ANOTAÇÃO  FRATERNA

 

Maria Dolores

 

 

Ouço-te, alma querida, a pergunta frequente:

– “Como vencer tanta barreira à frente?

Tanto empeço ao redor? Tanta prova em caminho?

Tanta pedra a cercar-me? Tanto espinho?

Como entender o lar em conflito constante?

Sinto me qual formiga, enfrentando um gigante,

– O gigante da dor em que me vejo...

Por que lutar assim, se a paz é o meu desejo?!...”

 

Se posso responder-te, apenas digo:

– Não te atormentes, coração amigo,

A vida sobre a Terra é internato na escola.

O sofrimento que te desconsola

Em cada fase vale por ensino

Que te habilite à promoção

A mais alto destino,

Na conquista ideal da perfeição...

Observa contigo a imensa caravana:

 

Os companheiros da família humana...

Não acharás ninguém sem luta e sem problemas...

Esse irmão, rente a nós, caminha nas algemas

Da enfermidade em que se desfigura;

Aquele, a tropeçar na desventura,

Suporta a incompreensão dos seres mais queridos;

Outro exibe nos ombros doloridos,

Embora ocultamente,

A cruz de quem governa muita gente,

Sem que o mundo perceba quanto dói

O fardo que o mantém

Preso ao nobre suor de quem serve e constrói

Para a extensão do bem;

Outros se arrastam carregando

Tribulações em bando:

Filhos em lamentável rebeldia,

Buscando a fuga em marcha estranha e cega,

Voltando ao lar depois pela senda sombria

Do presídio da angústia que os segrega

E amargas provações que surgem de surpresa,

Desânimo, penúria, abandono, tristeza...

Entretanto, alma boa,

Não te revoltes, segue!... Ama, perdoa,

Aceita-te como és e trabalha onde estás...

Obrigação cumprida é o caminho da paz.

 

Sofre e abençoa, chora mas porfia

Aprendendo as lições de cada dia...

 

A existência na Terra é a subida escarpada

E o dever nos recorda o símbolo da cruz;

Segue e agradece a Deus a aspereza da estrada

Que te eleva da sombra à exaltação da luz!...

 

Do livro A Vida Conta. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.