2ª. AULA
MÉDIUNS PASSIVOS

1 - Parte A - MÉDIUNS PASSIVOS: Mecânicos ou Inconscientes - Intuitivos - Inspirados. Médiuns Psicofônicos ou de Incorporação

Médiuns Escreventes ou Psicógrafos

Das múltiplas formas de comunicação mediúnica, a psicografia é certamente a mais segura, a mais completa e a mais fácil de fiscalizar. Pode, inclusive, produzir-se em plena luz.

Todos os esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento, porque através desse mecanismo é que se permite estabelecer relações permanentes e regulares com os Espíritos.

Foi pela psicografia que ALLAN KARDEC deixou as OBRAS DA CODIFICAÇÃO, convindo anotar que, de início, Kardec usou a "cestinha de vime" para as comunicações, com as meninas Boudin em suas pesquisas sobre os Espíritos (LM, 2ª Parte, cap. XIII, itens 152 a 158).

Assim, dentro dessa característica mediúnica, pode-se dividi-la em médiuns mecânicos, intuitivos, semimecânicos e de inspiração.

a) Mecânicos ou Autômatos: São os médiuns que não têm consciência do que escrevem. O Espírito expressa o seu pensamento, agindo, diretamente, sobre a mão do médium, de forma a não ocorrer influência por parte do pensamento do intermediário. O médium toma conhecimento do pensamento do Espírito depois que escreveu. A escrita, às vezes, é limpa e legível; em outras, é ilegível, com muita dificuldade para ser lida.

Essa faculdade é a que maior garantia oferece, porque o médium não é mais que um instrumento, isto é, um agente passivo, e não deixa a menor dúvida sobre a independência do Espírito comunicante. No entanto, devem-se discutir e averiguar as produções do Além, com a mesma liberdade de apreciação com que se julgam as dos autores terrestres. A 1ª. Epístola de João, 4:1, adverte: "Não acrediteis em todos os Espíritos" .

b) Intuitivos: São os médiuns que têm consciência do que escrevem, embora não exprimam o próprio pensamento. O Espírito atua sobre a alma do médium, com a qual se identifica; "a alma, sob esse impulso, dirige a mão, e esta dirige o lápis" (LM, 2ª Parte cap. Xv, item 180). No mesmo item, diz Kardec que "o papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete". O médium toma consciência do pensamento do Espírito antes de o escrever; daí, os riscos de sua interferência nas comunicações.

Nem sempre é fácil distinguir se o pensamento é do Espírito ou do médium. Neste caso, deve-se examinar com acuidade o texto, porquanto o pensamento sugerido nunca é preconcebido pelo médium; "nasce, à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium".

c) Semimecânicos: São os médiuns que sentem uma impulsão dada à sua mão, para escrever, mas, ao mesmo tempo, têm consciência do que escrevem (LM, 2ª. Parte cap. XV, item 181).

O médium toma conhecimento do pensamento do Espírito, no mesmo instante em que escreve.

d) Inspirados: Formam uma variedade de mediunidade intuitiva, sendo muito difícil distinguir quando o pensamento é do médium ou do Espírito, No "O Livro dos Médiuns", 2ª. Parte, cap. XXXI, item X, "Sobre os Médiuns", lê-se: "Todos os homens são médiuns, todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando eles sabem escutá-lo". Na mesma mensagem o Espírito comunicante diz: "Ouvi, pois, essa voz interior, esse bom gênio que vos fala sem cessar, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo da guarda, que vos estende a mão do alto do céu. Repito, a voz interior que fala ao coração é a dos Espíritos bons. E é desse ponto de vista que todos os homens são médiuns" (LM, 2ª. Parte, cap XV; ítens 179 a 182).

Muitos homens "escutam" essa VOZ interior: é o que se chama inspiração. Eles escrevem livros, poesias; pintam quadros, descobrem leis físicas, químicas, vacinas, medicamentos. Assim foram Sócrates, Joana D' Arc, Pasteur, Sabin, Fleming e tantos outros.

