3ª. AULA
NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES

1 - Parte A

NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES

Já se sabe que os Espíritos são seres inteligentes que atuam sobre a matéria, que todo efeito inteligente comprova uma causa inteligente. Assim, um movimento de mesa, um ruído, um deslocamento de objeto que decorram da ação mental do homem ou que apresentem um caráter intencional, podem ser considerados como uma ação inteligente. Só isso, entretanto, limitaria o interesse por tais estudos, apesar de provar a existência das manifestações espirituais.

Tudo se modifica, quando essa inteligência permite uma troca regular e contínua de idéias, não mais como simples manifestações inteligentes, mas como verdadeiras comunicações. (1)

"O Livro dos Espíritos", questão nº 100, mostra, claramente, a variedade infinita de Espíritos, no seu grau de desenvolvimento, quanto à elevação moral e graus de inteligência, segundo a escala espírita. Se se atentar para essas condições, podem, se analisar tais comunicações por diferentes ângulos, porquanto elas devem refletir a elevação ou a inferioridade dos Espíritos, suas idéias, seu saber ou sua ignorância, seus vícios e suas virtudes.

Os meios de comunicação são variadíssimos, diz Kardec(2): "Atuando sobre os nossos órgãos e sobre todos os nossos sentidos, podem os Espíritos manifestar-se à nossa visão, por meio das aparições; ao nosso tato, por impressões tangíveis, visíveis ou ocultas; à audição, pelos ruídos; ao olfato, por meio de odores sem causa conhecida".

Para facilitar esse estudo, Kardec agrupou as comunicações em quatro categorias: grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas.

"Comunicações grosseiras são as manifestadas em termos que chocam o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixa nível, ainda trazendo muitas impurezas da matéria, e em nada diferem das que provenham de homens viciosos e grosseiros. Não aceitam a delicadeza de sentimentos. Em trabalhos mediúnicos são Espíritos que transmitem comunicações triviais, sem nobreza, obscenas, insolentes, arrogantes e malévolas, e mesmo ímpias.

As comunicações frívolas emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou brincalhões, antes maliciosos do que maus, que nenhuma importância ligam ao que falam. Como estas manifestações nada têm de indecorosas, certas pessoas gostam desse tipo de comunicação que dá acesso a Espíritos que se prestam a revelar o futuro, fazer predições, dando palpites sobre o destino etc. Eles pululam entre os encarnados e aproveitam todas as ocasiões que lhes forem propícias, para se intrometerem em comunicações, conforme a curiosidade existente.

As comunicações sérias são ponderadas quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. Têm finalidade útil, mesmo que de interesse particular. Como os Espíritos sérios não são todos igualmente esclarecidos, essas comunicações podem estar sujeitas a erros de boa-fé, sendo, portanto, falsas. Por isso, recomenda-se que todas as comunicações sejam submetidas ao controle da razão e da lógica. Aqui convém lembrar o conselho de João Evangelista (1ª. Epístola, cap. IV:l) quando disse: 'Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantaram no mundo".

As comunicações instrutivas possuem um caráter sério e verdadeiro. Induzem aos ensinamentos nos campos da Ciência, Filosofia e da Moral. São mais profundas, quanto mais elevado e desmaterializado for o Espírito comunicante. "Somente pela regularidade e freqüência dessas comunicações é que se pode avaliar o valor moral e intelectual desses Espíritos, bem como o grau de confiança que mereçam" (LM, 2ª parte, cap. X, itens 134 a 137).

Com a divulgação crescente dos ensinamentos dos Espíritos entre os homens, têm surgido, cada vez mais, trabalhadores médiuns nas Casas Espíritas. Muitos, ainda, não evangelizados e ignorantes dos princípios filosóficos e morais que norteiam a Doutrina, se tornam instrumentos imaturos de comunicações e, freqüentemente, são envolvidos por Espíritos pseudo-sábios ou mistificadores, dando origem a comunicações grosseiras, desprovidas de valor moral ou contendo erros doutrinários e de linguagem.

Tais médiuns, querendo ajudar o Centro em que trabalham e julgando estar fazendo o melhor, promovem a divulgação das comunicações recebidas, sem uma análise criteriosa sobre cada uma, trazendo para o meio do Espiritismo mais confusão que esclarecimento.

Cabe ao dirigente espírita observar as recomendações de Kardec sobre o assunto, consoante mencionado em seu livro 'Viagem Espírita 1862", quando exortou a:

- evitar publicações de mensagens, psicografadas ou não, freqüentemente com erros lamentáveis, pois oferecem da doutrina uma idéia falsa, que a expõe ao ridículo. Não se deixar levar, nas psicografias, por nomes respeitáveis, muitas vezes apócrifos. Os médiuns devem, neste caso, ser cuidadosos, para não se lisonjearem com o nome do comunicante ou se melindrarem com observações do dirigente ou de companheiros;

- recolher e passar a limpo as comunicações recebidas, recorrendo-se a elas em caso de necessidade. Os Espíritos que vêem seus ensinos relegados ao abandono, bem cedo deixam o grupo, fatigados. Fazer uma seleção e coleção das melhores. Analisar, reler, tirar proveito das comunicações, que poderão constituir-se num "guia moral da sociedade". O dirigente deve interditar a leitura de comunicações que tratam de assuntos não da alçada da Casa Espírita e sem proveito para a Doutrina.

