19ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO IV

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - De Paulo aos Filipenses. De Paulo a Timóteo (Duas)

1 - Epístola de Paulo aos Filipenses (FI)

Filipos era uma cidade situada entre a Macedônia e a Trácia. Foi a primeira cidade européia que Paulo evangelizou (2ª. viagem); ele a chama sua "alegria e coroa" (4:1.) Ao saberem de sua prisão e padecimentos, os fiéis fílipenses enviaram-lhe auxílio monetário em Roma. Profundamente agradecido, Paulo lhes escreve de coração aberto. E' uma das "epístolas da prisão, juntamente com CL Ef e Fm.

Com uma sincera ação de graças a Deus, Paulo inicia sua carta rejubílando-se pela perseverança evangélica dos fiéis e dá-lhes o testemunho do seu amor.

Paulo comenta sua prisão e todo o processo que se seguiu, incluindo sua desditosa viagem de cativeiro e as oportunidades do progresso do Evangelho através disso.

Ao garantir suas esperanças de ser reconhecida sua sinceridade apostólica, reafirma: "Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é ganho" (1:21) Entretanto, continua exemplificando para sempre: "se o viver na carne é trabalho frutífero (..), permanecer na carne é necessário por vossa causa" (1:22-24). É sempre esse o seu testemunho de abnegação apostólica: renunciar por amor ao Cristo e a sua vontade.

Em troca do seu sacrifício, ele só pede que todos lutem pelos ensinos do Evangelho, pela prática do amor e pela fé.

Convoca todos à perseverança no amor fraternal e à unidade na humildade (cap. 2).

Paulo afirma aos Filipenses que se mantém em harmonia e paz graças ao "conforto que há em Cristo (pela sustentação, orientação, bálsamo e esperança); pela consolação que ele encontra no amor de todos e por todos; pela sua comunhão com a Espiritualidade Maior e pela ternura e compaixão que recebe agradecido a todos, onde se torna uma só alma, um só pensamento, no mesmo amor".

Nota-se, nesta passagem, que a energia dinâmica de Paulo perde a força biológica e ganha na força espiritual da humildade e da fraternidade.

Paulo está velho, cansado, sofrido, mas, a cada dia, mais forte em Cristo, pelo Evangelho redentor.

Ele estimula seus fiéis ao exemplo de Jesus, que tendo uma natureza excelsa, isto é, os dons sublimes de verbo de Deus (Jo I) não se considerava igual a Deus, antes despojou sua glória junto ao Pai, assumindo a condição de servo, tomando a semelhança humana (ver a transfíguração de Jesus, Lc 9:28), quer dizer em "homem como os outros", partilhando das condições do estágio hominal.

Com todo seu poder e autoridade moral, Jesus se humilhou e se submeteu, obedientemente, até o fim de sua tarefa planetária, comprovando aos homens comuns que à tempestade da luta, segue a bonança, da espiritualização. Por isso Deus o exaltou na ressurreição que é dada pelo Pai, tendo-se tomado tão superior aos anjos, quanto lhes é superior o nome que herdou (Hb I: 1-6).

Seguir a Jesus, continua Paulo, é operar a redenção pela abnegação sem reclamações, para "mesmo no meio de uma geração má e pervertida", se tornar puro, filho de Deus, luz no mundo, mensageiro da palavra da vida (2:15-16).

A partir do cap. 3, Paulo faz outras advertências aos filipenses, retomando outro assunto, o que levou muitos estudiosos a interpretarem como um bilhete independente.

Seu primeiro cuidado é com os falsos doutores da lei que, até hoje proliferam entre os incautos.

Lideres religiosos, quando falidos obreiros da vida eterna, são maus operários, cegos conduzindo cegos, túmulos caiados que se apegam a rituais que encobrem suas reais intenções (em quaisquer religiões).

O próprio Paulo relembra sua origem e passado judaico (filho de hebreus, diferente dos "gregos") (3:5), reconhecendo-se irrepreensível e sincero adepto da Lei de Moisés.

Mas desde que considerou Jesus como Mestre dos Mestres, ele tudo perdeu para ganhar a Cristo, não pela Justiça da Lei, mas pela justiça superior que vem de Deus (Seu atributo), justiça essa que ele, Paulo, apoiava na fé (a justiça com misericórdia).

Paulo fala da esperança de sua ressurreição, tal como Jesus. Enfatiza a humildade de não se reconhecer pronto para a redenção e afírma sua perseverança consciente na evoução do espirito (3:7 -12)

E ensina como caminhar: esquecendo-se do passado e avançando para o futuro, para a meta que vem de Deus, por Cristo Jesus (o caminho da verdade), com confiança e raciocínio (a fé pela razão) (3: 12-16).

Paulo exorta a alegria no Senhor, através do cumprimento dos deveres cristãos. Ensina que não há motivo para inquietação no espírito bom, mas todas as necessidades podem ser apresentadas a Deus, pela oração e pela súplica, em ação de graças. A paz de Deus, que excede toda a compreensão humana, guardará o coração e pensamentos de Seus filhos.

