22ª. AULA
APOCALIPSE DO
APÓSTOLO JOÃO I

O APOCALIPSE DO APÓSTOLO JOÃO (Ap)

INTRODUÇÃO

Apocalipse é uma palavra de origem grega, significando "revelação".

Para entender o Apocalipse é necessário aprender a técnica de interpretá-lo, ou decodificá-lo, tal como uma comunicação em código. O conhecimento da Verdade pelo homem de hoje, ainda é pequeno, mas o estudo da História da Humanidade pode auxiliá-lo nesse intuito.

A interpretação conjuntural histórica ensina que Apocalipse encerra advertência a todos os POVOS e nações da Terra (A Caminho da Luz, cap. XIV - Emmanuel).

Onde a capacidade humana do fiel Apóstolo não pôde traduzir a "expressão divina de suas visões", o homem atual coloca o bom-senso e o esforço da Reforma íntima para que possa compreendê-las. De qualquer forma, as guerras, as transformações, o sofrimento dos povos, o comercialismo fraudulento das idéias e ações do espirito (tanto no plano social como religioso), lá estão gravadas.

Os "apocalipses" já eram conhecidos dos judeus (principalmente os essênios de Qunrã, vários séculos antes do Cristo - Bíblia de Jerusalém). Ex.: Os apocalipses dos profetas Ezequiel, Zacarias e Daniel no Antigo Testamento (fazem parte de seus respectivos livros), cujo simbolismo é bem parecido ao do Apocalipse de João, íncluído no Novo Testamento, com elementos da Cabala oral, sendo que o discípulo de Jesus imprimiu conotações do ocultismo greco-romano.

João Evangelista, filho de Zebedeu, irmão de Tiago Maior, escreveu-o na Ilha de Patmos (Ap 1:9), no final do 1º. século (entre 70 e 95 d.C.), em língua grega, e é como "um plano estabelecido" na evolução das civilizações (anos de Nero e Domiciano, imperadores romanos implacáveis).

O seu objetivo maior e essencial é o reerguimento do ânimo dos cristãos que, após tantos sofrimentos, encontrarão um final de Redenção, com a vitória do Bem, numa Terra de Paz, Fraternidade e Amor.

Além da mensagem esotérica (de integração cósmica), temos a sua interpretação histórica, divididas em duas partes e apresentadas como "Revelação de Jesus Cristo" (1:1):

1ª. parte - Os acontecimentos em Roma e as cartas às igrejas (cap 1 a 3):

2ª. parte - I - Os prelúdios do grande Dia de Deus (caps. 4 a 16)

II - O castigo da Babilônia (caps. 17 a 19)

III - O extermínio das nações pagãs e higienização da Terra (caps.19 e 20)

IV - A Jerusalém futura (A cidade de Deus). Epílogo (caps 21 e 22)

O Apocalipse fala em desdobramentos espirituais, vidas sucessivas, pluralidade dos mundos, provações e emigrações coletivas, para tudo desaguar no oceano universal da paz do Reino de Deus, na Cidade de Deus, como interpretou Santo Agostinho. A figura central é o Cristo vencedor Glorioso.

1ª. PARTE

1º. cap: Endereço e Visão Preparatória

No 1º. versículo encontra-se a autenticação da "Revelação de Jesus Cristo", sublinhando que lhe foi dada por Deus, e ele, por sua vez, enviou-a por seu anjo ao Servo João, que dá o seu testemunho.

"Bem-aventurados aqueles que vêem e os que ouvem as palavras desta profecia" (1:3). Não adianta apenas a letra, é importante guardar o sentido moral que nelas está inscrito, pois elas são avisos para alertar e prevenir, "porque o tempo está próximo".

João se dirige a sete núcleos cristãos da Ásia - as 7 Igrejas (1:4 e 1:11), da parte de Jesus Cristo (1 :5).

Confessa que foi "arrebatado em Espírito" (desdobramento em êxtase), descrevendo a seguir o que via e ouvia (1: 10): "O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia (1: 11).

Não cabe, neste sucinto estudo, aprofundamento nos arcanos apocalípticos, mas, como sempre, buscar o conteúdo instrutivo e moral.

Das advertências simbólicas do Apocalipse, mas de sentido real, fazem parte toda a evolução da Humanidade nesses 2000 anos e mais para o futuro próximo.

Essas 7 igrejas da Ásia encontram seu significado no Oriente, berço dos primeiros caminhos religiosos com suas filosofias espiritualistas fundamentais.

As letras e as palavras vestem as relações (ou razões) entre os pensamentos. Os números e suas fórmulas matemáticas vestem as equações (razões) do universo. Ambos são a linguagem da Natureza. Partem dos rudimentos do nosso conhecimento, atravessam a ponte da espiritualidade pela razão (e seu relacionamento com o saber), alcançando a abstração do que não se vê, pela fé.

Assim, os 7 castiçais de ouro (1:12) de profunda conexão com a tradição judaica, representando as 7 igrejas, são os condutores da Luz Espiritual Divina, Inteligências Purificadoras, Legiões de Justiça e Poder.

