7ª. AULA
FATOS DA VIDA DE JESUS II

FATOS DA VIDA DE JESUS - Jesus é Senhor do Sábado. Discurso Sobre a Ética da Comunidade Fraterna. O Maior no Reino dos Céus. O Escândalo. A Ovelha Desgarrada. Oração em Comunidade. Perdão das Ofensas. O Divórcio. A Continência Voluntária. O Perigo das Riquezas e A Recompensa ao Desprendimento

1 - Jesus é Senhor do Sábado (Mt 12:1-8), (Mc 2:23-28) e (Lc 6:1-5)

A cura, no sábado, realizada por Jesus, foi questionada pelos judeus.

As leis judaicas justificam o sábado para o recolhimento e a meditação (Êxodo 2O:8 e 2O:10) (Deut. 5:12). Esta lei era estendida aos escravos e ao trabalho no campo.

Os homens, como sempre casuístas, desvirtuaram-na com o passar do tempo e o dia de santificar o Senhor passou a ser um dia de ociosidade obrigatória.

Num certo sábado, Jesus e os discípulos passando pelos campos, tiveram fome e colheram espigas de trigo para comer, sendo imediatamente repreendidos pelos fariseus, por desrespeito ao dia consagrado.

Jesus lembrou-lhes que o próprio David já tinha feito algo parecido para saciar a fome de seus soldados (1 Sam 21:6) (e David sempre foi muito respeitado pelos Judeus), assim como os sacerdotes trabalhavam no culto aos sábados.

E Jesus esclarece: o que importa é a obediência e a misericórdia e não sacrifícios inúteis e sem sentido lógico e moral, completando: "O sábado foi feito para o Homem e não o Homem para o sábado" (Mc 2:27)

A seguir, o Mestre vai a Sinagoga e encontra um homem que tinha a mão mirrada; então perguntou: "É lícito curar nos sábados?"' Sabe-se que o bem não tem dia nem hora; e Jesus curou o doente. A caridade é maior que a Lei (Mt 12:4-14; Mc 3:1-6: Lc 6:6-11)

Em outra ocasião, também num sábado, na sinagoga, Jesus curou uma mulher que estava encurvada há 18 anos por uma grande obsessão (Lc 13:10-17).

2 - Discurso Sobre a Ética da Comunidade Fraterna (Mt 18 e 19).

Aproximando-se o tempo de Jesus se dirigir a Jerusalém, reuniu seus discipulos e exortou-os à fraternidade, alertando-os para os perigos do orgulho, da vaidade e para a necessidade de comunhão fraterna, exaltando o perdão e a humildade, como sempre o fez.

a) "O Maior no Reino dos Céus" (Mt 18:1-5: Lc 9:46-48) - Em várias passagens do Evangelho, nota-se o cuidado de Jesus em relação ao orgulho.

Certa vez o Mestre diz que se não nos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus".

A simplicidade e mansuetude da criança em geral eram o tema de ensino. O homem deve aprender a medir-se pela moral jamais se sentir superior aos seus semelhantes, e buscar sempre a superioridade sobre si mesmo.

Acima disso, somente os que entendem a igualdade da filiação espiritual e a respeitam, podem se unir na sintonia do Amor Fraterno Universal. Alguma preocupação, neste sentido, já havia entre os discípulos de Jesus, que por várias vezes os esclarece, carinhoso, mas disciplinarmente com a verdade.

Em várias parábolas, Ele o recorda, como na "dos primeiros lugares", onde declara "0 que se exalta será humilhado" (Lc 14:7-11).

b) "O Escândalo" (Mt 18:6-9: Mc 9:42-48) - Ampliando seu ensino, demonstra que quem receber outrem, na simplicidade e humildade de criança, em nome de Jesus, recebe-o em verdade.

A infância desamparada e o adulto honesto, esforçado e sofredor, são os caminhos de Jesus, que lhes dá amparo, sustentação e bálsamo nas dores.

Além do cuidado com a auto-exaltação, são necessárias a bondade e a boa-vontade para com todos.

Sabe-se que sempre haverá escândalo, pedras de tropeço, em afinidade com as vidas passadas, obsessões, vinditas etc.: entretanto, ai do mundo por causa dos escândalos, principalmente os que afetam a espiritualização do ser.

