20ª. AULA
EPÍSTOLAS DO
NOVO TESTAMENTO V

EPISTOLAS DO NOVO TESTAMENTO - De Paulo a Tito. De Paulo aos Hebreus

1 - Epístola de Paulo a Tito (Tt)

Esta é também epístola pastoral. Foi dirigida a Tito, presbítero de Creta.

Tito, um caráter firme e confiável era de origem pagã. Foi convertido por Paulo em sua 1ª. viagem. Foi enviado a Corinto para apaziguar a comunidade (2 Cor 7:5) e, mais tarde, Paulo o envia à sua terra natal.

Esta epístola foi escrita por volta do ano 64 (tal como I Tm), para estimulá-lo e recomendar-lhe novas que lhe evitassem as dificuldades exístentes.

Após a saudação de praxe, Paulo lembra a Tito a necessidade de se instituir presbíteros (anciãos) como chefes dos núcleos de cada cidade. Recomenda a requisição de homens dignos, de moral ilibada (1:5-7), pois todo ecônomo das coisas de Deus, deve ser irrepreensível e fiel na exposição da doutrina pura. (Ecônomo: pessoa encarregada da administração de uma propriedade ou instituição.)

O Apóstolo Paulo nunca se cansava de advertir, em suas epístolas, sobre os falsos doutores (1:10-16), pois muitos judeus convertidos aceitavam Jesus como profeta, mas não como Messias, acrescendo que queriam exigir a circuncisão para todos. A preocupação com um sincretismo perigoso foi o tom de Paulo em todas as missivas.

Diz Paulo (2: 1-10) que Tito deve permanecer firme nos seus ensinamentos, que homens e mulheres sejam sóbrios e dignos, moderados e íntegros, sendo ele mesmo (Tito) um exemplo de conduta, tanto na exposição do Evangelho como na vivência.

Na verdade, os ensinos de Jesus, quando assumidos consciente e integralmente modificam o pensamento do homem, mostrando-lhe como conhecer a si próprio, descobrir os prejuízos das paixões mundanas, produzir sua Reforma Íntima, vivendo no mundo com autodomínio, mas não separado do mundo.

Todo trabalho para ser bem elaborado, tem suas exigências e normas de conduta que se coadunam com os efeitos finais.

Ser zeloso no bom procedimento é compromisso do Aprendiz do Evangelho, assim como de todo bom cristão.

Paulo finaliza destacando o cuidado com os homens insensatos e facciosos (3: 9-11) Depois de uma ou duas admoestações, não se deve entrar em controvérsias inúteis, nem debates pela lei, pois quando o homem escolhe e combate a favor de um lado, ele é sempre responsável por suas ações.

2 - Epístola de Paulo aos Hebreus (Hb)

Escrita em 64 d.C. Os estudiosos do Evangelho e organizadores do NOVO Testamento duvidaram, à priori, de sua autenticidade, não quanto ao seu valor que é imenso, mas quanto à sua autoria. Em "Paulo e Estêvão", Emmanuel afirma que a carta foi escrita por Paulo e copiada por Aristarco, quando estava na sua prisão domiciliar em Roma.

Como o título indica, ela foi dirigida aos judeus da Judéia; mas não faltam argumentos para considerar que seus destinatários estão espalhados pelo Império Romano, onde os recém-convertidos sentem a dificuldade do exílio, sem o amparo de uma fé de base sólida. A carta relembra a superioridade do Cristo e o perigo da apostasia, pela nostalgia dos esplendores litúrgicos do culto judaico, arraigado em seus espíritos. (Apostasia: mudar de religião, ou de partido; desertar da fé; abandonar a fé de uma igreja.)

É em resumo um tratado da autoridade do Cristo, frente ao Judaísmo, como cumprimento evolutivo da Lei do Amor, onde a fé é o esteio da perseverança no Bem. Paulo afirmava que Deus, antigamente, "se comunicou muitas vezes e de maneiras diversas com nossos antepassados, segundo a evolução do homem". Depois do ciclo dos profetas, o Senhor da Vida houve por bem enviar seu Filho, não um porta-voz como os outros, mas aquele de quem Ele disse "Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho" (1:5).

