04 - Lei de Igualdade

Pergunta 803 - Perante Deus, são iguais todos os homens? - "Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez Suas leis para todos. Dizeis frequentemente: 'O sol luz para todos' e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais."

Pergunta 806 - É lei da natureza a desigualdade das condições sociais? - "Não; é obra do homem e não de Deus."

1 - CRÍTICOS IMPIEDOSOS

Não te permitas a atribuição de avinagrar as horas de outrem mediante o ingrediente da crítica contumaz ou da censura incessante.

Há muitos críticos na Terra que apenas vêem o que lhes apraz, conseguindo descobrir o humilde cascalho no leito de um rio de brilhantes preciosos.

Sua argúcia facilmente aponta erros, aguça detalhes negativos, embora insignificantes. São perfeccionistas em relação às tarefas alheias, combativos contra os companheiros de lide, nos quais sempre descobrem falhas, descoroçoando, facilmente, quando no lugar daqueles aos quais combatem.

São críticos, porém, incapazes de aceitar as apreciações que os desagradam.

Quando advertidos ou convidados ao diálogo franco, de que se dizem partidários, justificam os enganos e justificam-se, não admitindo admoestações ou corrigendas.

Há, sim, muitos desses críticos na Terra.

Ouve-os, mas não te detenhas nas suas apreciações.

Segue adiante e porfia sem desânimo.

Eles também passarão pelo crisol das observações alheias, nem sempre sensatas ou verdadeiras.

Sê tu aquele que ajuda com alegria em qualquer circunstância.

Mesmo que te agridam, ora por eles e não os ames menos.

Não tens o dever de agradá-los, é verdade, porém não os tenhas como inimigos.

Sem que o saibam ou porque insistam em ignorá-lo, necessitam de tua amizade pura e desinteressada.

Assistido por tais críticos impiedosos e por eles insistentemente perseguido; fiscalizado por tais "defensores da verdade" e por eles combatido; seguido a cada passo por frios e céticos reprochadores e por eles azorragado verbalmente, Jesus prosseguiu sereno, por saber que os doentes mais inditosos são os que se recusam a reconhecer a posição de enfermos, quando os "piores cegos são aqueles que não querem ver".

Buscando o "reino dos céus", não contes com os enganosos aplausos da Terra, bendizendo os teus críticos, os fiscais insensíveis da tua conduta, que, sem quererem, te impelirão para Jesus, o fanal que desejas honestamente lograr.

2 - JULGAMENTO ERRÔNEO

Por imprevidência permites que a mágoa se te assenhoreie do íntimo em face do triunfo de pessoas arbitrárias, ardilosas e desonestas.

Examina-lhes, superficialmente, as atitudes, e, como os vês alçados ao triunfo transitório do mundo, deixaste consumir por insidioso despeito, senão por surda revolta, como se estivesses a tomar nas mãos as diretrizes da vida para agir conforme as aparências.

Crês que mereces mais do que eles, os insensatos e perversos que galopam sobre a fortuna e a glória, sem te dares conta de que as determinações divinas são sábias e jamais erram.

Ante os problemas que te surgem, comparas a tua com a existência de filhos ingratos que tudo recebem, de esposos infiéis que são bem aceitos no grande mundo, de amigos desleais que, não obstante, vivem cercados pela bajulação dourada ...

Não te agastes, porém, indevidamente.

Corrige a visão e muda a técnica de observação.

Cada espírito é um ser com programação própria, fruto das suas realizações pessoais. Não se pode examiná-los e julgá-los em grupo. Aliás, ninguém pode com acerto total julgar o próximo ...

Conveniente, por isso, fazeres a parte que te compete, na programática da vida e prosseguires sem desfalecimento, nem desaires ...

Ontem estiveste aquinhoado com a mordomia de valores que desperdiçaste.

Já fruístes de afeições abnegadas que desconsideraste.

Passaram pela porta das tuas aspirações alegrias e bênçãos que malsinaste.