MÉDIUNS PSICOFÔNICOS OU DE INCORPORAÇÃO

Ao tempo de Kardec os médiuns psicofônicos eram chamados falantes (LM, 2ª.Parte, cap. XlV, item 166), uma categoria de médiuns nos quais "o Espírito atua sobre os órgãos da palavra, tal como atua sobre a mão dos médiuns escreventes" .

Ensina J. Herculano Pires em seu livro "Mediunidade", cap. V, que "o ato mediúnico é o momento em que o Espírito comunicante e o médium se fundem na unidade psicoafetiva de comunicação. O Espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas vibrações espirituais. Essas vibrações irradiam-se do seu corpo espiritual, atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório, semelhante ao de um brando choque elétrico, reage o Perispírito do médium. Realiza-se a fusão fluídica. Há uma simultânea alteração no psiquismo de ambos. Cada um assimila um pouco do outro. Uma percepção visual desse momento comove o vidente que tem a ventura de captá-la. As irradiações perispirituais projetam sobre o rosto do médium a máscara transparente do Espírito. Compreende-se, então, o sentido profundo da palavra intermúndio. Ali estão, fundidos e ao mesmo tempo distintos, o semblante radioso do Espírito e o semblante humano do médium, iluminado pelo suave clarão da realidade espiritual. Essa superposição de planos dá aos videntes a impressão de que o Espírito comunicante se incorpora no médium. Daí, a errônea denominação de incorporação para as manifestações orais. O que se dá não é uma incorporação, mas uma interpenetração psíquica, como a luz atravessando uma vidraça".

André Luiz, em "Missionários da Luz", cap. 16, relata um caso de "incorporação", onde afirma que "mediunicamente falando, as medidas são as mesmas adotadas nos casos de psicografia comum, acrescentando-se, porém, que necessitaremos proteger, com especial carinho, o centro da linguagem na zona motora, fazendo refletir nosso auxílio magnético cobre todos os músculos da fala, localizados ao longo da boca, da garganta, laringe, tórax e abdômen".

Mostra, ainda, que o Espírito do médium, afastado do corpo físico, permanecia vigilante, porquanto "a casa física era seu templo, que urgia defender contra qualquer expressão desequilibrante". Diz, ainda, André Luiz, que "o processo de ncorporação comum era mais ou menos idêntico ao da enxertia da árvore frutífera. A planta estranha revela suas características e oferece seus frutos particulares, mas a árvore enxertada não perde sua personalidade e prossegue operando em sua vitalidade própria".

Bibliografia:

LM, 2." Parte - cap XV

MEDIUNIDADE (Vida e Comunicação) cap. V - J. Herculano Pires.

MISSIONÁRIOS DA LUZ - André Luiz.

NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, Cap. 6 e 8 -André Luiz.

2 - Parte - B - ANALISAR AS COMUNICAÇÕES

É essencial ao dirigente espírita analisar a comunicação recebida, porquanto o engano cometido em uma delas poderá ocasionar um grande perigo para a Doutrina; por isso, Erasto (LM, 2a parte, cap. XX, item 230) recomenda "ser preferível rejeitar dez verdades a admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea". Isso contém uma lógica inconteste, pois uma verdade, se for rejeitada numa determinada época, ressurgirá, mais tarde, com novo ímpeto, ao passo que uma mentira, se for aceita, poderá acarretar grandes danos.

Aqueles que buscam o Espiritismo, como curiosidade, e, no intercâmbio com o Plano Espiritual solicitam exclusividade, poderão estar sujeitos a fracassos e erros. O egoísmo fecha as portas às aquisições morais. O relacionamento com os que estão no Mundo Espiritual deve ser de respeito e nunca de interferência para solução de problemas pessoais.

Quando domina esse exclusivismo, os enganos acontecem, retardando o aprimoramento das almas em relação. No mais, os Bons Espíritos não mandam o homem fazer isto ou aquilo, interferindo em seu livre-arbítrio, porquanto cabe ao homem a responsabilidade de seus atos. Lê-se no "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XIII, item 13, a seguinte recomendação: "Não vos digo o que deveis fazer; deixo a iniciativa aos vossos bons corações, pois, se eu vos ditasse a linha de conduta, não teríeis o mérito de vossas boas ações".

