4ª. AULA
FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS

1 - Parte A - FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS:

Desenvolvimento da Mediunidade (da Psicografia) - Mudança da Caligrafia - Perda e Suspensão da Mediunidade

Desenvolvimento da Mediunidade (Da Psicografia)

Não existem um processo para a formação de médiuns e um diagnóstico para a mediunidade. O mais aconselhável é uma orientação, um esclarecimento positivo, a fim de que os médiuns possam desenvolver-se com equilíbrio e segurança, e é apenas nos cursos de educação mediúnica, bem estruturados, que eles obterão um desenvolvimento proveitoso e equilibrado. Isto deverá acontecer normalmente, e o médium deverá estudar bem os vários tipos de mediunidade, para não se envolver negativamente, evitando vaidades, lucros, proveitos e desenganos.

O médium, antes, durante ou depois do curso, sentirá indícios chamados de "Sintomas de Mediunidade". Ao terminar o curso, ele continuará seus estudos para ir-se desenvolvendo cada vez mais, com amor e conhecimento. Um instrumentista musical, ou qualquer um de outra atividade, não pode ficar sem exercícios, pois, com o tempo, perderá sua habilidade, se não for perseverante no trabalho. Um médium, da mesma forma, se não empregar bem sua faculdade, trabalhando com devotamento, poderá perder-se, desequilibrar-se.

O médium, quando inicia seu desenvolvimento, na maioria dos casos quer manter comunicações com os Espíritos de familiares ou amigos de seu relacionamento, mas deverá moderar sua impaciência, pois a comunicação com determinados Espíritos poderá apresentar certas dificuldades, por, que não se sabem as condições em que eles se encontram na Espiritualidade, tornando-se impossível, muitas vezes, a comunicação desejada.

Antes de qualquer comunicação, é feita uma adaptação fluídica entre o Espírito comunicante e o médium, e isto não é um trabalho rápido, pois requer do Plano Espiritual um tempo de observação e análise. À medida que a faculdade se desenvolve, é o que o médium adquire, pouco a pouco, a aptidão necessária para colocar-se em sintonia com o Espírito comunicante, a fim de transmitir a mensagem (LM, 2.a Parte, cap. XVII, itens 200 a 203).

As condições mais importantes no desenvolvimento da faculdade mediúnica são: a reforma íntima (evangelização); a vontade firme de ser o intermediário entre o Mundo Espiritual e o Material. Este desenvolvimento, dentro de um grupo sério e organizado, dará ao intermediário todas as condições favoráveis para o trabalho.

Dizem os Espíritos a Kardec: "Os que se reúnem com um intento comum formam um todo coletivo, cuja força e sensibilidade se encontram acrescidas por uma espécie de influência magnética, que satura o ambiente de fluidos propícios, e, entre os Espíritos atraídos por esse concurso de vontades, estarão alguns que descobrirão, entre os médiuns presentes, o instrumento que melhor lhes convenha" (LM, 2.a Parte, cap XVII, item 207).

Entre os médiuns de psicografia, o primeiro indício de disposição para escrever é uma espécie de estremecimento no braço e na mão. Pouco a pouco, a mão é arrastada por um impulso que ela não consegue dominar. Quando iniciante, o médium somente traça riscos insignificantes; depois, os caracteres se desenham cada vez mais nitidamente, e a escrita acaba por adquirir rapidez.

O médium deve entregar a mão ao seu movimento natural e não oferecer resistência. É o treinamento a ser feito, de preferência nos cursos mediúnicos, com instrutores especializados, pois, sozinho, o médium poderá deixar-se envolver por Espíritos brincalhões e levianos. O trabalho sério é aperfeiçoado com o estudo.

Alguns médiuns escrevem, desde o princípio, correntemente, com facilidade; outros, durante muito tempo, traçam riscos e fazem verdadeiros exercícios caligráficos. Dizem os Espíritos que é para lhes soltar a mão (LM, 2.a Parte, cap. XVII, item 210).

Desenvolvida a faculdade, é essencial que o médium não abuse dela para sua satisfação pessoal ou mera curiosidade.

Diz Emmanuel, em "Opinião Espírita", itens 20 e 22, referindo-se à função mediúnica, que "se fomos designados a escrever, façamos em nós bastante silêncio interior, a fim de que a voz do mundo espiritual se manifeste por nossas mãos, instruindo a quem lê".

Na psicografia, como é lógico, o médium recebe a mensagem e a escreve, conforme a comunicação transmitida pelo Espírito. A caligrafia umas vezes é a do próprio médium, outras, é a do comunicante, igual muita vez àquela que o Espírito possuía em vida.