Por algum tempo sobre os teus ombros pesaram as cangas da governança e da responsabilidade, que arrojaste fora leviamente.

Amigos cantaram aos teus ouvidos as músicas da fraternidade e as transformaste em patéticas, após traições e infâmias.

Esvaziaste a ânfora da esperança, arrojando fora as concessões do bem ...

Agora carpes, experimentas faltas, registras sofrimentos, anotas soledade ...

Reformula conceitos, opiniões e arma-te de paciência e valor a fim de prosseguires otimista.

É sempre dia para quem acende a luz da fé no coração e usa o amor nas realizações a que se afervora.

Vens de experiências fracassadas e estás em tentativas de equilíbrio.

Não te desencantes.

Agora é a vez dos outros.

Fruem hoje o que possuíste ontem.

Ajuda-os a não caírem na alucinação que te venceu, orando por eles, não os invejando nem pensando mal a respeito deles.

Além disso, eles sabem como estão construindo a ilusão, os recursos de que se utilizam e isso lhes basta como punição gravada na consciência, de que não se conseguem libertar.

Sorriem em público e choram a sós.

Gozam em sociedade e reconhecem-se solitários. Por penetrar no âmago das questões e no cerne das consciências, afirmou Jesus: "Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo."

Faze a paz com todos e fruirás das messes da paz, não julgando, condenando ou perseguindo ninguém.

3 - GLÓRIAS E INSUCESSOS

Pessoa alguma se encontra em clima de privilégio, enquanto na vilegiatura material.

Triunfos e galas, destaques e fortuna, saúde e lazer não significam concessões indébitas que alguém pode usufruir sem o ônus da responsabilidade.

Empréstimos superiores ensejam aquisições relevantes, de que nem sempre sabem utilizar-se os transitóriios mordomos dos valores terrenos.

Teste para os portadores dos títulos e láureas, dos bens e moedas, são também exemplo da excelsa misericórdia, a fim de que todos se possam adestrar na movimentação dos recursos que levam à dita ou à alucinação, mediante o uso e a direção que cada um resolva dar às posses vulneráveis.

Isto porque, as alegrias e glórias facilmente se convertem em amargura e desaire, as moedas e títulos se consomem e desaparecem, a saúde e o lazer passam, enquanto a vida física se extingue ...

Somente perduram o que se fez das posses, quanto se armazenou em bênçãos, tudo que se dividiu em nome do amor, multiplicando esperança e paz ...

Ninguém que esteja em estado de desgraça, enquanto transitando nas roupagens carnais.

Soledade, pobreza, doença, limitação, esquecimennto constituem provas redentoras de que se utilizam os excelsos mentores encarregados da programática reencarnatória, para a educação, a ascensão e a felicidade dos que tombaram nos fossos da loucura e da criminalidade, quando no uso das disponibilidades que lhes abundavam no passado ...

Desgraça real é sempre o mal que se faz, nunca o que se recebe. Insucesso social, prejuízo econômico, fatalidade são terapêuticas enérgicas da vida para a erradicação dos cânceres morais existentes em metástase cruel nos tecidos do Espírito imortal.

Nesse sentido, a soledade se enriquece de presenças, a enfermidade passa, o abandono desaparece, a limitação se acaba, a pobreza cede lugar à abundância e, mesmo ocorrendo a morte, a vida espera, em triunfo, após a cessação dos movimentos do corpo.

Êxitos e desditas à luz do Evangelho se apresentam comumente em sentido oposto à interpretação imediatista dos conceitos humanos.

Na manjedoura, entre pecadores, no trabalho humilde, convivendo com os deserdados, reptado e perseguido pela argúcia dos vencedores terrenos, largado numa cruz, Jesus é o símbolo do triunfo real sobre tudo e todos, em imperecível lição que ninguém pode deslustrar ou desconhecer.

Toma-O por modelo e não te perturbes nunca!

Nas glórias ou nos insucessos guarda-te na paz interior e persevera no amor, seguindo a rota do Bem inalterável.