Os aparentemente surpreendentes "cabelos brancos como lã branca" (1:14) comprovam a antigüidade sublime de Jesus Cristo perante a Terra e sua humanidade; daí o ter dito: "Não temas, eu sou o primeiro e o último" (1:17 e 2:8).

2." e 3." capítulos: As Epístolas às Igrejas

É interessante notar que não são as mesmas dos endereços de Paulo.

São mensagens de estímulo à oração e à vigilância; de advertência, demonstrando conhecer os corações dos dirigentes e fiéis. Delas ressalta que não é a religião como dístico de fachada que salva, mas a fé e as obras na responsabilidade.

"Sete" é o número sagrado dos povos antigos, que lhe atribuíam grande valor astrológico e mágico. É o número da perfeição, da sabedoria, da plenitude, da totalidade.

Em resumo, o conteúdo dessas cartas mostra o que ocorre em todos os tempos: as religiões se perdem nos caminhos do ritualismo, do mercantilismo, do fanatismo que alimenta os orgulhosos, materializando o sentido espiritual no trivial acomodado da vida. De vez em quando um abnegado operário de Jesus estimula o retorno ao plano transcendental da alma, acima dos interesses mundanos.

2ª. PARTE

I - Os Prelúdios do Grande Dia de Deus (Caps. 4 a 16)

1) Caps. 4 e 5: Visão do Trono da Majestade Divina e o Livro dos Sete Selos

Nesses dois capítulos, Deus entrega o destino do mundo ao Cordeiro, "0 Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi" (5:5), símbolo de Jesus como Messias.

Mais uma vez, como em todo o livro, encontra-se a tradição cabalística judaica, difícil principalmente para os seus neófítos.

As descrições do trono da Majestade Divina, os 24 anciãos, as 7 tochas de fogo e as 4 criaturas viventes (4:1-6), encontram relações com as visões de Ezequiel Isaías e Daniel demonstrando a mesma iniciação. A visão parece mostrar Deus (4:3) (que nem sequer é denominado, nem tem forma antropomórfica) num aspecto glorioso de luz. Este Ser tinha um livro (designando a Terra) fechado com 7 selos, que entregou ao Cordeiro, o qual pelo seu Amor e Sabedoria e pela sua missão Redentora, conquistara direito de resgate da Humanidade terrrestre (5:9). E todos louvaram o Cordeiro que recebera o galardão dos 7 esplendores de Deus: poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e ações de graças (louvores), para todo sempre (5:12 e 13).

2) Caps. 6 a 9: O cordeiro Abre os Sete Selos e os Anjos Tocam as Trombetas:

Os quatro cavalos e seus cavaleiros do Apocalipse de João são encontrados em Zacarias (1:7 -1O e 6:1-7) e têm conexão com os símbolos hindus, o que universaliza os fundamentos da ação dos Espíritos sobre as ações humanas.

São quatro grandes forças (6: I a 8):

1) Branco - O Evangelho (O Bom Combate), pureza, o bem

2) Vermelho - Instíntos prímitivos, paixões, guerra, derramamento de sangue

3) Preto - A ganância, trevas morais, carestia, fome

4) Amarelo - a desencarnação, o Juízo e o reajuste.

O final do 6º. capítulo traz o aviso do sexto selo (6:12-17) para a mudança da paisagem geográfica da Terra, semelhante ao Sermão profético de Jesus (Mt caps. 24 e 25, em particular Mt 24:29-31).

No Cap. 7 é narrado que em todas as circunstâncias, os que servem a Deus, harmonizando-se com Sua Augusta Vontade, serão preservados; logo, algumas frações rebeldes dos Espíritos terrenos seriam excluídas e substituídas num exílio de expiação e aprendizado (A Gênese, cap. XVIII).

A indicação de um mesmo número de seres em cada "Tribo" (7:48), leva a um pensamento lógico de que "todos os caminhos religiosos possuem as mesmas possibilidades de ascensão espiritual". A individualidade rebelde é que se exclui (por si mesma) da NOVA Era de Regeneração.

Os que se esforçam na Reforma Íntima e aprimoramento das virtudes estão inscritos no Livro da Vida, do Cordeiro de Deus (7: 13-17 "Estão trajados de branco" porque "lavaram suas vestes espirituais (corpo espiritual) e as alvejaram no sangue do Cordeiro, ou seja, renovaram-se e salvaram-se na Doutrina do Messias, o qual os "apascentará, conduzindo-os às fontes das águas da vida". "E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima."

Nos Capítulos 8 e 9, a abertura do sétimo selo é a mais solene, depois de um silêncio de "cerca de meia hora" (talvez significando expectativa de meio século diante do que está por vir). Tudo o que estava decretado no livro começa a se desenvolver a cada toque da trombeta (anúncio de coisas que estão por vir).

Perante o sofrimento dos POVOS da Terra, os Santos Espíritos intercederam a Deus com suas orações (8:3). As quatro primeiras trombetas anunciaram o fogo devorador da purificação em toda terça parte da Terra, pois todo acrisolamento requer profunda transformação. Esta mudança numa terça parte terrena ocasionará distúrbios físicos e psíquicos. Alguns estudiosos da atualidade conectam esses acontecimenntos com a possível e provável mudança do eixo magnético da nossa Terra que verticalizando-se, será alterado no contexto angular de 23" 30' (equivalência de 33% - terça parte).