Mudança da Caligrafia

"A mudança de caligrafia acontece com médiuns mecânicos ou semimecânicos, porque neles é involuntário o movimento das mãos, o qual é dirigido unicamente pelo Espírito comunicante. Nos médiuns puramente intuitivos, isto não ocorre, porque o Espírito apenas atua sobre o pensamento, sendo a mão dirigida pela vontade do médium."

Diz Kardec que "a mudança de caligrafia não é condição absoluta na manifestação dos Espíritos, mas decorre de uma aptidão especial, de que os médiuns mais decisivamente mecânicos nem sempre são dotados. Designamos os que a possuem por médiuns calígrafos" (LM, 2.a Parte, cap. XVII, item 219).

Perda e Suspensão da Mediunidade

"A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e a suspensões momentâneas, tanto para as manifestações físicas, quanto para a escrita.

Os médiuns não devem considerar-se melhor do que outros ou do que outras pessoas, nem sua mediunidade deve ser motivo de vaidade, de orgulho, mas sim uma tarefa de servir, uma missão a ser cumprida, com fraternidade e desinteresse. Existem médiuns que manifestam repugnância ao uso de suas faculdades. São médiuns imperfeitos: desconhecem o valor da mediunidade.

Essa faculdade pode ser interrompida, temporariamente, por diferentes motivos:

a) ADVERTÊNCIA: Prova ao médium que ele é um simples instrumento, que sem o concurso dos Espíritos nada faria. Se o médium se vem conduzindo mal, moral e doutrinariamente, fazendo mau uso ou abusando de sua faculdade, o Espírito, verificando que o médium já não lhe corresponde nem aproveita suas instruções e conselhos, afasta, se em busca de um protegido mais digno. Neste caso, quase sempre, os maus Espíritos se apoderam do médium "para o obsedar e enganar, sem prejuízo das aflições comuns", a que se subordina, por seu orgulho, por seu egoísmo.

Este tipo de suspensão é por algum tempo, e a faculdade voltará a funcionar, cessada a causa que a produziu.

b) BENEVOLÊNCIA: É um benefício ao médium para evitar que ele se debilite por doença física. Quando as forças do médium se agitam, seu poder de defesa fica reduzido. Neste caso, a suspensão é temporária; o Espírito lhe proporciona um repouso material necessário.

c) PROVAÇÃO: O objetivo é desenvolver a paciência, a perseverança, para dar tempo ao médium de meditar sobre o conteúdo das comunicações recebidas. Meditar significa examinar-se interiormente, estudar, refletir, ponderar, pensar sobre o que se aprendeu e buscar aplicar o aprendido.

A perda da mediunidade nem sempre significa abuso ou mau uso da faculdade, mas encerramento de uma tarefa, e toda tarefa encerrada com sucesso é o prenúncio de nova tarefa, que se segue, para servir com amor, humildade e fraternidade na "Seara do Mestre" (LM, 2.a Parte, cap. XVII, item 220).

Bibliografia:

LM, 2." Parte, Cap. XVII

SEARA DOS MÉDIUNS, item Formação Mediúnica - Emmanuel.

OPINIÃO ESPÍRITA, nº 20-Emmanuel.

LE, Introdução, item V e XII.

2 - Parte B - PARÁBOLA DOS TALENTOS

Talento (peso e moeda da Antiguidade grega e romana) era o nome de um peso que servia de moeda para uso corrente no comércio e também para avaliar metais preciosos, porém de vários padrões de acordo com a espécie do metal. Segundo o Museu Britânico, um talento correspondia a 49.114 gramas de ouro e a 43.669 gramas de prata. Afirma-se que o rei Davi ajuntou 100.000 talentos de ouro e 1.000.000 de talentos de prata para a construção do Templo em Jerusalém, o que foi feito por seu filho, o rei Salomão(l).

Jesus Cristo, valendo-se da circunstância da importância que davam ao dinheiro, deixou maravilhosa parábola: - "Um homem, tendo que viajar para muito longe, chamou três de seus servos e confiou a eles os seus bens, dando cinco talentos ao primeiro, dois ao segundo e um ao terceiro, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu imediatamente. Ao regressar da viagem, pediu aos servos que fizessem o ajuste de contas. O primeiro servo lhe devolveu dez, dizendo que havia negociado com os cinco que lhe haviam sido confiados, granjeando mais cinco; o segundo lhe devolveu quatro, dando a mesma justificativa. O terceiro lhe devolveu apenas o talento recebido, junstificando que o seu Senhor era homem muito rigoroso, então ficou com medo e havia enterrado a moeda recebida. O primeiro e o segundo receberam francos elogios, ao passo que o terceiro recebeu severa admoestação, porque, pelo menos, devia entregar o talento aos banqueiros para render juros. O talento, que com ele estava, lhe foi retirado e dado ao que tinha dez", tendo o Mestre acrescentado, na parábola: "Àquele que muito tem, mais lhe será dado, e ao que não tem, mesmo o que pareça ter lhe será tirado" (Mateus, cap. 25:14,30).