4 - SOB DORES EXTENUANTES

Sobraçando dores e aturdido no báratro das interrogações sem respostas imediatas, exaures-te sem consolo, em face das sucessivas desilusões e amarguras.

Tens a impressão de que desmoronaram os teus castelos de esperança como se fossem de névoa brilhante diluída pela ardência do áspero sol do desespero

Todavia, não obstante o acúmulo dos sofrimentos que te gastam, esmagando os teus anelos, quais aríetes da impiedade que destrói, dispões da confiança em Deus e não deves desistir da luta.

Todas as lágrimas procedem de razões justas, embora não alcances prontamente as suas nascentes.

Reconforta-te na decisão das atitudes sãs a que te entregas e não permitas que as leviandades dos fracos e irresponsáveis tisnem de sombras os claros céus do teu porvir.

Faze a tua parte ajudando, sem, contudo, colocares sobre os ombros o fardo da responsabilidade que te não compete.

Ninguém se poupa às dores, inevitáveis, na senda evolutiva. Não é justo, porém, permitir que elas esmaguem ou anulem os objetivos relevantes da tua promissora e produtiva reencarnação ...

Muitos dizem que a morte deverá ser o fim dos padecimentos.

Sabes que não é assim.

Outros asseveram que morrer é consumir-se no caos.

Estás informado que a referência não é correta. Cada vida tem a suceder a desencarnação, decorrente dos hábitos a que se afervore.

Para o Além, conseqüentemente, são transferidos os anseios e os sorrisos, os segredos que se revelam e os enigmas que se decifram, as conquistas que se fixam com bênçãos e os desaires que se convertem em canga e carga de espinhos.

Resolve aqui, quanto antes, logo surja a oportunidade, os problemas e as complicações.

Não te ensejes, no entanto, quedas ou desesperos em razão de ti mesmo ou daqueles a quem amas.

Cada ser responde pelos próprios atos, hoje ou mais tarde.

Tens a luz da fé, que brilha à frente. Preserva-a e insculpe-a no cérebro, clareando o coração.

Segue adiante, mesmo que sobraçando tantas dores, estejas a ponto de parar, de desistir ou de tombar.

Coroado de espinhos, ferido por uma lança e atendido na sede por uma esponja vinagrosa, carregando n'alma a ingratidão e o olvido dos amigos, sob um céu plúmbeo que ameaçava tempestade, Jesus não parecia um triunfador, confundido com dois bandoleiros que completavam a cena trágica do Calvário ... Todavia, era o Incomparável Filho de Deus no supremo abandono dos homens, mas em superlativa glória com a Divindade, mediante cujo testemunho atingia o ápice do Seu ministério de amor entre as criaturas.

Pensa nisso, alma sofredora, e não desfaleças. Dor é bênção libertadora, pela qual se rompem os encantamentos da ilusão e da fatuidade, dando ensejo à imarcescível conquista dos inalienáveis tesouros do Espírito eterno, ditoso após a luta redentora.

5 - DE ÂNIMO INQUEBRANTÁVEL

Em teu compromisso pessoal de renovação contínua com Jesus, precata-te contra os fatores circunstanciais, sutis e perigosos que se te insinuam, transformando-se, posteriormente, em teus algozes impiedosos.

O ácido da ingratidão, o fel da amargura demorada, o vinagre da revolta constante, a truculência da rebeldia, a sombra da dúvida, a lâmina da maledicência, o veneno da ira, o azinhavre da preguiça e todo um cortejo que lentamente penetra e domina as engrenagens do teu labor, emperram a máquina das tuas aspirações, sitiando-te no canto escuro do ceticismo ou no poço fundo da soledade.

Em lugar deles deixa que se te instalem o labor exaustivo pelo bem, o aroma da esperança nas ações, o óleo do otimismo nas peças enferrujadas pela decepção, a chama da alegria em toda a atividade, a presença da tolerância na luta, o amplexo da fraternidade autêntica junto aos demais, a paz da paciência e o tempero do bom humor, de forma estimulante para os momentos azados em que os problemas ameacem consumir-te.

