6ª. AULA
FATOS DA VIDA DE JESUS I

FATOS DA VIDA DE JESUS - Mãos Lavadas ou Tradição dos Antigos. Fariseus e Saduceus Pedem um Sinal. Conhecereis a Verdade e Ela Vos Libertará. Jesus, o Pão da Vida e a Fonte de Água Viva. Jesus, a Luz do Mundo. Jesus, o Bom Pastor

1 - Mãos Lavadas ou Tradição dos Antigos (Mt 15:1-20) e (Mc 7:1- 23)

É muito mais fácil observarem-se preceitos materiais do que preceitos morais. Isso porque os preceitos materiais se apóiam em formalidades exteriores, em ritos, em ostentação, em exibição, em extravasamento de orgulho, de egoismo e de vaidade. Ao passo que a observância de preceitos morais apóia-se na regeneração intima do indivíduo; sem a reforma intima não é possivel praticá-los.

Por isso, muitos são os que negligenciam as Leis de Deus, apegando-se a prática de regras estabelecidas pelos homens. É a esses que Jesus se dirige na lição.

Os preceitos materiais constituem doutrina, regras e convenções moldados segundo a conveniência da casta sacerdotal dominante. Sua finalidade é fazer com que o fundo dos Mandamentos de Deus desapareçam sob a complicação da forma, que melhor lhe convém.

São práticas exteriores e não morais.

As palavras de Jesus proferidas naquela época continuam atualíssimas. Por isso, segundo se lê em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo VIII, item 10 - "Como era mais fácil observar a prática dos atos exteriores, do que reformar-se moralmente", de "lavar as mãos do que limpar o coração, os homens se iludiam a si mesmos, acreditando-se quites com a justiça de Deus, porque se habituavam a essas práticas e continuavam como eram, sem se modificarem, pois lhes ensinam que Deus não exigia nada mais". Eis porque o profeta dizia: "É em vão que esse povo me honra com os lábios, ensinando máximas e mandamentos dos homens" (Isaías 29: 13).

A transgressão de um preceito higiênico físico em nada é comparado com a transgressão de uma lei moral. Quando os homens se acomodam e aceitam lideranças sem analisar, todo o resultado é falseado e a fé acaba não se aliando à razão.

Quase sempre, quando inquiridos sobre esta ou aquela razão de agir, não sabem responder, mas continuam fanáticos.

Allan Kardec diz acertadamente que toda religião que não melhora o homem não atinge a sua finalidade.

A pureza verdadeira é sempre a pureza moral, a única que aprimora o Espírito.

2 - Fariseus e Saduceus Pedem um Sinal (Mt 16: 1 -4) e (Mc 8: 11-13)

A história registra numerosos casos de "céticos" que não crêem, porque não querem mesmo crer. E muitos deles, ocupando posição de comando nas ciências, nas artes e na religião, infernizaram a vida de muitos abnegados que descobriram novas verdades, novas leis, novos fatos químicos, físicos, biológicos, sociológicos e psicológicos. Alguns desses abnegados pagaram com a própria vida as descobertas que fizeram e que, mais tarde, vieram beneficiar toda a Humanidade, fazendo-a progredir.

Ora, Jesus em sua vida pública já havia produzido numerosos prodígios no campo das curas e desobsessões.

Todavia, fariseus e saduceus exigiam dele um "sinal do céu" para se convencerem. Jesus, então, replica-lhes que se eles não sabem interpretar o sinal dos tempos messiânicos (pelas suas curas e prodígios), ele não lhes daria outro, senão o do profeta Jonas cuja estada por três dias e três noites no ventre do grande peixe, sua libertação e o êxito de sua pregação, prefiguram a morte de Jesus, sua ressurreição e o êxito de sua pregação.

O Evangelho segundo Mateus (12:38-41) e o Evangelho segundo Lucas (11:29-32) referem-se ao "Sinal de Jonas": "Assim como Jonas foi sinal para os habitantes da capital Nínive, o Filho do homem será para esta geração": "Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do homem estará três dias e três noites no coração da terra". Jesus referia-se ao seu ressurgimento no terceiro dia, quando se verificaram numerosas aparições do seu Espírito, a Maria Madalena, aos apóstolos e discípulos, como de fato aconteceu, comprovando que toda angústia tem a sua libertação. (Ver no Antigo Testamento o Livro de Jonas.)

