16ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO I

EPíSTOLAS DO NOVO TESTAMENTO

1 - Introdução: As Epístolas

As epístolas do Novo Testamento são cartas escritas por alguns dos Apóstolos para se comunicarem com determinados destinatários. São ao todo 21 epístolas, sendo: 14 de Paulo ("epístolas Paulinas"): e 7 (sete) de outros Apóstolos, sendo: uma de Tiago Menor, duas de Simão Pedro, três de João e uma de Judas Tadeu. Estas sete epístolas não-paulinas são chamadas "universais" (ou "católicas') pelo fato de serem de assunto geral e, por isso, dirigidas a diversas comunidades cristãs.

2 - Epístolas Paulinas

Ao contrário das epístolas universais, as de Paulo geralmente tratam de questões particulares causadas pelos respectivos destinatários. A situação e as necessidades espirituais vividas pelos destinatários é que determinam toda a argumentação. Como característica geral as epístolas paulinas são dirigidas a determinadas comunidades cristãs, e com exceção de: a) o "bilhete" muito pessoal de Paulo a Filêmon: b) três cartas dirigidas aos respectivos responsáveis da igreja, depois chamados; "pastores" e, daí, tais epístolas serem chamados "pastorais": são três: 1ª. Timóteo (l Tm), 2ª. Timóteo (2 Tm) e Tito (Tt).

Na elaboração das cartas (epístolas) há um fato importante que precisa ser considerado: - na Antigüidade, o trabalho de escrever era laborioso e demorado, em virtude do material então existente; por isso, o costume era ditarem-se as cartas a escribas, ou a alguém perito na arte de escrever, os quais elaboram a carta em conformidade com as indicações do remetente. Mas, a redação era de quem escrevia: daí, as diferenças de estilo encontradas em cartas do mesmo remetente. Por exemplo, Pedro em sua 1ª. Epístola (1 Pe) indica, em 5: 12, o secretário que a escreveu: Silano (é o Silas, companheiro de Paulo): já na 2ª. Epístola (2 Pe) Pedro deve ter se servido de outro colaborador, porque o estilo é inteiramente diferente.

Quanto a Paulo, parece que somente é de seu próprio punho a carta breve e pessoal para Filêmon: para as restantes, ele autenticava a epístola, escrevendo de próprio punho a saudação final.

3 - Epístola de Paulo aos Romanos (Rm)

Na epistola aos Romanos, com ampla visão e com rigor de pensamento, ele expõe o Evangelho de Jesus que já vinha pregando por longos anos em suas viagens missionárias.

Nessa carta não trava polêmica, nem pretende eliminar erro ou combater os judaizantes que lhe criavam obstáculos.

A epístola foi escrita em Corinto, nos primeiros meses do ano 57, mais ou menos, antes da Páscoa (na 3ª. viagem missionária); e seu tema é a redenção para todos pela fé no Evangelho.

Fala da responsabilidade dos que, privados de fé, se perderam, por própria culpa, nas aberrações da má escolha. E dos que apesar de se gloriarem da Lei, são transgressores dela e não têm espírito crístico. E chega a concluir que todos os homens são devedores (cap. 3: 1 -20), mas, que são Justificados pela fé, pois é pela fé que alguém se torna herdeiro. Esta fé é a submissão integral a Deus. Mas esta fé, conforme Kardec, se torna raciocinada e decorre do conhecimento.

Paulo ainda mostra que aqueles que sabem aproveitar a experiência, nas tribulações possuirão um dia a glória de Deus. "Pois sabemos que a tribulação produz perseverança, a perseverança prova a fidelidade; a fidelidade comprovada produz a esperança. E a esperança não ilude porque o amor de Deus foi derramado nos corações ... " (5:3-5).

Fala ainda do primeiro homem, como símbolo da Humanidade introdutor do mal no mundo e, como conseqüência, o aparecimento da Lei "Sobreveio a Lei para que abundasse o pecado. Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça ... " (cap. 5:20). Mostrou que as numerosas proibições e prescrições da Lei são para muitas criaturas ocasião de transgressão; mas que a graça pela justiça reina para a vida eterna.

No capítulo sexto fala da importância da reforma Íntima, atualmente pregada pelo Espiritismo, como essencial ao crescimento de cada criatura, aconselhando a morte do homem velho em nós, para que surja o homem novo, não mais escravo do mal. Mortos para o pecado, vivos para Deus.

Paulo ensina que o verdadeiro cristão é servo da Justiça, pois é libertado do mal e tem por fruto a santidade. " ... porque o salário do pecado é a morte; enquanto que o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus" (cap. 6:23).

E continua mostrando que o cristão é livre da escravidão da Lei; e que a atuação de cada um ; realiza-se conforme a renovação do Espírito e não sob a autoridade envelhecida da letra" (cap. 7:6).

Mostra, ainda, que somos filhos e herdeiros de Deus e como tais devemos participar da vida. E dá a todos a certeza da redenção, reproduzindo Núm. 14:19, SI. 27:1, 55:22, 118:6, dizendo "se Deus é por nós, quem será contra nós'!" (cap. 8:31). Aliás, em Hb. 13:6 ele repete o mesmo conceito.

O Apóstolo sente tristeza pela falta de compreensão do povo israelita em relação às revelações trazidas por Jesus através do Evangelho. Se bem que Paulo sabe que tudo isso é passageiro. Pois todos hão de se converter no devido tempo.

