JOÃO  VACCARI  NETO

 

João, cujo nome é uma homenagem a seu avô, que também nascera na noite das festas a São João, desde os quatorze anos começou a participar das atividades da empresa de seu pai.

Inteligente e aplicado, foi chamado na primeira lista dos exames vestibulares nas Faculdades Metropolitanas Unidas, Faculdade de Guarulhos e Universidade Mackenzie.

Cedo entrou em contato com a natureza e os esportes. Gostava principalmente de nadar, esquiar, praticava pesca-submarina e tinha brevê de piloto privado. Mas o motociclismo era sua maior paixão.

Ao preparar-se para um festival em São José dos Campos, S.P., no dia 07 de maio de 1983, após os treinos, João resolveu dar mais uma volta pelo percurso. Ao passar por um pequeno obstáculo, caiu ao chão; o capacete pressionou sua cabeça. Uma semana depois desencarnava.

Estas são as palavras de Sr Américo, seu pai:

“Desde criança, João foi meu braço direito no trabalho, na ajuda assistencial ao próximo e nunca media hora, distância, para tal. Sua mensagem vem reforçar tudo isso que sempre foi norma cristã em seu lar.

Ele vive intensamente. É um espírito de luz sem drama de consciência. Aprende, trabalha, irradia amor, fé, esperança sob as benções de Jesus. Tem liberdade em suas ações e disciplina.

Sua mensagem foi e é para nós o farol bendito que guia nossa nave no mar revolto desta vida, para um porto seguro que se chama: Jesus. E o nosso querido Chico Xavier está sempre ali, atento, zeloso, horas, dias, meses, anos, no Farol como guardião de Jesus, para que a luz não se apague nunca para outras embarcações desesperadas no mar revolto desta vida”.

Américo Vaccari

 

Esclarecimentos sobre o texto da mensagem:

Pais: Julieta Benvenuti Vaccari e Américo Vaccari.

Irmã: Ivete Vaccari Menegazzi.

Cunhado: Roberto Serafim Maciel Menegazzi.

Sobrinha: Karina Vaccari Menegazzi.

Bisavó materna: Júlia Baroni, desencarnada em 1955.

Tio-avô materno: João Benventuri, desencarnado em 1975.

A casa do Ideal a que João se refere é o “Grupo de Ideal Espírita Antonio Nunes”, que tem como um de seus membros Orlando Moreno.

 

“Querida mãezinha Julieta e querido papai Américo,

Abençoe-me. Entendo o nosso processo de carência afetiva.

A saudade nunca trabalha de um lado só no campo da vida e aquela minha aventura em nosso treinamento para o moto-cross não me transformou os sentimentos.

Creiam que para mim é difícil não me fazer piegas, à feição de um menino chorão, para afirmar-lhes a extensão de meu afeto, mas é preciso bancar o durão e seguir adiante.

Julgo que basta a minha confissão de saudades para que me reconheçam no desejo de aceitar e renovar-me em tudo quanto possa ser útil aos que mais amo e aos nossos irmãos outros da humanidade.

Sempre busquei identificar-me com a necessidade de renovação e progresso e se a moto não conseguiu me auxiliar mais do que me auxiliava, isso naturalmente se deve às Leis de Deus que, em meu ponto de vista, de quando em quando nos oferece a prova de separação, a fim de saber em que graduação se encontra a nossa aparência de servir e de amar.

O tio João Benvenutti me aprecia com muitas elucidações a respeito da vida na Terra e no Plano Espiritual, e com a sempre querida vovó Julia encontro uma espécie xerox da nossa casa feliz.

Mãezinha Julieta, peço-lhe dizer à Ivete que não a esqueci, nem ao cunhado Roberto e nem à minha sobrinha Karina que conservo por tesouros de meu coração.

Às vezes, abstendo-nos de registrar os nomes das pessoas queridas, damos a idéia de espírito desmemoriado, quando não é assim, é que o número dos familiares e colaterais é tão extenso que nós registramos a condensar na palavra “nossos” todos aqueles que nos povoam as melhores recordações.

Tenho feito o possível para acompanhar os queridos pais nas reuniões de estudos na casa do “Ideal” onde a amizade de nosso companheiro Orlando Moreno se fez tão precisa para nós, confesso-lhes que tenho assimilado as lições conjugando-as com os apontamentos do tio João e tenho a idéia, sem pretensão, de que estou progredindo um tanto no mínimo, no máximo que devo aprender.

Tenho igualmente os meus amigos de nossos campeonatos de corridas em moto seguras e estilizadas e não posso deixar de servi-los ainda que seja em migalhas de colaboração.

Mãezinha Julieta, não me sinta ausente.

Acontece que a amizade, para ser o sentimento que deve ser, precisa fazer as melhores contas de divisão e enquanto sempre mais amor aos pais queridos e aos queridos irmãos Ivete e Roberto, multiplicando os meus votos pelo bem estar de todos os meus, e tentando subtrair quando possível as minhas imperfeições de rapaz, a caminho da maturidade espiritual, cabe-me a obrigação de dividir os meus pequeninos préstimos com os meus companheiros que ficaram.

Penso haver explicado porque não escrevo à família tão freqüentemente como desejo, mas em espírito e coração estou sempre ligado à mãezinha Julieta e ao papai Américo, escorando-me nos exemplos de trabalho com que me enriquecem a vida.

Queridos pais, o tio João diz que já fui tão preciso quanto me seria possível e aqui termino com o ponto final desejando ser letra de começo.

Não posso, porém abusar dos nossos anfitriões e rogo-lhes receber com a Ivete, com o Roberto e com a Karina, o mesmo carinho repleto de saudades, do filho, irmão e tio que lhes oferece o próprio coração.

João Vaccari Neto”

 

 

Fonte: Livro “Esperança e Alegria” - Psicografia – Francisco C. Xavier - Autores Diversos