CORRENTEZA DE LUZ

1 - FENÔMENO COM O PERISPÍRITO

"Pode o Espírito atuar sem o concurso de um médium?"

"Pode atuar à revelia do médium. Quer isto dizer que muitas pessoas, sem que o suspeitem, servem de auxiliares aos Espíritos. Delas haurem os Espíritos, como de uma fonte, o fluido animalizado de que necessitem. Assim é que o concurso de um médium, tal como o entendeis, nem sempre é preciso, o que se verifica principalmente nos fenômenos espontâneos." (O livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. IV, item 74, pergunta XV)

Em virtude das sutilezas que o caracterizam, o corpo sutil da alma apresenta-se em situações as mais curiosas e belas, capazes de suscitar a nossa observação para o seu processamento, nas diversas ocorrências em que esteja envolvido.

O perispírito, compondo-se de uma estrutura eletromagnética, envolvida por substâncias fluídicas que, obedecendo ao comando do Espírito, assumem configurações especiais, comporta-se como um corpo que vibra, como um todo, e com oscilações específicas em suas diversas regiões, sustentadas pela atividade dos seus mais importantes centros energéticos.

Em razão de funcionar sob ação vibratória do Agente Espiritual, em torno do qual se estabelece, o perispírito emite ondas luminosas. Por causa da intensidade maior ou menor dessas vibrações, em função dessas freqüências, encontraremos luminosidades mais ou menos pujantes, perpassando todas as faixas de luminescência, como conseqüência dos degraus evolutivos em que se acham os Espíritos.

Tal luminescência, exuberante nos seres angélicos e pálidas ou inexpressivas nos de menor progresso anímico, chega quase à nulidade nas almas banais, atingindo a opacidade nos Espíritos empedernidos no mal.

As Entidades sublimadas podem inibi-la, por livre iniciativa, para atender a objetivos variados na lide do bem. Podem tornar-se opacas nos misteres em que tal providência contribua para maior e melhor aproximação daqueles de mais tíbia evolução, como um dia de sol vedado por nuvens que logo esmaecem, deixando à mostra a fulgurante face solar.

Não devemos desconhecer que as intensas vibrações perispirituais, além de determinarem fenômenos luminosos, propiciam também fenômenos acústicos, por meio de sons os mais diversos, desde as harmonias dúlcidas aos ruídos mais incômodos.

Sabendo-se que os aromas diversos são devidos às exalações distintas das substâncias que se evolam dos corpos, é compreensível que há odores não perceptíveis ao olfato comum, como há outros de intensa atuação.

Com a ação de Espíritos enobrecidos em determinados ambientes, podem eles realçar perfumes suaves não captados, mas que já existiam ali, valendo-se de seu domínio sobre os fluidos físicos, como podem também produzir sobre esses fluidos diversificados olores que vão modificando de acordo com seus interesses e sua vontade. É graças à neutralidade dos fluidos básicos que isso pode se dar.

Por outro lado, é em função dessa mesma neutralidade que Entidades infelizes podem provocar sensações olfativas de péssimas qualidades.

Não é à toa que encontramos, nos contos e histórias de todos os tempos, afirmativas de que os "demônios", onde e quando se apresentam, fazem explodir maus odores de "enxofre", que é a substância com a qual são associados os fétidos de Entidades inferiores, na escalada das perturbações, ao mesmo tempo que se fala a respeito de arrastamento de correntes pesadas pelo chão, causando pavor aos que o ouvem.

Do mesmo modo, há narrativas que retratam regiões espirituais enobrecidas pelo amor e pela prática do bem, que, quando visitadas por Numes Benfeitores, projetam santificadas essências, com musicalidade celestial.

Não descartamos, é certo, a possibilidade de os Espíritos, nos variados graus de evolução, poderem produzir luzes, sons ou olores, dentro das suas capacidades, valendo-se dos fluidos ectoplásmicos, nos fenômenos mediúnicos de variado porte, uma vez que a ectoplasmia pode ser trabalhada por indivíduos em diversos níveis de progresso intelectual e moral, conforme os caracteres dos grupos humanos que a eles se liguem, ou em função das necessidades de aprendizados que se imponham.

Tanto a glória alvinitente dos Espíritos Egrégios, dos "santos", quanto as sombras adensadas das almas danadas, dos "demônios", produzem-se por meio dessas vibrações que, partidas do cerne do Espírito, fazem com que seu envoltório, o perispírito, pulse na mesma freqüência, exteriorizando o que se passa nessa intimidade.

Embora sejam fenômenos mais notados com os desencarnados, dão-se, também, com os encarnados, e podem ser percebidos pelos sentidos dilatados da mediunidade.

Aplica-te, nos pensamentos e nas ações do bem, que já conheces teoricamente, a fim de que, nas lutas renovadoras, possas refletir o Cristo que, por enquanto, jaz adormecido em teu íntimo, mas que um dia será sol radioso a iluminar a Vida, a partir da tua vida.

"VÓS sois deuses". Não olvides esse ensino. Que brilhe, pois, a tua luz!

