08 - Lei de Reprodução

Perg. 686 - É lei da Natureza a reprodução dos seres vivos? - "Evidentemente. Sem a reprodução, o mundo corporal pereceria."

Perg. 694 - Que se deve pensar dos usos, cujo efeito consiste em obstar à reprodução, para satisfação da sensualidade? -"Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material."

1 - PERANTE A VIDA

Investimento sublime a vida!

Em todas as suas manifestações expressa a suprema misericórdia de Deus, num conjunto de harmonias e bênçãos.

O homem, porém, nem sempre sabe valorizar-lhe a oportunidade.

Egresso das faixas primitivas do instinto por onde transitou, guarda as altas cargas das sensações em que se demora, em detrimento dos sutis apelos da moção em que se engrandece, na ascese para a libertação que o aguarda.

Detivesse-se mais no acurar das observações e descobriria a glória do bem manifesta em todo lugar.

Por descuido ou inépcia, vincula-se aos compromissos vis em que se emaranha e, ao ser surpreendido pela realidade da evolução de que ninguém se evade, reage e desagrega-se, mergulhando nos lôbregos estados de dor selvagem e inútil.

A vida, já dormecida no mineral, sonha no vegetal, desperta e se agita no animal, pensa no homem que segue a caminho da perfeita integração na Consciência Cósmica, quando, então, se torna anjo.

Multiplica a alegria de viver, esparzindo tuas concessões de ventura onde te encontres.

Inobstante te descubras em dor ou em agonia, compreende que o sofrimento é processo de libertação, realizando o mister onde o amor ainda não firmou alicerces.

Sofrimento não é desdita. Esta somente surge quando o homem se torna causa e razão de infortúnio para o seu próximo.

Assim, sempre podes exalçar a vida.

Estiolando-se a flor, o pólen fecunda e a planta nele sobrevive.

O despedaçar de muitos anelos engendra o surgimento de formosas realizações ...

A renúncia pessoal fomenta a abnegação que levanta as realizações da ventura.

Usa a tua vida na preservação de outras muitas vidas.

Mesmo que estejas açodado pelo desespero, evita o fosso da revolta ou o paul do desânimo.

A tua vida inspira outras vidas. Sê abnegado!

O que faças e como faças constituirá emulação para as criaturas que seguem ao teu lado.

Sem que o percebas, és inspirado por alguém, motivado por outrem, a teu turno modelo para outros que te seguem empós.

Perante a vida és Co-criador junto a Nosso Pai. Vive, pois, de tal forma que, encerrando o capítulo da tua experiência no corpo físico, prossigas logo mais, noutra expressão na vida estuante.

2 - LIMITAÇÃO DE FILHOS

O problema da planificação familiar, antes de maiores cogitações, deve merecer dos cônjuges mais profundas análises e reflexões.

Pela forma simplista como alguns o apresentam, a desordenada utilização de métodos anticonceptivos interfere negativamente na economia moral da própria família.

Na situação atual, os pais dotados de recursos econômicos, menos procriam, em considerando as disponibilidades que possuem, enquanto os destituídos de posses aumentam a prole, tornando muito mais complexas e difíceis as engrenagens do mecanismo social.

Os filhos são programados na esfera extrafísica da vida, tendo-se em vista as injunções crédito-débito, defluentes das reencarnações passadas.

Normalmente, antes do mergulho no corpo carnal, o espírito reencarnante estabelece intercâmbio com os futuros genitores, de cujo concurso necessita para o cometimento a empreender.

Os filhos não chegados pela via normal, não obstante, alcançarão a casa dos sentimentos negados, utilizando-se dos sutis recursos da vida, que reaproximam os afins pelo amor ou pela rebeldia quando separados, para as justas reparações.

Chegarão a outros tetos, mas dali sairão atraídos pelas necessidades propelentes ao encontro da família que lhes é própria, nem sempre forrados em objetivos relevantes ...

Alguém que te chega, perturbando a paz .

Outrem que te rouba pertences e sossêgo .

O ser que te sobrecarrega de dissabores .

Aquele que de fora desarmoniza a tua família ... O vadio que te adentra o lar. ..

O aliciador que chega de longe e infelicita o filho ou a filha que amas ...

Todos eles estão vinculados a ti ...

Quiçá houvessem renascido sob o teu teto e as circunstâncias impediram dramas maiores.