Incisivo e lógico, o Mestre afirma que é melhor ao homem ficar sem a mão e continuar se esforçando no caminho da Vida Eterna, do que estar "inteiro" (corpo e alma) em sofrimento de expiação e ter de orar pelas suas iniqüidades em tempo subjetivamente longo.

c) "A Ovelha Desgarrada" (Mt 18:10-14; Lc 15:3-7) - Ao ressaltar a importância do auxilio mútuo, Jesus diz que nenhum ser humilde, simples se perderá, e até aquele que se desgarrar na ilusão do mundo, ou por má orientação, será buscado; sua volta certamente é cheia de alegria (como na Parábola do Filho Pródigo). "Pois que destes nenhum se perderá".

d) "Oração em Comunidade" (Mt 18:19-20) - Continuando, afirma a importância da afinidade e sintonia de pensamentos. O pensamento, um fluido vivo e multiforme. intensamente plasmático, de grande potencial energético, quando bem articulado. Segundo André Luiz, (Evolução em Dois Mundos) é "através da absorção desse subproduto cósmico que a criatura assimila a força emanante do Criador, esparsa em todo o cosmo, transubstanciando-se sob sua responsabilidade para influenciar na criação a partir de si mesma" . Esse fluido é impulsionado pela vontade.

Ora, quando duas dessas forças (ou mais) se unem harmonicamente em direção a Deus, a invocação sublime se torna mais apta, pois o bom desejo, assim como o bom pensamento, é como uma força positiva que coloca a criatura em sintonia com a Providencia Divina e, daí, a conclusão: " Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18:20).

e) "Perdão das Ofensas" (Mt 18:15-19 e 18:21-22) - Discorrendo sobre a harmonia fraterna não havendo boa-vontade, busca-se o auxílio de outras testemunhas ou, se for mais grave, ampara-se na justiça ou num conselho entre amigos.

Depois de tudo, se não alcançar o meio termo, esqueça para que o tempo aja inapelavelmente, pois tudo que está obscuro será esclarecido mais tarde.

De forma alguma deve ser guardada mágoa ou raiva dos desencontros, pois "tudo quanto ligardes na Terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na Terra, será desligado no céu". A responsabilidade dos novos sentimentos amadurece com o livre-arbítrio; a vingança martiriza e escraviza, o perdão libera.

Com tantas conceituações profundas, Pedro, humildemente, perguntou a Jesus: "Senhor, quantas vezes devo perdoar a quem me ofendeu?" Resposta mais profunda: "Não te digo até sete, mas até setenta vezez sete" (Mt 18:22). Quem está, por aqui, livre de errar?

Perdoar sempre, tanto quanto se quiser ser perdoado. Quando não se perdoa, já julgou e condenou o desafeto.

Perdoar é compreender que a ação mal feita não o seria se o adversário lhe conhecesse a gravidade. Uma vez compreendida a situação pesarosa do "próximo" é mais fácil esquecer. Perdoar é doar amor, misericórdia.

Concluindo esses ensinos, o Mestre narrou a parábola do dever implacável, numa explicação claríssima de que o perdão, antes de ser uma dádiva de bondade, é uma libertação da alma, pois é perdoando que se é perdoado e todo desentendimento é sanado com a misericórdia.

1) "O Divórcio" (Mt 19:3-10: Mc 10:2-12) - A civilização humana tem núcleos com leis civis diferentes que na realidade se tornam imposições sociais necessárias ao bem viver da comunidade, que as organiza segundo sua cultura.

A lei divina em sua perfeição é imutável mas relativa à capacidade moral das criaturas.

Todos erros e desencontros nas uniões matrimoniais materiais encontram-se na base do desamor, do desrespeito, do orgulho e do egoísmo.

O que se unir à força, separa-se por si mesmo.

Ao espírita cabe o entendimento de que o casamento em geral é uma união de relações programadas anteriormente, onde os filhos têm papel relevante e os cônjuges são depositários da orientação deles e do equilibrio mútuo.

Em todo núcleo familiar, as pessoas se reúnem para aprender a se estimarem paciente e fraternalmente.