Para finalizar, o missivista aconselha seus irmãos a se ocuparem de tudo que é nobre, verdadeiro, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que mereça louvor, isto é, recomenda uma conduta ideal de vida, em todos os tempos, mesmo para a filosofia grega na época, mas recomenda-o sob a prática evangélica, isto é, mais do que pelo dever, seja o homem bom e justo pelo amor.

No final faz seus agradecimentos pelos auxílios enviados.

Ao explicar que sabe viver os momentos maus como os bons, pois tudo pode n 'Aquele que o fortalece, Paulo valoriza os cuidados e o carínho de seus irmãos da fé, pois comprovam a caridade e fraternidade que participam da aflição alheia.

2 - Primeira Epístola de Paulo a Timóteo (I Tm ou 1 Tm)

Paulo escreveu três epístolas denominadas Pastorais, pois são dirigidas aos pastores de almas das Comunidades religiosas, numa orientação direta e íntima sobre regras e observâncias dessas igrejas. Há dúvidas de que realmente sejam de Paulo. São duas cartas a Timóteo e uma a Tito.

No período da primeira epístola, Tímóteo estava em Éfeso (1:3) Tem por objetivo fixar as diretrizes para a organização e direção das comunidades; sobre o comportamento ético (como sempre). A I Tm foi escrita entre o 1º. e 2º. cativeiro em Roma, quando Paulo missionou em Creta e viajou à Espanha.

Após a saudação, Paulo vai direto aos assuntos de sua preocupação I - Lembra a Timóteo a razão de sua permanência em Éfeso, que era advertir alguns a não modificarem a doutrina (O Evangelho) ensinada; a não ficarem em discussões intermináveis (especulações judaicas relativas à genealogia dos Patriarcas e heróis do Antigo Testamento), coisas que não realizam os designios de Deus sobre os homens, mas, ao invés, deveriam cultivar a caridade, a consciência sadia e a fé.

O abuso da palavra deve ser evitado, principalmente entre os que não entendem o que dizem nem o que afirmam (l :7). Em todos os tempos, "pretensiosas autoridades nos pareceres gratuitos, espalham a perturbação geral adiam realizações edificantes, destroem grande parte dos germes do bem, envenenam fontes de generosidade e fé ... " (Vinha de Luz. lição 15, Emmanuel), no fim da pregação é a caridade de um coração puro, de uma consciência boa e de uma fé sincera" (1:5).

2 - Não há combate à lei mosaica. "que é boa se for usada legitimamente" (I :8): entretanto, lei existe para corrigir as iniqüidades, logo não é para os justos; ela indica os bons caminhos, mas não é a redenção em si.

3 - O Apóstolo convida Timóteo ao bom combate das suas responsabilidades com fé e boa consciência, pois sem princípios morais não há fé (1:18) .

4 - Paulo mostra a importância da oração (2: I). Aí encontra-se a recomendação do cultivo da prece, inclusive por todos os homens governantes e autoridades, para que possam ter paz com dignidade, única forma do conhecimento da verdade, pois há um só Deus e um só mediador. Jesus Cristo.

5 - Discorreu o Apóstolo sobre os deveres e comportamento das mulheres dos mentores das comunidades religiosas, pois elas saberão também fazer profissão de servir a Deus com boas obras. Mostra ainda um Paulo de Tarso radical quando afirma: "Eu não permito que a mulher ensine ou domine o homem" (2: 12) ... "mas ela será redimida na maternidade" .

Estas afirmações de Paulo são consideradas, por alguns estudiosos, como acréscimo, mas elas também estão inseridas em I Cor 11:3 e em Ef S :22-24. De qualquer forma, a frase "eu não permito" poderia indicar o consenso da época.

No capítulo 3, ele aborda as qualidades de um bom dirigente da comunidade, ensejando sobriedade, bom senso, competência e indulgência. Deve ser pacífico, ter uma só esposa, enfim, ser bom e digno.

Continua com a orientação a respeito das pessoas em geral (cap. 5), às viúvas, prescrevendo que toda fraternidade e boa vontade começam no lar, pois quem não sabe cuidar dos seus, não pode cuidar dos outros (como na parábola do Mordomo Infiel)

6 - Paulo reafírma a liberdade do espirito (cap. 6), pois até os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar-se livres em espírito. Ensinando como reconhecer o legítimo orientador espiritual destaca a piedade como primeira virtude de um ancião religioso, porque a raiz de todos os males é a ambição (6:3-10).

7 - Paulo estimula Timóteo (6: 11): "Mas tu, homem de Deus, foge destas coisas". Finaliza exortando-o à justiça, à fé, à piedade, à perseverança, à mansidão, como legitimas conquistas de um verdadeiro líder. É o bom combate para a vida eterna.

3 - Segunda Epístola a Timóteo (11 Tm ou 2 Tm)

É a última das cartas que Paulo escreveu.

Paulo está em Roma, no seu cativeiro final e pede a Timóteo que vá ter com ele. Temendo que não houvesse tempo para a chegada de Timóteo, o Apóstolo dos gentios escreve-lhe como um testamento espiritual, conforme afirma Emmanuel em "Paulo e Estêvão". II Tm é o testamento espiritual do Apóstolo a seu discípulo predileto, que chama de filho em I Tm 1:18.