2 - OS FENÔMENOS NO MUNDO

"Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo prescrito, por se haver mostrado simultaneamente em dois sítios diversos, o que passou por milagre.

"Santo Antônio de Pádua estava pregando na Itália, quando seu pai, em Lisboa, ia ser supliciado, sob a acusação de haver cometido um assassinato. No momento da execução, Santo Antônio aparece e demonstra a inocência do acusado. Comprovou-se que, naquele instante, Santo Antônio pregava na Itália, na cidade de Pádua." (O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. VII, item 119, §§ 2.De 3.)

Em toda a história do gênero humano sobre a Terra, tomamos conhecimento dos múltiplos fenômenos de ordem para psíquica ocorridos no seio dos grupos e sociedades, nos mais variados estados de desenvolvimento ou de cultura.

Os fenômenos mediúnicos, em todas as épocas, sinalizam com essa possibilidade de os homens travarem contato com os que já se desligaram dos vínculos orgânicos, os chamados mortos.

Em várias cidades surgiram os magos, os hierofantes, os richis, os profetas, os pítons, as sibilas, acelerando o processo de comunicação entre os dois campos da Vida, ainda que lhes custasse o ônus do próprio sossego ou da própria vida, quando tomados por elementos demoníacos, sendo tais inter-relaçoes admitidas como malévolas.

Fenômenos inumeráveis ocorreram em vastas proporções, com os Espíritos escrevendo diretamente, falando diretamente, mostrando-se claramente à luz do dia ou no íntimo da noite, convocando os homens a um nível de pensamento mais alto em torno dos objetivos de seus compromissos no mundo.

Em todos os tempos e em todas as capas sociais, apresentaram-se aqueles que eram capazes de intercambiar com o Invisível, provocando fenômenos diversíssimos, que quase nunca eram devidamente compreendidos e, até por isso mesmo, pouco respeitados, sem que deles se retirassem benesses para o aprimoramento do ser.

Desde Krishna, na Índia, até Moisés entre os hebreus; de Zoroastro entre os persas a Francisco de Assis, na Úmbria: de Akenaton, na África, até Dunglas Home. Eusápia, Lenora Piper e Slade, assombrando os pesquisadores da Europa e da América do Norte, aos médiuns em serviço profícuo na atualidade, jamais faltaram fenômenos, convites e apelos para o crescimento da Humanidade, que deverá ser atenta à realidade do mundo extracorpóreo.

Da psicografia à pneumatografia, da psicofonia à pneumatofonia, da xenoglossia à ectoplasmia, os fatos se fizeram luxuriantes em todo lugar.

Em poucas épocas, contudo, a Humanidade contatou tantas grandezas fenomênicas como ao tempo do Divino Amigo entre nós, no mundo. Seu berço, assinalado pela inefável claridade que os Seres Egrégios forjavam na madrugada sublimada de Sua chegada (Mt, 2:2) até a transformação da linfa em capitoso néctar, no himeneu de Caná Jo. 2:7,9 e 11), da cura dos leprosos nas regiões de Samaria e Galiléia (Lc. 17:17); à cura de Bartimeu, nas estradas empoeiradas de Jericó (Mc. 10:46), da multiplicação de alimento para as massas(Mt. 14:13-21) ao prodígio de fazer Lázaro retornar das mãos da morte (Lc. 11:23 e 24); da mulher hemorrágica que reassume a saúde (Mc. 5:34) até o reaparelhamento dos membros do paralítico de Cafarnaum" (Lc. 5:24), entre uma vastidão de outros eventos notáveis, foi o Luminoso Galileu aquele que reabriu o estuário dos fenômenos da inter-relação com os Espíritos, desde sempre desafiadora, desde há muito combatida pelos que prefeririam o silêncio inconcebível da sepultura, por razões muito pessoais.

Em toda a saga dos intermediários que se puseram no mundo a serviço do bem, destaca-se a imperiosa necessidade de se refazer as rotas do homem, para a busca do melhor e do mais belo, com vistas ao futuro ensolarado da alma.

O maior interesse dos Nobres Emissários que tutelam o desenvolvimento planetário não é produzir fatos para deleite dos sentidos físicos. Ao contrário, chegam para instalar na Terra o Reino do Amor, convertendo déspotas em apóstolos, mendigos da paz em homens pujantes de luz, indiferentes e gozadores em indivíduos devotados e responsáveis.

O mais eloqüente fenômeno que os Céus aguardam que ocorra no mundo é o da conversão do Espírito equivocado para que realize o seu encontro com o Criador.

Contudo, o fenômeno mediúnico é apenas meio: a sua finalidade é a estrada da redenção.

O fenômeno mediúnico não deverá estar dissociado dos anelos de renovação e progresso de cada indivíduo.

Somente quando Jesus houver sido entronizado na alma da coletividade, para instalar o verdadeiro amor na Humanidade, o objetivo dos mais eminentes fenômenos terá sido atingido sobremodo, pela luz que brilhará na fronte do médium que cada um será da Vontade Celeste sobre o mundo.

Camilo