Bibliografia:

(1) LM, 2ª parte, cap. X, item 133.

(2) Idem, item 138 etc.

1ª. EPÍSTOLA DE JOÃO EVANGELlSTA.

VIAGEM ESPÍRITA. VE ·1862.

NOTA: A partir desta lição, será utilizada a sigla VE para designar "Viagem Espírita", de Allan Kardec.

2 - Parte B - O TEU DOM

Em sua 1ª. Epístola a Timóteo, cap. 4:14, o Apóstolo Paulo escreveu: "Não desprezes o dom que há em ti".

Nos quadros do Espiritismo, onde se procura vivenciar o Cristianismo, com muita freqüência o problema da mediunidade tem sido discutido em sua parte fenomenológica, levando muitas vezes ao esquecimento a parte essencial do trabalho fraterno. Há pessoas que anseiam um desenvolvimento mais rápido de suas mediunidades, sem, contudo, lembrar que para isso é preciso muito trabalho.

Quando se compreende o dever de servir, o intercâmbio com Jesus se fará em toda parte. Diz Emmanuel que "o campo de lutas e experiências terrestres é a obra extensa do Cristo, dentro da qual a cada trabalhador se impõe certa particularidade de serviço". (1)

A mediunidade pode e deve ser trabalhada no sentido do bem, para que possa, assim, haurir condições nobres de serviço e funcionar como instrumento propulsor ao aprimoramento espiritual. As bênçãos conquistadas devem ser repartidas, amorosamente, com todos aqueles que necessitam, e nunca devem ser comercializadas.

Todo mérito é conquistado pelo trabalho, pelo esforço próprio de cada um. A luta é individual. É necessário que haja vontade sincera de servir ao semelhante. Neste trabalho de amor, diz Emmanuel(1): "Diariamente, haverá mais farta distribuição de luz espiritual em favor de quantos se utilizam da luz que já lhes foi concedida, no engrandecimento e na paz da comunidade. Não é razoável, porém, conferir instrumentos novos a mãos ociosas, que entregam enxadas à ferrugem".

Os Apóstolos eram portadores desse dom, por isso, no Dia de Pentecostes (At 2:1 a 13) ocorreu uma manifestação coletiva de suas mediunidades, como fenômenos físicos, psicofonia, sinais luminosos etc. Os ensinamentos de Jesus foram ditados em várias línguas, aos estrangeiros que habitavam Jerusalém (árabes, romanos, gregos, babilônos, cretenses, judeus e outros). Desde então, os acontecimentos mediúnicos tornaram, se habituais entre eles.

No mesmo dia, o Apóstolo Pedro, fazendo uso da palavra, cita o profeta Joel dizendo: "E nos últimos dias acontecerá (diz o Senhor) que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne, e os vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos" (Atos dos Apóstolos, cap. 2:17-18).

É importante saber que Timóteo possuía esse dom, e Paulo, em sua Epístola endereçada a ele, incentiva-o a desenvolvê-lo.

Bibliografia:

(1) VINHA DE LUZ, lição 127 - Emmanuel.

1ª. EPISTOLA DE PAULO A TIMÓTEO

EVANGELHOS DE MARCOS E MATEUS.

QUESTIONÁRIO

A) NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES

1- Analise no "O Livro dos Espíritos" a pergunta nº 100 e dê o seu parecer.

2 - De que meios de comunicação nossos os Espíritos se servem?

3 - Fale sucintamente sobre as comunicações frívolas e grosseiras.

4 - Fale sucintamente sobre as comunicações sérias e instrutivas.

5 - Quais as recomendações de Kardec aos dirigentes espíritas, quanto à divulgação das comunicações?

B) O TEU DOM

1- Fale sucintamente sobre o tema "não desprezes o dom que há em ti" (1ª.Epístola de Paulo a Timóteo, cap. 4:14).

2 - O que tem ocorrido nos quadros do Espiritismo quanto à mediunidade?

3 - Por que a mediunidade não deve ser comercializada?

4 - Qual a colocação de Emmanuel, a respeito do trabalho de amor?

5 - O que aconteceu no dia de Pentecostes?

3 - Parte C - D.P.M. - DESENVOLVIMENTO PRÁTICO MEDIÚNICO

PSICOFONIA

Procedimento:

- Preparação de ambiente, com os grupos já divididos.

- Exercitar as cinco fases rapidamente, até a manifestação pela psicofonia.

- Os alunos devem colocar-se à disposição para captarem e transmitirem as mensagens dos Mentores Espirituais. A comunicação deve ser simultânea em tom de voz e dicção audíveis e claros. A mensagem deve ser breve e objetiva.

Após a desconcentração dos médiuns, os monitores deverão apurar os resultados das manifestações, inclusive de vidências, audiências e percepção de fases anteriores à manifestação.

Estimular os alunos que não conseguiram dar a manifestação, a descobrirem as causas desse bloqueio (reportar à aula do 1º ano sobre o bloqueio).