Dentre as parábolas de Jesus, talvez esta seja uma das mais importantes, pois, indubitavelmente, ela encerra severa admoestação aos que não fazem bom uso das oportunidades que Deus lhes concede, quando do desempenho do aprendizado terreno.

Toda criatura, ao reencarnar, traz consigo o compromisso de realizar tarefas a seu favor e também a favor de seus semelhantes. Em razão disto, pelo progresso já conquistado anteriormente através de várias outras reencarnações, lhe são concedidos, por empréstimo, recursos, como riqueza e outros bens, para que deles se utilizando, possa progredir e auxiliar o próximo.

Muitos homens quando encarnam na Terra, trazem consigo suas conquistas anteriores, como sabedoria e outros atributos, aplicando-os de forma a aumentar os seus conhecimentos, devendo prestar contas a Deus, quando da reintegração no mundo espiritual, fazendo assim jus à recompensa contida nas palavras: "Servo bom e fiel foste fiel no pouco, muito te será confiado".

Existem, porém, os que guardam, egoisticamente, para si tudo aquilo que trouxeram; "enterram os talentos", não beneficiando nem a si próprios nem ao seu próximo. Deixam passar, assim, a oportunidade de servir, e é a isto que também Jesus se refere, quando fala do servo infiel. São todos aqueles que adquirem conhecimentos espirituais, que podem trabalhar usando a inteligência, para instruir moral e espiritualmente seus semelhantes, auxiliando-os pelos bens materiais, provendo suas necessidades ou consolando-os em seus sofrimentos.

Homem diligente e sábio é aquele que faz com que os bens que Deus lhe confiou, inclusive as riquezas terrenas, beneficiem toda a coletividade, disseminando bens de todos os matizes, trazendo luz, esclarecimento, conforto e paz para todos os necessitados.

Homem negligente é o que enterra os talentos, é o que guarda as suas aquisições espirituais apenas para si, e as riquezas terrenas apenas passam a beneficiar a si próprio. Nesse caso, os bens recebidos se tornam improdutivos, e o homem retarda o seu progresso, não aproveitando as oportunidades que lhe foram dadas.

No campo da mediunidade esta parábola tem aplicação integral. Quantos indivíduos são providos desta faculdade e, por tantas razões particulares, deixam de exercê-la, deixando de praticar o bem para si e para o próximo. Um é por ignorância, outro por crença religiosa; este por preguiça, aquele por medo, aqueloutro é porque não tem tempo; enfim, tantos são os que enterram seus talentos que, ao invés de se tornarem diletos discípulos de Jesus, "produzindo frutos a cem, sessenta ou trinta por um," permanecem nas filas dos assistidos, implorando a misericórdia divina, sempre à espera de um milagre.

Quantos estão nesta condição, desprezando seus talentos preciosos, reclamando da sorte na vida e retardando oportunidades de progresso. O Espiritismo é a grande luz de libertação dessas consciências, e o médium esclarecido e evangelizado será, sempre, ele mesmo o portador da mensagem espírita, exemplificando amor e saber, levando luz e esperança ao próximo.

Bibliografia:

AS PARÁBOLAS - José de Sousa e Almeida - Edições FEESP

AS MARAVILHOSAS PARÁBOLAS DE JESUS - Paulo Alves Godoy.

OPINIÃO ESPÍRITA, lição 14 - Emmanuel.

EVANGELHO DOS HUMILDES, cap.25 - Elizeu Rigonatti.

(1) 1º LIVRO CRÔNICAS, cap 22:14.

QUESTIONÁRIO

A) FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS: DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE (DA PSICOGRAFIA) - MUDANÇA DA CALIGRAFIA - PERDA E SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE

1- Qual a melhor forma de um médium desenvolver-se com equilíbrio e segurança?

2 - Quais as condições mais importantes no desenvolvimento mediúnico?

3 - O que acontece quando se reúnem com intento comum?

4 - Descreva os sintomas iniciais dos médiuns de psicografia.

5 - Fale sucintamente sobre a perda e suspensão da mediunidade.

B) PARÁBOLA DOS TALENTOS

1- Qual a lição contida na Parábola dos Talentos?

2 - Comente a frase" Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, muito te será confiado".

3 - O que acontece com os que "enterram os talentos"?

4 - Fale sobre o homem diligente e o negligente e dos bens que Deus lhes confiou.

5 - Qual é a aplicação dessa parábola no campo da mediunidade?

3 - Parte C

D.P.M. - DESENVOLVIMENTO PRÁTICO MEDIÚNICO

PSICOGRAFIA

Proceder como na 2ª. aula.

Observação: Após cada 4 aulas, na FEESP, faz,se uma revisão das aulas dadas, tanto da parte teórica, quanto da prática.