Os que não querem compreender por orgulho, fanatismo, ignorância, conveniência ou comodismo, pedem sempre um "sinal"; alguma coisa material algum prodígio que lhes impressione os sentidos. Falta-lhes fé.

É o que acontece nos dias de hoje com o Espiritismo. Para eles de nada adiantam as provas mais evidentes, as curas, os consolos, os amparos, as elucidações, as comunicações dos Espíritos, a libertação da cegueira religiosa; pois preferem continuar mergulhados no comodismo religioso ou nas conveniências escusas, exigindo um prodígio do céu, especial para eles.

"Para crer não basta ver, é necessário compreender", afirmou Kardec.

3 - Conhecereis a Verdade e Ela Vos Libertará (Jo 8 :31 -32)

Como se vê, Jesus ao proferir esta frase, colocou o verbo no futuro o que significa que o conhecimento da verdade seria acontecimento do porvir, logo, gradativo.

Nunca houve, e não há, alguém que possa vangloriar-se de possuir a verdade integralmente, pois que a área do conhecimento humano aumenta sem cessar e cada dia que passa as idéias são retificadas ou complementadas. Assim, a Humanidade não pode alcançar a verdade absoluta, que é de Deus, por isso não lhe é possível saber tudo.

A religião e a ciência avançam, rompendo com os véus que encobrem a verdade. Aos poucos, progressivamente, o povo vai evoluindo e, então, passa a rejeitar, na sua fé, o que é contrário à razão e à inteligência.

Se Deus deu ao homem razão e inteligência é porque Ele quer que sejam usadas, à medida qüe se esforçar por desenvolvê-las.

Lentamente, o homem vai se libertando do fanatismo, pela luz da verdade espiritual.

Com o advento do Espiritismo, a Terceira Revelação, esta libertação se acelerou. Com o conhecimento das leis de Deus, sua aceitação e prática, liberta-se dos erros viciosos. Livre da mentira, o homem caminhará para seu futuro iluminado.

4 - Jesus, o Pão da Vida e a Fonte de Água Viva

"Quem vem a mim, não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede" (Jo, 6:35).

a) JESUS, O PÃO DA VIDA (Jo, 6:22-35; 6:37-59 e 6:60-63)

O pão é o alimento por excelência: a cultura do trigo é, talvez, a mais antiga do mundo.

Entretanto, há pão para o corpo e pão para o espírito, porque há vida animal e vida espiritual. Assim como o corpo precisa de alimento, a alma precisa de moral e ciência para desenvolver a vida psíquica.

Quando se priva o corpo de alimento, ele definha e morre; da mesma forma, privando-se o espírito do alimento espíritual que é o amor e a sabedoria, ele se enfraquece, ficando mais vulnerável ao mal.

O sangue é a base da vida animal e a fé, da vida espiritual.

Jesus convida para o banquete espiritual onde todos se saciarão no amor de Deus. Para ser digno de tal banquete é preciso trabalhar com fé e caridade, pois somente o "alimento que vem do céu" é que dá vida ao mundo.

A doutrina de Jesus é o pão do espírito, porque é a moral divina em sua plenitude. E como essa Doutrina se personifica no próprio Jesus, ele passou a ser o simbolo do pão espiritual. E sua doutrina penetrando vivamente o espírito, transforma as criaturas para melhor.

Aliás, é o próprio Jesus quem afirma: "As palavras que vos tenho dito são espirito e são vida: o espirito é que vivifica, a carne para nada aproveita"' (Jo 6:63)

b) JESUS A FONTE DE ÁGUA VIVA (Jo 7:37-44)

Tal como na questão acima, Jesus empregou a linguagem simbólica quando ensinou "Se alguém tem sede, venha a mim e beba"; e, em seguida. "Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva" (Jo 7:37-38).

Procurar fontes de água sempre foi fundamental em várias regiões do mundo.

A água parada, estagnada, é morta; sem vida. A água fluente, corrente, é água viva, é saúde. Esta a razão de Jesus dizer que é fonte, por onde jorrarão rios de água viva. A fonte pura que dá vida aos que nele crêem, pois são atraidos pelo seu Amor.