Tantos sofrimentos, ocasionados pelos próprios homens, ainda nada signifícam diante das três trombetas restantes.

Como a quinta trombeta (Cap, 9) uma "estrela" (Espírito) caiu do céu sobre a Terra e foi-lhe dada a chave do "Abismo". Foram soltos Espíritos perversos. Toca a sexta trombeta (9: 13-19). Das trevas, quer dizer, da animalidade egoística e gananciosa dos homens, surgiram a fome, a destruição, a orfandade, a carestia; a terça parte da humanidade será morta pelo flagelo da guerra.

Ainda assim, muitos homens não se arrependem de suas más obras, sua idolatria, suas iniquidades. (9:20-21).

3) Caps. 10 a 16: Flagelos mais Cruéis.

O Prenúncio do Fim. No cap. 10 encontra-se a iminência do expurgo final, para valorizar o mérito dos bons. Era chegada a hora de a Terra abrigar uma nova geração. O Livro da Vida, contido nas mãos de um Anjo Poderoso, tem o sabor (entendimento) doce-amargo (10:9-10). Doce porque anuncia o triunfo do Cristo no plano de evolução planetária; amargo porque esta evolução é feita através de tantos sofrimentos calcados nas deficiências morais individuais e coletivas dos homens, decorrentes do "Bom Combate", isto é, do abatimento do orgulho e da vaidade.

O Cap. 11 trata do segundo "ai": - as duas Testemunhas Mártires. E o sétimo Anjo toca a sétima trombeta (11: 15-19), anúncio do terceiro "ai", que ocorrerá nos Capitulos seguintes.

No cap. 12 surgem a "Mulher" e o "Dragão" e os Anjos pelejam no Céu contra o Dragão; vitória de Cristo e seu povo.

No cap. 13 surgem as duas "Bestas":

a) a Besta que emerge do mar ("mar" significa o abismo e também os povos e nações), "Besta" esta que significa o poder do Mal em geral, mormente quando unido aos poderes políticos;

b) a outra "Besta" é a que emerge da terra: ela simboliza a heresia, os falsos profetas e seus seguidores (é o que se conclui de Ap 16:13 e 19:20) E Ap 13: 18 diz "Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Esse número é 666".

O cap. 14 inicia com a visão que João teve do Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, o "monte sagrado de Jerusalém" e com ele 144.000 que têm o nome de Jesus e do Pai. (Cento e quarenta e quatro mil é 12 x 12 x 1000, um número simbólico que significa a grandeza do povo de servos de Deus.)

E é neste cap. 14, que são feitas a "ceifa" e a "vindima" que significam, respectivamente, a "colheita" dos bons, e o expurgo dos maus.

No cap. 15 celebra-se o triunfo dos que venceram a Besta, ou seja, os que são de Deus.

No cap. 16 principia a descrição do "juízo", representado pelos sete flagelos derramados das sete taças (16:1-21).

1º. flagelo: úlceras malignas e perniciosas;

2.° flagelo: o mar se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que nele havia;

3º. O flagelo: os rios e fontes de água se tornaram em sangue;

4º. flagelo: o sol queimou os homens com fogo;

5°. flagelo: o mundo do Mal se tornou em trevas e os homens remordiam as línguas por causa da dor que sentiam, e blasfemam de Deus;

6°. flagelo: secou as águas do grande rio Eufrates para preparar o caminho dos reis que vêm de Oriente. E saíram da boca do Dragão, da boca da Besta e da boca de Falso Profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs, operadores de sinais;

7º. flagelo: relâmpagos, vozes, trovões, grande terremoto (forte), "a grande cidade se dividiu em três partes", "toda ilha fugiu e os montes não foram achados". "E desabou do céu grande saraivada com pedras que pesavam cerca de um talento (20 a 30 quilos)." "E por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus."

Bibliografia:

O APOCALIPSE - José de Sousa e Almeida

INTERPRETAÇÃO SINTÉTICA DO APOCALIPSE - Cairbar Schutel.

A MENSAGEM DO APOCALIPSE - Nelson Lobo de Barros.

A BÍBLIA DE JERUSALÉM - Edições Paulinas.

A CAMINHO DA LUZ - cap. 14- - Emmanuel.

INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS - Oscar Bratáglia.

GE., cap. XVlII. - Allan Kardec

QUESTIONÁRIO

I - Quem recebeu a revelação chamada Apocalipse? Quem lhe enviou? O que significa Apocalipse?

2 - Qual é o objetivo maior do Apocalipse?

3 - Qual o número de mais influência no Apocalipse? Exemplos.

4 - Para quantas comunidades religiosas (Igrejas) João se dirige no Apocalipse? Quais são? Qual o conteúdo das mensagens?

5 - Que cores portavam os quatro cavaleiros do Apocalipse? O que eles representavam?

6 - Que significa "lavam suas vestes e as alvejam no sangue do Cordeiro"?

7 - Que significam as Bestas?