OLIMAR  FEDER  AGOSTI

 

Olimar, uma bela e jovem advogada, faleceu em um acidente de avião nas proximidades de Fortaleza, no Ceará, ao viajar para encontrar-se com seu marido Geraldo. Estavam casados há apenas três meses.

O acidente foi fulminante e dos destroços materiais pouco havia que permitisse a identificação das pessoas. Assim, é interessante observar o comentário que Olimar tece a respeito das flores que lhe foram ofertadas no cemitério de Fortaleza, onde não havia possibilidade de ser identificado o local dos restos mortais. Foi um gesto de carinho que só era do conhecimento de seus parentes mais próximos.

 

Estas são palavras de seus pais:

“Receber esta mensagem de Olimar foi uma das maiores emoções da vida, pois com a separação da matéria de uma filha jovem, inteligente, bonita por dentro e por fora, de forma repentina e brutal, o equilíbrio somente foi possível pela fé inabalável em Deus e pela ajuda dos amigos iluminados, que nos deram a chance de termos o contato claro, impressionante, autêntico, que fortaleceu nossa crença e nos inspirou a confiar que a vida é eterna para quem ama.

Recebemos mais uma prova de que a morte material é patente, porém o nosso espírito continua na trajetória da vida eterna. Passamos a ter mais amor entre nós familiares e semelhantes, bem como a prática constante do Evangelho do Lar, e a participação ativa e feliz de assistência social, seguindo a Doutrina Espírita”.

 

Gerson e Olinda Feder

Esclarecimentos sobre o texto da mensagem:

Pais: Olinda e Gerson Feder.

Esposo: Geraldo Agosti (GE), filho de Helena Agosti.

Marieta Strifezzi: avó materna nascida a 22 de abril de 1898 e desencarnada a 19 de julho de 1949.

Bruno Cavalcanti Feder: avô paterno nascido a 28 de maio de 1900 e desencarnado a 04 de fevereiro de 1956.

Francisco Felipe Agosti, avô de seu esposo Geraldo, nascido a 22 de setembro de 1892 e desencarnado a 14 de setembro de 1963.

Dirce Casella Monteiro, prima por parte de sua mãe Olinda, nascida a 12 de julho de 1935 e desencarnada a 12 de janeiro de 1976.

 

“Mamãe Olinda e papai Gerson,

Estou ainda sob a impressão difícil de descrever ¾ a impressão dos que passaram pela ocorrência de que compartilhei. Ainda assim, estou na condição da filha reconhecida que lhes pede a bênção.

Venho trazida, porque, por mim própria, a iniciativa da visita a que me entrego, seria quase impraticável. A vovó Marieta considerou, porém, que seria justo endereçar-lhes alguma notícia e estou pronta a isso.

Mesmo assim, como não poderia deixar de ser, me sinto amparada a fim de articular as minhas palavras escritas.

Lembro-me perfeitamente de nossa despedida natural antes da decolagem do avião, tudo alegria e certeza de paz com a promessa do reencontro com o nosso querido Geraldo em fortaleza para que a minha alegria fosse complementada.

A viagem começou sem novidades que mereçam menção especial. Alguns passageiros, creio que veteranos nas travessias aéreas se punham a dormir, tentei fazer o mesmo, no entanto, não conseguia perder-me no repouso desejado. Refletia na vida e montava mentalmente os meus projetos para a excursão iniciada.

Guardava a idéia de que alguém velava comigo, sem que eu pudesse identificar qualquer presença espiritual. Mais tarde é que soube que a vovó Marieta estava ao meu lado.

Tudo seguia sem sobressaltos, máquina estável e segurança em tudo. A aeromoça ia e vinha de quando em quando, oferecendo brindes para nosso reconforto e irradiando o sorriso com que parecia desejosa de nos tranqüilizar.

Consultei o horário e pensava na mãezinha Helena a esperar-me na alta madrugada, quando o estrondo nos reuniu a todos na mesma idéia horrível. Num relâmpago de segundo ainda consegui mentaliza-los em companhia do GE, mas o raciocínio desapareceu como por encanto.

Dores não senti. Creio hoje que nas calamidades imprevistas qual aquela em que me vi, não há tempo para registro de sofrimento pessoal. Se isso aconteceu deve ter sido um pesadelo que o assombro empalideceu.