O Filho tornou-se mais do que os Anjos (altos mensageiros de Deus). "Tu és meu Filho, hoje eu te gerei" (SI 2:7) e (Hb 1:5) e o Senhor Deus determinou que todos os anjos o adorassem (Dt 32:43) e (Hb 1:6).

"O teu trono é eterno e perpétuo, o teu cetro é de eqüidade" (SI 45:6) e (Hb 1:8).

Paulo tem o cuidado de usar várias vezes o Antigo Testamento para provar a glória de Jesus que foi descrita nos livros sagrados dos hebreus, pois falava ao seu povo.

A mensagem dada pelos Anjos na 1ª. Revelação é verdadeira (2:2), a que Jesus nos trouxe é complemento (Mt 5: 17). Se aceitamos a 1ª, como negligenciarmos a segunda, que é seu cumprimento?

Convinha, por isto, que o Cristo, por um pouco, participasse da condição de Filho do Homem, para provar a liberdade e realidade da Vida Maior (com a sua humildade e desprezo das paixões humanas para a gloriosa Ressurreição) (2:5-10).

O Apóstolo explica que tendo Jesus sofrido todas as tentações das iniqüidades da condição humana, provou aos seus irmãos menores que é capaz de socorrê-los nessas fraquezas, através de fé e das boas obras.

Paulo afirma que o Grande Apóstolo (enviado de Deus junto aos homens) e Sumo Sacerdote, que se compadece dos homens junto a Deus (4: 14), o Cristo e Messias prometido, era superior a Moisés que guardara fidelidade a Deus, como servo e testemunha das coisas que viriam, mas coube a Jesus uma glória tão superior a Moisés, quanto é superior a glória do construtor à da casa construída (3: 1-6).

O perigo da incredulidade é uma ameaça constante devida à dureza do coração humano (3: 12). Os discípulos de Jesus devem animar uns aos outros na sustentação dos momentos difíceis. Essa dureza de coração se traduz nas contínuas deficiências do homem que não resiste ao orgulho e à vaidade de se considerar sempre o maior e o melhor.

Moisés tirou os hebreus do Egito, entretanto, esses mesmos se revoltaram no deserto, onde tiveram que ficar por 40 anos para se renovarem, sem repouso (espiritual) (3:16-19).

Usando todo seu antigo conhecimento da Lei Mosaica, Paulo comprova a seqüência da história religiosa judaica como um trabalho contínuo do Plano Espiritual Maior.

Mostra aos hebreus que Jesus, o Filho de Deus, continuava seu sacerdócio divino nos céus (Espiritualidade Maior), onde se compadecia das fraquezas e ignorância humanas. O Cristo não se gloria por ser Representante Divino, mas Ele glorifíca a Deus (Jo 17: 1).

Após o ensinamento elementar a respeito do Cristo (cap. 6), Paulo procura penetrar e explicar a doutrina que anunciara. Tecendo palavras de esperança e encorajamento, exortando à paciência, à fé e à perseverança, lembrando a perseverança de Abraão, o patriarca dos judeus.

Diz Paulo que a esperança é a "âncora da alma" que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor entrou por nós, tomando-se o Sumo Sacerdote para sempre (6:18-20).

Do cap. 7 ao cap. 10 da epístola, há três grandes subdivisões:

1 - Superioridade da missão de Jesus sobre os sacerdotes levitas.

O sacerdócio de Jesus não é segundo a regra da conduta na vida material (conforme os levitas), mas para o poder de uma vida eterna imperecível (7:16) "Meu Reino não é deste mundo", Jo 18:36.) O sacerdócio levítico teve fim, mas o de Cristo é eterno.

2 - Continuando sua exposição aos judeus-cristãos, o Apóstolo fala que o ritual de dádivas e sacrifícios sacerdotais eram "sombra das realidades celestes" (8:5): mas o Cristo tem ministério superior, porque é o único intermediário de um Novo Testamento (Nova Aliança), mais perfeito e completo do que o primeiro (8:7) o que foi previsto por Jeremias (Jr 31:31).

O Espiritismo diz que o sacrifício deve ser íntimo: da animalidade em favor da espiritualidade do homem. É o sacrifício das ilusões e paixões da carne.

3 - Mostra Paulo que o sacrificio de Cristo nos trouxe redenção eterna e, então, é superior aos sacrificios mosaicos, que eram transitórios e humanos (cap. 9).