Antes de aderires ao entusiasmo reinante para a limitação da prole, reparte com o outro cônjuge as tuas preocupações, discute o problema à luz da reencarnação.

Evita engajar-te na moda só porque as opiniões gerais são favoráveis à medida.

Não o faças simplesmente considerando os fatores econômicos, os da superpopulação ...

O Senhor dispõe de recursos inimagináveis.

Confia a Ele as tuas dificuldades e entrega-te consciente, devotadamente.

Seja qual for a opção que escolhas - ter mais ou menos filhos -, os que se encontram na pauta das tuas necessidades chegar-te-ão, hoje ou mais tarde.

Sendo possível, acolhe-os da melhor maneira, porquanto, conforme os receberes, ser-te-ão amigos generosos ou rudes adversários dos quais não te libertarás facilmente.

3 - FILHO DEFICIENTE

Surda revolta assenhoreia-se da tua alma e, a pouco e pouco, a amargura ganha campo no teu coração.

Reconsidera, porém, quanto antes, atitudes e posições mentais.

Não podes arbitrar com segurança no jogo dos insondáveis sucessos da reencarnação.

Pára a reflexionar e submete-te à injunção redentora. A tua frustração decorre do orgulho ferido, do desamor que cultivas.

Teu filho deficiente necessita de ti. Tu, porém, mais necessitas dele.

Quem agora te chega ao regaço com deficiência e limitação, recupera-se no cárcere corporal das arbitrariedades que perpetrou.

Déspota ou rebelde, caiu nas ciladas que deixou pela senda, onde fez que outros sucumbissem.

Mordomo da existência passada, abusou dos dons da vida com estroinice e perversidade, ferindo e terminando por ferir-se.

Não cometeu, todavia, tais desatinos a sós. Quando alguém cai, sempre existe outrem oculto ou ostensivo que o leva ao tombo.

Muitos responsáveis intelectuais de realizações nobres como de crimes espetaculares permanecem não identificados.

E são os autores reais, que se utilizam dos chamados ignorantes úteis para esses cometimentos.

O filho marcado que resulta do teu corpo é alma vitimada pela tua alma, não duvides.

Não é este o primeiro tentame que realizam juntos. Saindo do fracasso transato, ambos recomeçam abençoada experiência, cujo êxito podes promover desde já.

Renteia com ele na limitação e aumenta-lhe, mediante o amor dinâmico, a capacidade atrofiada.

Sê-lhe o que lhe falta.

Da convivência nascerá a interdependência recíproca. No labor com ele, amá-lo-ás.

Infatigavelmente renova os quadros mentais e por enquanto desce ao solo da realidade, fora das ilusões mentirosas, a fim de seres, também, feliz.

Honra-te com o filhinho dependente e mais aproxima-te dele, cada vez.

A carne gera a carne, mas os atos pretéritos do Espírito produzem a forma para a residência orgânica.

As asas de anjo do apóstolo, como os pés de barro de quem amas, precedem à atual injunção fisiológica.

Se te repousa no berço de sonhos desfeitos um filhinho deformado, amputado, dementado, deficiente de qualquer natureza, esquece-lhe a aparência e assiste-o com amor.

Não te chega ao trono dos sentimentos por acaso. Antigo companheiro vencido, suplica ajuda ao desertor, só agora alcançado pela divina legislação.

Dá-lhe ternura, canta-lhe um poema de esperança, ajuda-o.

O filho deficiente no teu lar significa a tua oportunidade de triunfo e a ensancha que ele te roga para alcançar a felicidade.

Seria terrivelmente criminoso negar-lhe, por vaidade ferida, o amparo que te pede, quando te concede a bênção do ensejo para a tua reparação em relação a ele.

4 - DEVERES DOS PAIS

Por impositivo da sabedoria divina, no homem a infância demora maior período do que em outro animal qualquer.

Isto, porque, enquanto o Espírito assume, a pouco e pouco, o controle da organização fisiológica de que se serve para o processo evolutivo, mais fáceis se afiguram as possibilidades para a fixação da aprendizagem e a aquisição dos hábitos que o nortearão por toda a existência planetária.

Como decorrência, grande tarefa se reserva aos pais no que tange aos valores da educação, deveres que não podem ser postergados sob pena de lamentáveis conseqüências.