Por ter tido Timóteo uma mãe e uma avó de fé e boa consciência cristã (1:5) e pelas bênçãos recebidas para suas tarefas, Paulo o exorta a reavivar sempre o dom de Deus pelo aprimoramento espiritual na prática e divulgação do Evangelho.

Geralmente o homem acomoda-se com a paz, esquece-se das lutas passadas para alcançá-la e não se previne contra os impulsos primitivos que podem ressurgir.

No caminho do bem encontra tropeços e tentações reais ligadas a esse passado. A própria vida humana é uma condição de influenciação primitivas. Foi esta a razão da admoestação de Paulo a Timóteo para que vivificasse sempre o "dom de Deus" em seu coração.

Não importa fugir do passado, importa renovar o espírito com saber e amor (Vinha de Luz, lição 30 - Emmanuel).

Paulo convida Timóteo para ser seu herdeiro espiritual e para transmitir suas palavras evangélicas a outros que sejam idôneos para ensinar. Quem ensina ou dirige algo, tem sempre que preparar continuadores, como fez o próprio Cristo.

"O bom discípulo assume sua parte de sofrimento na vida com serenidade, como um bom soldado do Cristo. O soldado não se envolve em questões civis, só deve satisfações aos seus superiores; o atleta (ainda que ganhe) não recebe a coroa se desonrar as regras; o lavrador deve ser o primeiro a gozar dos frutos" (Fonte Viva, lição 31 - Emmanuel)

Enfim, há trabalhadores de todas as classes, até a dos que fiscalizam o serviço do vizinho e se esquecem do seu. Mas quem semeia, colhe o mesmo acontece no campo espiritual: sem esforço nada se consegue.

Paulo fala do perigo dos falsos doutores religiosos (2:14). Diz que o bom cristão evita as discussões estéreis e estima a retidão da palavra da verdade; evita o falatório vão e inconsistente, pois a associação de palavras e pensamentos condena o homem. O verbo desregrado estimula a queda moral; cria a calúnia e o mexerico maledicente; é leviano e causa perturbações graves ao devedor.

"Deus criou a palavra, o homem engendrou o falatório", diz Emmanuel em Vinha de Luz, lição 73. O palavreado vão também é vicioso, um verdadeiro desvario da mente.

Quem segue Jesus não pode ser injusto ou inconseqüente. Paulo aconselha Timóteo a fugir das paixões traiçoeiras da mocidade, das questões insensatas e não educativas.

Todo servo de Jesus é manso como seu Senhor e com suavidade ensina e ama (Pão Nosso, lição 98 - Emmanuel). Paulo, a seguir, fala dos perigos dos últimos tempos, da perseverança e do Evangelho (cap. 3)

"Todos os que querem viver com piedade em Cristo serão perseguidos" (3:12). Como no tempo de Paulo, ainda hoje o discípulo fiel de Jesus sofre incompreensões, dificuldades e até perseguições.

A lição a Timóteo para perseverar no Evangelho de Jesus deve ser assimilada por todos os novos discípulos, porquanto a luta é a mesma: o bom combate da reforma íntima.

Paulo, no ocaso da vida, faz suas últimas recomendações (cap. 4). O Apóstolo diz que já foi "oferecido em libação" e está pronto para a partida Nos sacrifícios judaicos e pagãos, "oferecido em libação" consistia em encher uma taça de vinho ou óleo, prová-lo e derramá-lo sobre a vítima. Diz que combateu o seu bom combate, fazendo sua reforma íntima, transformando-se em Homem Novo e guardando a fé na justiça do Senhor (4:6-8).

Paulo sente-se feliz e convicto de ter cumprido sua missão: e roga a Timóteo que vi encontrá-lo o mais rápido possivel pois somente Lucas está com ele. Pede para trazer Marcos.

Bibliografia:

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo Alyes Godoy.

ESTUDANDO O EVANGELHO - Martins Peralva.

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo Alves Godoy.

CRISTIANISMO, A MENSAGEM ESQUECIDA - Hermínio C. Miranda.

O NOVO TESTAMENTO (De preferência em edição comentada).

QUESTIONÁRIO

1 - Qual foi a primeira cidade européia evangelizada por Paulo? Onde se situava?

2 - Na Epístola aos Filipenses diz Paulo: "o viver é Cristo, o morrer é ganho", o que significam essas palavras?

3 - Paulo afírma que apesar de estar velho e cansado, cada dia que passa ele se torna mais forte em Cristo. Qual o significado dessa afirmação?

4 - Paulo reconhece-se sincero e irrepreensível adepto da lei de Moisés. Por quê?

5 - Que são Epístolas Pastorais?

6 - Na 1." Epístola a Timóteo. Paulo adverte no sentido de não modificar a Doutrina. Por quê?

7 - O que Paulo recomenda as mulheres dos mentores religiosos? Por que a radical afirmação de Paulo de que a mulher não deve ensinar ou dominar o homem?