlian permitiram, ver um determinado organismo nas suas mais íntimas condições através de hieroglifos de luz (aura). Essas conclusões foram arrecadadas após 15 anos de observações nos vegetais sãos e doentes, como também no reino animal, em diversas fases da vida.

Os campos de irradiação da aura tiveram maior difusão com as pesquisas do engenheiro Hernani G. Andrade apresentadas em congresso na Europa. Nessas pesquisas, houve ampliação do conhecido efeito fantasma, a mostrar na kirliangrafia o integral contorno das energias de uma folha de vegetal, apesar de ter havido secção de uma de suas porções. Apesar da falta de uma pequena porção da folha, a kirliangrafia revela a existência de um campo de energias na zona física ausente. Este efeito fantasma vem reforçar a idéia, já defendida por muitos: o bioplasma, psiplasma ou irradiação energética, representa o campo organizador ou modelador dos seres.

As correntes materialistas, mesmo diante do efeito fantasma, acham que o bioplasma "é um sistema distribuído por todo o organismo, formando uma espécie de tecido energético, com propriedades bioelétricas e constituído de um plasma frio".

A tese espiritualista do campo organizador da forma nasce, em conotações científicas, com as experiências de Hans Driesch e as idéias, sempre notáveis de um autêntico e sadio vitalismo, de Claude Bernard. Modernamente, muitos cientistas acreditam que essas energias pertencem a um campo que transcende a morte do corpo físico; é o caso da Harold Burr, PhD de Yale. Segundo ele, os seres vivos são moldados e controlados por campos eletrodinâmicos e que são mensuráveis por voltímetros de uso comum.

André Luiz, no livro "Evolução em Dois Mundos", é bastante preciso em suas afirmações sobre a aura: "Considerando-se toda célula em ação por unidade vida, qual motor microscópico em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias funcionais, para se constituir de recursos que podemos nomear por "tecidos de força", em torno dos corpos que a exteriorizam".

Mais ainda: "Nas reentrâncias e ligações sutis dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o pensamento, colorindo-a com as vibrações e imagens de que se constitui, aí existindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas de demanda".

Muitas dessas irradiações podem iluminar-se, tornando-se visíveis; é o que se poderia denominar de bioluminiscência. Isto se observa em muitos seres vivos, determinadas bactérias, etc., culminando com o exemplo do vagalume. Neste último caso, as irradiações visíveis estariam às expensas de uma proteína, a luciferina, que se decompõe por efeito de uma enzima, a luciferase; tudo ligado a um processo de oxidação.

Existe um trabalho realizado, no campo da kirliangrafia, por Marcos Venicius de Assumpção, em Belo Horizonte, no ano de 1974. O pesquisador submeteu um lagarto, com sua vida total, sob as irradiações da kirliangrafia e foi juntando éter para acelerar o processo de morte. Conseguiu escalonar as irradiações, de um ponto máximo até o apagamento das energias magnéticas desses campos, mostrando, dessa maneira, a existência de um campo específico de energias que transcendem à morte da matéria. Muitos são os exemplos e trabalhos neste campo sedutor da parapsicologia.

A aura representaria, assim, a combinação das energias do duplo etérico com aquelas das usinas celulares, sob orientação do perispírito, onde o ciclo bioquímica do ATP deve desempenhar papel muito importante. Este campo da aura, na espécie humana, é variável em face dos diversos estados psicológicos, salientando-se, como de importância, a influência espiritual nos sensíveis ou médiuns.

Determinados sensíveis, conhecidos como médiuns de cura, utilizam esses campos a fim de fornecerem vitalidade aos necessitados e carentes de energias, sob forma de passes. O bloco de energias, transferido do emissor ao receptor, comumente por imposição das mãos, representa o que se poderia denominar de passes magnéticos.

Os passes magnéticos, quase sempre pela condição de sensibilidade do doador, estarão mesclados por aqueles de origem espiritual, donde absorvem energias mais purifica das que, em combinação com os primeiros, transformam o simples passe magnético em passe combinado ou magnético-espiritual.

Os elementos magnéticos de exteriorização fezem parte de campos de energias desconhecidas. Entretanto, pelo seu comportamento, quase sempre anotado pelos videntes, é possível que ocupe zona específica na escala das energias conhecidas. Poderíamos pensar que o campo das energias magnéticas, possívelmente, estaria entre os campos onde atuam a radioatividade e as irradiações ultravioletas.

Pelo tipo de irradiações que os seres vivos estão mostrando e cada vez mais demonstrado nos campos da eletrônica, já foram denominados de campos de irradiações biolaser, que seriam tanto maior e mais expressivos, quanto maior for o estado de inconsciência do sensível - condição perfeitamente observada nos médiuns de materialização. Esses campos de irradiações podem explicar, perfeitamente, muitos dos nossos questionamentos ligados à acupuntura.

Pelos assuntos que acabamos de relacionar, percebemos a importância de atrelarmos aos fenômenos para psicológicos os equacionamentos da pesquisa qualitativa, envolvendo-os na ética de uma moral sadia, já bem defendida pela Doutrina Espírita nas experiências de sua farta fenomenologia.

Jorge Andréa