Sacrifícios exteriores não redimem e, muito menos, santificam ou modificam alguém. Não há sangue de touro ou bode que elimine pecado (10:4), complementa Paulo. Nem sacrificio, nem oferendas, nem holocaustos, nem promessas vãs que dependam de outrem (cap. 9: 10; 1-10).

Jesus ensinou o sacrificio da oferenda de si mesmo em renúncia sublime na promessa da Vida Maior. A eficácia do seu sacrificio se traduz na fé, na esperança, na caridade que em todos os tempos convida o homem à redenção.

Aos hebreus, no capítulo 11 Paulo fala da natureza da fé. Diz que os momentos de transição são os mais dificeis e exigem perseverança e constância na fé para evitar o perigo da apostasia. Quando o sofrimennto surge, o homem se joga intempestivamente a várias portas, em busca da paz, esquecendo-se que ela está dentro dele mesmo.

A fé perseverante se toma vitoriosa pelas ações edificantes. "A fé que não ajuda, não instrui, nem consola, não passa de escura vaidade do coração"(1).

Escreve Paulo que "a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem" (11: 1).

A fé é a confiança que se anima com a esperança, ganha alento com a caridade e se realiza na luz da verdade. Os antigos hebreus tiveram fé exemplar, continua Paulo aos seus conterrâneos. Sem crer em Deus, é impossível aproximar-se dEle. Assim provaram Noé, Abraão, Moisés e outros.

A fé é uma certeza intuitiva fincada na razão para não se tornar cega e inútil. Também a fé serve de base à razão que nela se desenvolve: é a fé raciocinada.

No cap. XI, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 13, Kardec explana sobre o assunto e, no cap. XX, ele estuda os aspectos imanentes e transcendentes da fé. O imanente é a fé humana, esta força interior que leva o homem à realização de um ideal. O transcendente é a fé que o conduz a Deus: é a fé que liberta porque reconhece e confia em Deus, o Pai Supremo e Misericordioso.

Conclamando a paternidade de Deus, Paulo argumenta racionalmente que se os pais segundo a carne amam e educam, segundo seus conhecimentos, impondo aos filhos corretivos: a mesma coisa faz o Pai que está no Céu, agindo dentro de Suas Leis Divinas, perfeitas e imutáveis disciplinando-nos para aproveitamento, para nosso bem, a fim de sermos participantes da Sua santidade (12:4-10).

O homem somente vê o momento e sente a tristeza por sofrer, mas toda disciplina "produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados" (12:11).

A infidelidade é o caminho contrário à retidão das leis morais. Aí é citado o exemplo de Esaú (12: 16-17), que por leviandade trocou seu direito de primogenitura por um repasto e depois foi rejeitado, e foi grande o seu arrependimento (Gênesis, 25:33).

Finalizando a carta, mostra Paulo o contraste entre o Sinai e o Monte Sião. De um lado trombetas e tempestades ameaçadoras, que até Moisés se disse "aterrado e trêmulo" (12:21), e de outro o Deus vivo envia Seu Filho Amado à "Jerusalém celeste, com incontáveis hostes de anjos". O Mediador manso e meigo orienta a "Nova Aliança"; a ressurreição para a Vida Eterna através do código moral dos Espiritos o Evangelho (12: 22-24).

E ele termina a carta com exortação para a vida cristã e para a fidelidade na vida comunitária.

Bibliografia:

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo A. Godoy.

ESTUDANDO O EVANGELHO - Martins Peralva

O EVANGELHO POR DENTRO - Paulo A. Godoy.

CRISTIANISMO A MENSAGEM ESQUECIDA - Hermínio C. Miranda

O NOVO TESTAMENTO - (de preferência uma edição comentada).

(1) JESUS NO LAR lição 32 - Néio Lúcio.

QUESTIONÁRIO

1 - Quem era e como era Tito?

2 - Na Epístola a Tito, qual foi a recomendação de Paulo logo após a saudação inicial?

3 - Na Epístola a Tito nota-se que todos os judeus aceitavam Jesus como sendo o Messias?

4 - Epístola aos Hebreus: Para quem foi ela dirigida?

5 - Quem copiou a carta de Paulo dirigida aos Hebreus?

6 - Como usava Paulo o Antigo Testamento para provar a glória do Cristo?

7 - Podem os sacrifícios exteriores redimir o Espírito?