No casamento, a compreensão, a boa-vontade, o entendimento e principalmente o respeito e a estima são os fios que tecem as bases sólidas do Amor e da Fraternidade.

O divórcio é conseqüência do desamor. Mais do que no tempo de Moisés, "por causa da dureza de vossos corações", hoje o repúdio ao cônjuge acontece cada vez mais, como numa troca, onde quando não se gosta do que se escolhe, busca-se outro.

Existem fatos graves, onde o divórcio apenas separa legalmente, o que já estava separado, deixando para outras vidas o reencontro desarticulado.

Aí, então, diz Kardec, é mais moralizador, mais humano, mais caridoso conceder a liberdade, do que manter unidos dois seres que não podem viver juntos (E.S.E, cap, XXII, item 4).

g) "A Continência Voluntária" (Mt 19:11-12) - Com palavras profundas, Jesus despertou o temor nos discípulos, que lhe disseram ser então melhor não se casar.

Uma comunidade onde não haja divórcio, teria que ser equilibrada, harmoniosa, estágio difícil ainda hoje; por isso, Jesus disse que nem todos seriam capazes de entender. a não ser aqueles a quem é concedido, isto é, os que podem alcançar que esta vida é apenas um pequeno , período de pequena duração, perante a Vida Maior.

Dentre as continências, encontramos eunucos do ventre materno em exercício de reajuste doloroso; há eunucos feitos infamemente pelos próprios homens e há eunucos que assim se figuram para consagrar-se exclusivamente a melhor missão da Espiritualidade, sublimando as forças genésicas, para maior lustro das forças superioras da abnegação, da caridade e dos trabalhos profícuos ligados ao Plano Maior.

h) "O Perigo das Riquezas e a Recompensa ao Desprendimento" (Mt 19:23-30; Lc 18:24-30).

Quanto mais Jesus desvendava os meandros da paternidade, mais os discípulos se espantavam "Quem poderá salvar-se?"

O Reino do Céu reivindica humildade, mansidão, auxílio mútuo, correção fraterna, oração com bons sentimentos e pensamentos, perdão, responsabilidade e respeito, pureza nos sentimentos e desapego á riqueza.

Sim, é um duro discurso que o Aprendiz do Evangelho deve analisar cuidadosamente.

Jesus nunca foi contra os ricos: dava-se bem com José de Arimatéia, Nicodemos. Atendeu ao Centurião, hospedou-se na casa de Zaqueu, chefe dos publicanos, etc...

Mas, sempre informou dos cuidados para com a utilidade providencial da riqueza. Ela é um elemento de progresso individual, social, moral, pois abre as portas do conhecimento, do estudo e da aplicação em obras assistenciais sociais.

Em contraponto, o desprendimento aos bens transitórios que confiados ao homem, em regime de comodato na vida terrena, quando é feito com equilíbrio e bom senso liberta-o das paixões e atitudes mesquinhas, chamando-o a caridade .

A renúncia não pode ser feita com menosprezo. É preciso conhecer a sua causa e sublimá-la.

Renunciar por amor a Jesus é sublimar as esperanças da Terra conquistando as do Céu.

Bibliografia:

CAMINHO, VERDADE E VIDA - Nº 20, 108, 106 - EMMANUEL

E.S.E. CAP. VIII, X, XVI, XXII E XXVII

O EVANGELHO POR DENTRO - PAULO A. GODOY

CRÔNICAS EVANGÉLICAS - PAULO A. GODOY

O ESPÍRITO DO CRISTIANISMO - CAIRBAR SCHUTEL

PARÁBOLAS E ENSINO DE JESUS - CAIRBAR SCHUTEL

QUESTIONÁRIO

1 - Por que a cura em dias de sábado era questionada pelos judeus?

2 - Qual foi a mais importante sentença proferida por Jesus no tocante aos sábados?

3 - Qual o requesito enunciado por Jesus para se entrar no "Reino dos Céus"?

4 - É o escândalo necessário?

5 - É o divórcio consequência da falta de amor entre os cônjuges?

6 - Qual o perigo das riquezas terrenas mal aplicadas?

7 - Quantas vezes se deve perdoar os nossos desafetos?