Os filhos - esse patrimônio superior que a Divindade concede por empréstimo -, mediante os liames que consangüinidade enseja, facultam o reajustamento emocional de Espíritos antipáticos entre si, a sublimação das afeições entre os que já se amam, o caldeamento de experiências e o delinear de programas de difícil estruturação evolutiva, pelo que merecem todo um investimento de amor, de vigilância e de sacrifício por parte dos genitores.

A união conjugal propiciatória da prole edificada em requisitos legais e morais constitui motivo relevante e não deve ser confundida com as experiências do prazer, que se podem abandonar em face de qualquer conjuntura que exige reflexão, entendimento e renúncia de algum ou de ambos os nubentes.

Os deveres dos pais em relação aos filhos estão inscritos na consciência.

Evidentemente as técnicas psicológicas e a metodologia da educação tornam-se fatores nobres para o êxito desse cometimento. Entretanto, o amor - que tem escasseado nos processos modernos da educação com lamentáveis resultados - possui os elementos essenciais para o feliz desiderato.

No compromisso do amor, estão evidentes o companheirismo, o diálogo franco, a solidariedade, a indulgência e a energia moral de que necessitam os filhos, no longo processo da aquisição dos valores éticos, espirituais, intelectuais e sociais.

O lar, em conseqüência, prossegue sendo, na atualidade, de fundamental importância no complexo mecanismo da educação.

Nesse sentido, é de essencial relevância a lição dos exemplos, a par da assistência constante de que necessitam os caracteres em formação, argila plástica que deve ser bem modelada.

No capítulo da liberdade, esse fator basilar, nunca deixar esquecido o dever da responsabilidade. Liberdade de ação e responsabilidade dos atos, ajudando no discernimento desde cedo entre o que se deve, convém e se pode realizar.

Plasma, na personalidade em delineamento do filhinho, os hábitos salutares.

Diante dele, frágil de aparência, tem em mente que se trata de um Espírito comprometido com a retaguarrda, que recomeça a experiência sob a injunção de sacrifícios, e que muito depende de ti.

Nem o excesso de severidade para com ele nem o acúmulo de receios injustificados, em relação a ele, ou a exagerada soma de aflição por ele.

Fala-lhe de Deus sem cessar e ilumina-lhe a consciência com a flama da fé rutilante, que lhe deve lucilar no íntimo como farol de bênçãos para todas as concessões divinas.

O que lhe não concedas por negligência, ele te cobrará depois ...

Se não dispões de maiores ou mais valiosos recursos para dar-lhe, ele saberá reconhecer, e, por isso, mais te amará.

Todavia, se olvidares de ofertar-lhe o melhor ao teu alcance também ele compreenderá e, quiçá, reagirá de forma desagradável.

Os pais educam para a sociedade, quanto para si mesmos.

Examina a tua vida e dela retira as experiências com que possas brindar a tua prole.

Tens conquistas pessoais, porquanto já trilhaste o caminho da infância, da adolescência e sabes de 'motu próprio' discernir entre os erros e os acertos dos teus educadores, identificando o que de melhor possuis para dar. Não te poupes esforços na educação dos filhos.

Os pais assumem, desde antes do berço, com aqueles que receberão na condição de filhos, compromissos e deveres que devem ser exercidos, desde que serão, também, por sua vez, meios de redenção pessoal perante a consciência individual e a Cósmica que rege os fenômenos da vida, nos quais todos estamos mergulhados.

5 - DEVERES DOS FILHOS

Toda a gratidão nem sequer retribuirá a fortuna da oportunidade fruída mediante o renascimento carnal.

O carinho e o respeito contínuos não representarão oferenda compatível com a amorosa assistência recebida desde antes do berço.

A delicadeza e a afeição não corresponderão à grandeza dos gestos de sacrifício e de abnegação demoradamente recebidos ...

Os filhos têm deveres intransferíveis para com os pais, instrumentos de Deus para o trâmite da experiência carnal, mediante a qual o Espírito adquire patrimônios superiores, resgata insucessos e comprometimentos perturbadores.

Existem genitores que apenas procriam, fugindo à responsabilidade.

Não compete, porém, aos filhos julgá-las com severidade, desde que não são dotados da necessária lucidez e correção para esse fim.

Se fracassaram no sagrado ministério, não se furtarão à consciência, em forma da presença da culpa neles gravada.

Auxiliá-los por todos os meios ao alcance é mister indeclinável, que o filho deve ofertar com extremos de devotamento e renúncias.

A ingratidão dos filhos para com os pais é dos mais graves enganos a que se pode permitir o Espírito na sua marcha ascensional.