Muitas vezes, também, pessoas bem-intencionadas, sinceras, mas inscientes das próprias necessidades, organizam programas de assistência e divulgam inverdades. Por isso, o Apóstolo João Evangelista recomendava ser fundamental que o homem atentasse não para quem fala, como Espírito, mas para a essência de suas palavras: "Não queirais crer em todo Espírito, mas examinai os Espíritos (para ver) se são de Deus" (1ª Epístola de João, cap. 4:1).

Allan Kardec, quando da codificação do Espiritismo, não aceitava uma mensagem para publicação sem fazer criteriosa análise dela, comparando-a com comunicações do mesmo teor recebidas em outras regiões do mundo; afirmava Kardec que, em sua posição, havia recebido comunicações através de diferentes médiuns, vindas de muitos Centros Espíritas sérios, espalhados por diversos pontos do mundo, estando, portanto, em condições de aquilatar quais os princípios em que a concordância se estabelecia; por isso, quando Camille Flammarion fez o discurso à beira do túmulo de Kardec o denominou de "Bom Senso Encarnado".

Escreve, ainda, Kardec(l), estabelecendo o princípio da concordância para fixar princípios da Doutrina que "a única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância existente nas revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares".

Tanto o Antigo como o Novo Testamento são pródigos na citação de comunicações dadas por Espíritos. Não somente os profetas, mas também outros personagens dessas Escrituras o fizeram, salientando-se, entre eles, a figura exponencial do grande legislador hebreu, Moisés, sem falar em Jesus, que, no alto do monte Tabor se transfigura para falar com os Espíritos de Moisés e Elias.

É, pois, pela realidade desse intercâmbio e por saber que os Espíritos nada mais são que as almas dos homens que se foram do Planeta, na sua grande maioria ainda ignorantes e maldosos, que se devem analisar, criteriosamente, suas comunicações.

Bibliografia:

LM, 2ª Parte, Cap. XX, item 230

(1) ESE, Introdução, item II.

CAMINHO, VERDADE E VIDA, item 69 - Emmanuel.

1ª. EPÍSTOLA DE JOÃO.

QUESTIONÁRIO

A) MÉDIUNS PASSIVOS: MECÂNICOS OU INCONSCIENTES - INTUITIVOS - INSPIRADOS - MÉDIUNS PSICOFÔNICOS OU DE INCORPORAÇÃO

1 - Fale sucintamente sobre médiuns escreventes.

2 - O que são médiuns mecânicos ou autômatos?

3 - O que são médiuns intuitivos?

4 - O que são médiuns semimecânicos e inspirados?

5 - Fale sobre a psicofonia ou "incorporação".

B) ANALISAR AS COMUNICAÇÔES

1 - Qual o dever do dirigente espírita quanto às comunicações e por quê?

2 - Como deve ser o relacionamento com o Plano Espiritual? Por quê?

3 - O que acontece quando o exclusivismo domina?

4 - Analise este texto de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. Xlll, item 13:

"Não vos digo o que deveis fazer; deixo a iniciativa aos vossos bons corações, pois, se eu vos ditasse a linha de conduta, não teríeis o mérito de vossas boas ações".

5 - Por que se devem analisar, criteriosamente, as comunicações? Explique.

3 - Parte C - D.P.M. - DESENVOLVIMENTO PRÁTICO MEDIÚNICO

PSICOGRAFIA

Dividir a classe em grupos conforme o número de monitores, distribuindo prancheta, papel e lápis ou caneta aos alunos, para o treinamento.

Proceder em seguida a seqüência da aula anterior, desde a preparação inicial até a manifestação, passando pelas fases intermediárias rapidamente.

Esclarecer que a psicografia poderá ser realizada com a mão esquerda ou a direita.

Incentivar os alunos para que escrevam mesmo pequenas frases, ou palavras, pois no processo inicial de desenvolvimento mediúnico (psicografia), o médium deverá começar pela intuição, telepatia, audiência, até chegar ao ponto de receber mensagens psicográficas mecânicas.

Cada monitor deverá acompanhar o desenvolvimento mediúnico do seu grupo, mantendo um controle escrito durante todo o ano.