E a seguir o Evangelista esclarece que "Isto ele disse com respeito ao espirito que haviam de receber os que nele cressem" (Jo, 7:39)

A questão da "fonte de água viva" teve ainda mais um esclarecimento, no episódio da "Mulher Samaritana" que se lê em Jo 4:1-18, quando no poço de Jacó Jesus pediu à mulher que lhe desse de beber da água do poço.

Jesus aproveitou o fato cotidiano, para transmitir o grande ensinamento de quem beber a água (material), voltará sempre a ter sede porém, quem "beber" a "água" simbolizada na sua Doutrina, não mais terá sede e de seu intimo jorrará uma fonte para a vida eterna.

5 - Jesus, a Luz do Mundo (Jo 8: 12-20 e 12:46)

Jesus é a luz do mundo, o sol espiritual.

Há sol material e sol moral. O primeiro atende às necessidades da vida animal o segundo, às necessidades do espírito. Não há saúde orgânica onde os raios solares não penetram; não há saúde espiritual onde a luz dos ensinamentos de Jesus não tenha franco e livre acesso. A luz é o símbolo da vida.

Há uma luz que revela a vida espiritual: JESUS, através de seus ensinamentos. Ele é a luz que faz a criatura se aproximar cada vez mais do Criador.

O Espirito precisa dessa luz para se conduzir, do mesmo modo que o homem precisa da luz para andar em segurança, senão haverá quedas. Caminhar nas trevas é mais difícil e perigoso; da mesma forma, caminhar sem a luz para o Espírito é expor-se a quedas de conseqüências imprevisíveis. Deve-se convir, pois, que Jesus é a luz verdadeira que ilumina todos os homens que vem ao mundo (Jo, 1 :9).

6 - Jesus, o Bom Pastor (Jo 10:1-18)

Todos sabem que as ovelhas conhecem o seu pastor, ouvem a sua voz e o seguem para onde ele as levar; mas, não seguem a estranhos, porque não conhecem sua voz e não confiam.

Ora, o pastor protege seu rebanho que entra pela porta do seu redil.

Assim é também com o "rebanho dos fiéis"; quem o guia, faz parte dele, pertence a ele; convive com ele, conhece a todos. Mas, ocorre que o ladrão de consciências vem sorrateiramente, com pele de cordeiro; infiltra-se, insinua-se; e ao fím de algum tempo lança a discórdia; agindo maleficamente, agente que é das forças do mal provoca a cisão e "rouba ovelhas do aprisco", encaminhando-as para caminhos escusos.

Jesus é o bom pastor, ele zela por suas ovelhas; sacrificou-se por elas. Afirma que as conhece e é conhecido por elas, assim como ele conhece o Pai.

E ele esclarece que há outras ovelhas desgarradas, isto é, não apenas no seio do povo judeu, onde ele pregou pessoalmente sua Doutrina salvadora; e ele também cuida dessas outras ovelhas com desvelo e amor. E as conduzirá também ao aprisco, com segurança, para que nenhuma delas se perca: então "haverá um só rebanho e um só pastor".

Bibliografia:

O NOVO TESTAMENTO.

VINHA DE LUZ, lição 146 - Emmanuel.

FONTE VIVA. lição 166 - Emmanuel.

E.S.E. - Cap. VIII.

O EVANGELHO PEDE LICENÇA - Paulo A. Godoy

O ESPÍRITO DO CRISTIANISMO - Cairbar Schutel.

PARÁBOLAS E ENSINOS DE JESUS - Cairbar Schutel.

CRÔNICAS EVANGÉLICAS - Paulo Alves Godoy.

QUESTIONÁRIO

I - Descreva uma das tradições inócuas dos judeus.

2 - Qual o objetivo dos Fariseus e Saduceus ao pedirem a Jesus um sinal do Céu?

3 - Qual o "Sinal de Jonas" a que Jesus se refere?

4 - O que significa "libertação pelo conhecimento da verdade"?

5 - Por que Jesus é o Pão que desceu do Céu (O pão da vida)?

6 - O que significa Fonte de Água Viva que jorra para a vida eterna? Qual água que dessedenta para sempre, prometida por Jesus à Mulher Samaritana?

7 - Por que Jesus é a Luz do Mundo? Por que Jesus é o Bom Pastor?