No cap. 11:33-36 tece hino à sabedoria, bondade e onipotência de Deus.

No cap. 12 dá conselhos e preceitos morais: são normas para uma vida cristã. Fala claramente no versículo 2º. na reforma Íntima, quando diz: "Não vos conformeis com este mundo, mas reformai-vos pela renovação do nosso espírito, para que saibais aquilatar qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito".

Ensina a importância do bem comum, antes de tudo, e do bom uso dos dons individuais em benefício da comunidade. Fala da caridade fraterna e da importância de não pagar a ninguém o mal com o mal, mas de fazer o bem diante de todo os homens, acrescentando: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem" (cap. 12: 21).

No cap. 13 diz da importância de ser submisso às autoridades, não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência.

Ensina que "o amor não prejudica ao próximo. O amor é o pleno cumprimento da Lei" (cap. 13: 10)

Recomenda a vigilância, a pureza e o dever de tolerância com os fracos na fé, com bondade, sem discutir as suas opiniões, pois cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus (cap. 14:1 e 12).

No cap. 15 exorta ainda á condescendência mútua. Termina o capítulo escrevendo sobre o projeto de viagem a Roma e suas intenções em relação aos irmãos que gostaria de ver, quando estivesse a caminho da Espanha.

Fala da sua iminente viagem a Jerusalém para ajudar esses irmãos e da coleta feita na Macedônia e na Acaia para esse fim.

Esta carta, cheia de recomendações altamente doutrinárias, foi e é o baluarte da sistematização de algumas doutrinas religiosas cristãs

4 - De Paulo aos Gálatas (GI)

É dirigida as comunidades (igrejas) da Galácia. Esse nome "Galácia" é controvertido; em sentido estrito designa uma região no norte da Ásia Menor, onde no séc. III a.C. fixaram-se algumas tribos celtas; e no sentido lato designa a Província romana que abrange a "Galácia" acima mais as regiões do sul: Pisídia, Frígia e Licaônia. Ora, se a "Epístola aos Gálatas" refere-se a Galácia do Sul, ela seria a primeira epístola de Paulo, escrita por ocasião da 1ª. viagem missionária; mas, se referir-se apenas à Galácia do norte, teria sido escrita na 2ª. ou 3ª. viagem missionária, talvez de Éfeso.

Esta epístoia foi escrita para levar orientação a essa comunidade que estava sofrendo a influência de cristãos vindos do Judaísmo e muito apegados às práticas tradicionais. Introduziram-se nas igrejas da Galácia, sustentando a prática da circuncisão como necessária à redenção. Diziam que Paulo pregava uma distorção do Evangelho do Cristo, pois não era Apóstolo Verdadeiro, visto não ter recebido a missão diretamente de Jesus. Por isso, estava em desacordo com os verdadeiros pregadores e estava à procura unicamente de favores humanos.

Paulo prova na primeira parte dessa carta que pregou o verdadeiro Evangelho de Cristo. Ele reivindica a sua autoridade apostólica declarando no cap. 1:11-12 que: "0 Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo".

Confirma que seu Evangelho foi aprovado por Pedro, João e Tiago (2:1-10) e lembra o incidente de Antioquia onde defendeu a pureza da doutrina defrontando-se com Pedro (2: 11-21), E em 2:20 ele exclama:

"Eu vivo, mas já não eu, é Cristo que vive em mim",

Na 2ª, parte da carta (cap. 3 em diante), Paulo demonstra a importância da fé no Cristo para que o homem possa verdadeiramente conhecer a verdade. Para que isso ocorra é necessário o estudo da Sagrada Escritura, do Evangelho e de sua vivência.

É, pois, preciso conservar a liberdade cristã e não abusar da própria liberdade, Levando vida espiritual, praticando a virtude, a abnegação, a caridade, a beneficência. Exemplificando em 6:7-8: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba, O que o homem semeia isso mesmo colherá. Quem semear na carne, da carne colherá a corrupção; quem semear Espírito, do Espírito colherá a vída eterna".

No final, de próprio punho, retoma a parte polêmica e moral e encerra com saudações e bênçãos.

BIBLIOGRAFIA

NOVO TESTAMENTO -

VIDA E ATOS DOS APÓSTOLOS - CAIRBAR SCHUTEL

DO CALVÁRIO AO APOCALIPSE, CAP. VIII A XIII - BITENCOURT SAMPAIO

CRISTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA - HERMINIO C. DE MIRANDA

O EVANGELHO POR DENTRO - PAULO A. GODOY

ESTUDANDO O EVANGELHO - MARTINS PERALVA

QUESTIONÁRIO

1 - O que são epístolas?

2 - Quantas epístolas foram escritas por Paulo de Tarso? E quantas pelos outros apóstolos?

3 - Em qual das epístolas Paulo fala da Reforma Intima? Com que palavras?

4 - Em qual capítulo de sua Epístola aos Romanos ele tece um hino à sabedoria, bondade e onipotência de Deus?

5 - Quem eram os Gálatas?

6 - Foi a pregação de Paulo aprovada por Pedro, Tiago e João? Os evangelhos já eram escritos nesse tempo?

7 - Que gênero de incidente aconteceu entre Paulo e Pedro na cidade de Antioquia? (cap. 2:11-21)