A irresponsabilidade dos genitores de forma alguma justifica a falência dos deveres morais por parte da prole.

Ninguém se vincula a outrem por meio dos vigorosos liames do corpo somático, da família, sem justas, ponderosas razões.

Desincumbir-se das tarefas relevantes que o amor e o reconhecimento impõem - eis o impositivo que ninguém pode julgar lícito postergar.

Ama e respeita em teus pais a humana manifestação da paternidade divina.

Quando fortes, sê-lhes a companhia e a jovialidade; quando fracos, a proteção e o socorro.

Enquanto sadios, presenteia-os com a alegria e a consideração; se enfermos, com a assistência dedicada e a sustentação preciosa.

Em qualquer situação ou circunstância, na maturidade ou na velhice, afeiçoa-te àqueles que te ofertaram o corpo de que te serves para os cometimentos da evolução, como o mínimo que podes dispensar-Ihes, expressando o dever de que te encontres investido.

6- AFINIDADE E SINTONIA

De referência à problemática das doenças, a questão da sintonia psíquica é de relevância incontestável.

Fenômeno inconsciente que decorre dos hábitos mentais assumidos pelo indivíduo, deve ser examinado em profundidade, necessitando de acurado esforço, a fim de que abandone as baixas e densas faixas do abatimento e da viciação, ascendendo àquelas nas quais se haurem forças e estímulos para os cometimentos de sucesso.

Acomodado à posição de lamentável rebeldia interior, seja pelo acumpliciamento com Entidades perniciosas ou mediante a tácita aceitação dos velhos hábitos do personalismo dissolvente, o homem permanece por prazer e invigilância em sintonia com o mal.

Defluem dessas situações graves conúbios mentais, em processos de obsessão por parte de Espíritos ignorantes e pervertidos ou pela satisfação natural de permanecer em atitude doentia, sem o esforço que deve envidar para a libertação.

Em toda enfermidade existe sempre uma predisposição orgânica e psíquica decorrente do pretérito espiritual ou da vivência atual, em cujo campo se instalam os fatores predisponentes ou propiciatórios à larga cópia de doenças, as mais complexas.

Convenientes, por isso, o cultivo do otimismo e a realização de trabalhos que desloquem a mente indisciplinada ou mal-educada, induzindo-a a novos exercícios e hábitos de que decorrerão resultados diversos.

Afinas com o que sintonizas. Estás com quem ou com o que preferes.

Cada ser nutre-se nos redutos mentais em que localiza as aspirações. Em conseqüência, os que aspiram fluidos deletérios da irritação constante, da sistemática indiferença ou da prevenção contumaz perturbam-se, arrojando-se ao desequilíbrio ou intoxicam-se interiormente, dando origem e curso a distonias nervosas que culminam com a loucura ou as aberrações de outra natureza.

Enxameiam por toda parte aqueles que falam sobre o sofrimento e as doenças, dizendo-se desejosos de superá-los, vencê-los sem que, contudo, se imponham as condições exigíveis do esforço e da perseverança nos propósitos salutares que lhes são inusitados.

Preferem o retorno à situação primitiva e a fuga espetacular pela lamentação, ao combate profícuo, insistente, reagindo às forças infelizes, para sair das faixas vibratórias em que se detêm, de modo a granjearem os inapreciados valores da paz, da saúde, da harmonia.

Toda ascese (prática das virtudes pelo exercício da vontade) decorre em clima de sacrifício.

A renovação exige esforço.

A liberdade propõe disciplina.

A ascensão às vibrações superiores impõe largo estipêndio mental, exigindo permanente sintonia com os pensamentos edificantes e as idéias que fecundam bênçãos.

A doença, bem como a saúde resultam, invariavelmente, da posição interior de cada um.

Por essa razão, o Evangelho é constituído de convites imperativos à elevação íntima, à solidariedade, ao otimismo em cujas paisagens haurirás a felicidade que todos buscamos.

Afinamo-nos uns com os outros e intercambiamos conforme as preferências que exteriorizamos, mas que são o resultado do comportamento íntimo.

Qualquer que seja o preço da responsabilidade, por mais alto o ônus do sacrifício, estás destinado à feliciidade e por lográ-la terás que investir todos os esforços, abandonando as faixas do erro e do crime em que te comprazes, a fim de alcançares os cumes da vitória sobre ti mesmo.

Joanna de Ângelis