EMMANUEL

1 - A SUBCONSCIÊNCIA NOS FENôMENOS PSIQUICOS

Todas as teorias que pretendem elucidar os fenômenos mediúnicos, alheios à Doutrina Espiritista, pecam pela sua insuficiência e falsidade.

Em vão, procura-se complicar a questão com termos rebuscados, apresentando-se as hipóteses mais descabidas e absurdas, porquanto os conhecimentos hodiernos da Física, da Fisiologia e da Psicologia não explicam fatos como os de levitação, de materialização, de natureza, afinal, genuinamente espírita.

Para a ciência anquilosada nas concepções dogmáticas de cada escola, a fenomenologia mediúnica não deve constituir objeto de ridículo e de zombaria, mas sim um amontoado de materiais preciosos à sua observação.

Felizmente, se muitos dos pesquisadores criaram os mais complicados sistemas elucidativos, cheios de extravagância nas suas enganadoras ilações, alguns deles, desassombradamente, têm colaborado com a filosofia espiritualista para a consecução dos seus planos grandiosos, que implicam a felicidade humana.

A SUBCONSCIêNCIA

A subconsciência, tão investigada em vosso tempo, não elucida os problemas dos chamados fenômenos intelectuais. Os estudos levados a efeito sobre essa câmara escura da mente são ainda mal orientados e, apesar disso, muitas teorias apressadas presumem explicar todo o mediunismo com a sua estranha influência sobre o "eu" consciente. De fato, existem os fenômenos subliminais; todavia, a subconsciência é o acervo de experiências realizadas pelo ser em suas existências passadas. O Espírito, no labor incessante de suas múltiplas existências, vai ajudando as séries de suas conquistas, de suas possibilidades, de seus trabalhos; no seu cérebro espiritual organiza-se, então, essa consciência profunda, em cujos domínios misteriosos se vão arquivando as recordações, e a alma, em cada etapa da sua vida imortal, renasce para uma nova conquista, objetivando sempre o aperfeiçoamento supremo.

O OLVIDO TEMPORÁRIO

O esquecimento, nessas existências fragmentárias, obedecendo às leis superiores que presidem ao destino, representa a diminuição do estado vibratário do Espírito, em contacto com a matéria. Esse olvido é necessário, e, afastando-se os benefícios espirituais que essa questão implica, à luz das concepções científicas, pode esse problema ser estudado atenciosamente.

Tomando um novo corpo, a alma tem necessidade de adaptar-se a esse instrumento. Precisa abandonar a bagagem dos seus vícios, dos seus defeitos das suas lembranças nocivas, das suas vicissitudes nos pretéritos tenebrosos. Necessita de nova virgindade; um instrumento virgem lhe é então fornecido. Os neurônios desse novo cérebro fazem a função de aparelhos quebradores da luz; o sensório limita as percepções do Espírito, e, somente assim, pode o ser reconstruir o seu destino. Para que o homem colha benefícios da sua vida temporária, faz-se mister que assim seja.

Sua consciência é apenas a parte emergente da sua consciência espiritual; seus sentidos constituem apenas o necessário à sua evolução no plano terrestre. Daí, a exigüidade das suas percepções visuais e auditivas, em relação ao número inconcebível de vibrações que o cercam.

AS RECORDAÇÕES

Todavia, dentro dessa obscuridade requerida pela sua necessidade de estudo e desenvolvimento, experimenta a alma, às vezes, uma sensação indefinível ... é uma vocação inata que a impele para esse ou aquele caminho; é uma saudade vaga e incompreensível, que a persegue nas suas meditações; são os fenômenos introspectivos, que a assediam freqüentemente.

Nesses momentos, uma luz vaga da subconsciênncia atravessa a câmara de sombras, impostas pelas células cerebrais, e, através dessa luz coada, entra o Espírito em vaga relação com o seu passado longínquo; tais fatos são vulgares nos seres evolvidos, sobre quem a carne já não exerce atuação invencível. Nesses vagos instantes, parece que a alma encarnada ouve o tropel das lembranças que passam em revoada; aversões antigas, amores santificantes, gostos aprimorados, de tudo aparece uma fração no seu mundo consciente; mas, faz-se mister olvidar o passado para que se alcance êxito na luta.

AOS TRABALHADORES DA VERDADE

Nos tempos atuais, todo o trabalho de quantos se devotam à disseminação das teorias espiritistas deve ser o de colaboração com os estudiosos da Verdade. Não é o desejo de proselitismo ou de publicidade que os deve animar, porém, a boa-vontade em cooperar com os seus atos, palavras e pensamentos, a favor da grande causa.

Todos nós objetivamos, com a nossa árdua tarefa, ampliar o conhecimento humano, com respeito às realidades espirituais que constituem a vida em si mesma, a fim de que se organize o ambiente favorável ao estabelecimento da verdadeira solidariedade entre os homens.

2 - A FENOMENOLOGIA ESPíRITA

A fenomenologia, nos domínios do psiquismo, em vosso século, visa ao ensinamento, à formação da profunda consciência espiritual da Humanidade, constituindo, desse modo, um curso propedêutico para as grandes lições do porvir. É, por essa razão que necessitamos de operar ativamente para que a Ciência descubra, nos próprios planos físicos, as afirmações de espiritualidade.

Pode parecer que o materialismo separou para sempre a Ciência da Fé; isso, porém, não aconteceu, e o nosso trabalho de agora simboliza o esforço para que os investigadores cheguem a compreender o que o Céu tem revelado em todos os tempos.

A PSICOLOGIA E A "MENS SANA"

A psicologia antiga pecava extremamente pela insuficiência dos seus métodos. O ser pensante achava-se, para ela, isolado do corpo, estudando assim os seus fenômenos introspectivos de maneira deficiente e imperfeita.

A psicologia moderna vai mais longe. A sua metodologia avançada estuda racionalmente todos os problemas da personalidade humana, unindo os elementos materiais e espirituais, resolvendo uma das grandes questões dos cientistas de antanho.

O corpo nada mais é que o instrumento passivo da alma, e da sua condição perfeita depende a perfeita exteriorização das faculdades do espirito. Da cessação da atividade deste ou daquele centro orgânico, resulta o término da manifestação que lhe é correspondente: dai provém toda a verdade da "mens sana" e o grande subsídio que a psicologia moderna fornece aos fisiologistas como guia esclarecedor da patogenia.

O corpo não está separado da alma; é a sua representação. As suas células são organizadas segundo as disposições perispiríticas dos individuos, e o organismo doente retrata um espirito enfermo. A patologia está orientada por elementos sutis, de ordem espiritual.

Emmanuel