DESPEDIDA  DE  VITAL

  

Espírito: CORNÉLIO PIRES.

 

Lua cheia... Na choça a que se apega,

Morre Vital, velhinho, olhando o morro...

Por prece, escuta a arenga do cachorro,

Ganindo nas touceiras da macega.

 

Pobre amigo!... Agoniza sem socorro,

Chora lembrando o milho na moega...

Oitenta anos de lágrimas carrega

Na carcaça jogada ao chão sem forro.

 

Suando, enxerga um moço na soleira,

           -          “Eu sou leproso...” – avisa em voz rasteira,

mas diz o moço, envolto em luz dourada:

 

         -          “Vital, eu sou Jesus! Venha comigo!...”.

E o velho sai das chagas de mendigo

Para um carro de estrelas da alvorada.

 

LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

Digitado por: Lúcia Aydir – SP/08/2005.