Não faltam os que conspiram contra a paz nos arraiais do nosso bom viver.

Pululam, entretanto, também, os estímulos da santificação quando nos voltamos para as esferas da luz.

Fitando o sol e deixando-te por ele deslumbrar, é natural que nem sempre te detenhas no solo e os teus pés sejam feridos, agredidos pela urze e pelo pedrouço que terás que calcar. Não obstante, ao atingires o planalto que te deslumbra, à frente, donde poderás vislumbrar os horizontes sem-fim da plenitude da vida, serão de somenos importância os óbices vencidos, que ficaram para trás, os problemas superados que deixaste à margem.

Cada alma, porém, segue até onde pode. Não sejas daqueles que coletam mágoas, que desertam, que desconfiam, que ruminam desesperos íntimos, que modificam a estrutura de fatos ao prazer do desequilíbrio interior ...

Filho da luz divina, marchando na direção do Pai, deixa as bagas de amor como gotas de orvalho e de carinho pelos caminhos percorridos, porque o homem será sempre, hoje ou mais tarde, o que se faça de si mesmo.

Forte, deverá vencer as paixões; fraco, deverá fortalecer-se em Cristo para a vitória de si mesmo.

E entregando-te em clima de total confiança em Deus, triunfarás, porque tal é a meta que a todos nós está destinada.

6 - INGRATIDÕES

Muito raro nos corações, por enquanto, o sentimento da gratidão.

O semblante afável, a voz melodiosa, a atitude gentil no ato da solicitação do auxílio, quase sempre se convertem em sisudez, verbetes duros, gestos bruscos no momento de retribuir.

Gratidão prescreve altruísmo, amplitude de espírito, riqueza de emoções. Como o egoísmo prossegue triunfante, em grande número de pessoas, estas, mesmo quando sentem as expressões do reconhecimento repontarem no imo, se asfixiam, vencidas por controvertidos estados íntimos.

Algumas alegam que não sabem retribuir, que se constrangem, sentem receio, avergonham-se ... E olvidam que é sempre mais feliz aquele que dá, felicitando-se, também quem retribui sentimentos, gestos ou palavras.

Retribuir com ternura, com expressões de afeto, com gestos de simpatia fraternal em testemunhos de solidariedade constitui formas de gratidão no seu sentido nobre.

Não apenas por meio de moedas, objetos, utensílios deve ser a preocupação dos que se beneficiaram junto a alguém, buscando exteriorizar ou traduzir a gratidão de que se sentem possuídos.

Sê tu quem doa reconhecimento, quem resgata a dívida da gratidão pela fidelidade, afeição e respeito a quem te foi ou te é útil.

Nunca te esqueças do bem que recebeste, embora se modifiquem os quadros da vida em relação a ti ou a quem te beneficiou.

Se alguém te retribui com a ingratidão o bem que doaste, exulta. É sempre melhor receber a ingratidão do que exercê-la em relação ao próximo.

Se ofertaste carinho e bondade, sustentando a alegria nos corações alheios e te retribuem com azedume ou indiferença, alegra-te. O ingrato é alguém que enlouquece a longo prazo.

Se te sentes tentado à decepção, porque o bem que fazes se demora sem a resposta dos que o fruem, rejubila-te. A árvore não se nega a doar aos malfeitores do caminho novos frutos, após ser apedrejada por eles.

Não te constitua modelo aquele que delinqüe pela ingratidão ou te esquece o benefício vencido pela soberba.

O bem que faças é bem em triunfo no teu coração.

Receber o retributo seria diminuir a significação do que realizaste.

Bendize, assim, os ingratos e ora por eles, porquanto estão em piores condições do que supões e se puderes, ajuda-os mais, pois a felicidade é sempre maior naquele que cultiva o amor e a misericórdia, jamais em quem recebe e esquece, beneficia-se e despreza o benfeitor.

Joanna de Ângelis