Nada mais vi nem ouvi. Não sei fazer qualquer comparação para transmitir-lhes essa ou aquela idéia do sucedido. Quanto tempo estive largada ao esquecimento de mim ainda ignoro.

Primeiramente a amnésia me dominou totalmente, em seguida me vi colada a uma apatia sem nome. Vi pessoas em derredor de mim, sabia que um leito acolhedor me aguardava, entretanto, muito vagarosamente passei a interessar-me na busca de minhas próprias recordações.

Percebia-me visitada por amigos, escutava-lhes os votos de recuperação tão rápida quanto possível, no entanto falar ainda era algo muito complicado nos mecanismos de relacionamento de que dispunha.

Passaram-se dias sobre dias, até que pude interpelar minha querida avó que se identificou para minha tranqüilidade.

Iniciei os meus contatos e, com espanto, vim a saber que já não mais pertencia ao nosso mundo familiar, segundo os vínculos físicos. Aturdia-me saber que me achava num corpo absolutamente igual ao meu e a meio custo aceitei a realidade de que o outro, aquele que eu deixara no avião sinistrado, era uma veste que me fizera inútil.

A transição era violenta demais para que me conformasse sem rebeldia, sentia sim uma certa mágoa contra a vida, porque efetivamente não poderia dizer contra a morte, já que a morte passara a ser inexistente em meu modo de pensar e sentir.

Dei largas ao meu pranto de angústia, o que minha avó Marieta considerou natural. Ela não me proibiu qualquer manifestação de tristeza ou desalento, mas me afirmou que seria muito importante superar a crise com minha força de vontade, como se naquelas horas a tivesse.

Os conselhos e avisos, porém, valiam por medicações de muito significado para que eu conseguisse refazer energias a fim de revê-los e comecei a extrair do íntimo do meu próprio ser, a decisão de vencer a mim própria.

Reagi com as possibilidades de resistência que não perdera de todo e transferi-me da amargura para a esperança. Era preciso ajustar-me às leis de Deus que são as Leis da Vida, compreender que os meus anseios de moça deviam ceder lugar a um entendimento melhor, e gradativamente consegui entrar no conhecimento de outros amigos, todos eles familiares queridos que me estimulavam à renovação. Avô Francisco, a nossa querida Dirce, o avô Bruno e tantos corações devotados como que me emprestavam novas forças ao meu cérebro a fim de que eu conseguisse pensar por mim mesma, e pude visitá-los pela primeira vez. Reunimos as nossas lágrimas sem que assinalassem a minha presença e reconheci que se me fazia necessário o reerguimento de modo a ser-lhes útil.

Tomei conhecimento de quanto haviam feito em meu auxílio e agradeço as preces e os atos de religião, os anseios de me tocarem inutilmente, as últimas lembranças e as flores que me ofertaram, desconhecendo de que maneira as colocariam ao meu dispor.

Acontece, pais queridos, que eu não mais precisava de espaço terrestre para receber todas essas lembranças do coração, pois acolhi todos os gestos de amor que me dedicaram, por dentro de mim, qual se trouxesse comigo um imã desconhecido que os atraia.

A dor da mamãe e o sofrimento do meu pai, como o pesar de nosso Geraldo e de todos os entes queridos, me pesaram na alma de inexplicável maneira e aqui estou a fim de rogar-lhes a conformação que os amigos daqui solicitaram de mim.

Agradeço à mãezinha Helena os cuidados comigo e para com o filho querido com quem sonhávamos todos num futuro feliz. Nosso querido Geraldo será fortalecido e sobreviverá, como é justo, ao desastre que não nos tornou diferentes e sim nos obriga a pensar no amor em outro nível.

Mãezinha Olinda, reconforte-o para mim e diga-lhe do meu afeto que prossegue inalterável, e fale a ele de minha vontade sincera de vê-lo forte e reanimado para a existência, quanto possível.

Outros dias surgirão e novos ideais brilharão conosco. O nosso lar de três meses foi um sonho na Terra, mas se nos fará luz para uma reunião maior na espiritualidade. Com a bênção de Deus ele viverá e será feliz. Espero conquistar forças novas a fim de resguarda-lo contra o desânimo e contra a tristeza que, em verdade, não servem a ninguém.

Que os nossos corações se unam nas esperanças diferentes em que a imortalidade nos revele a perenidade do amor e da comunhão espiritual para sempre.

Queridos pais, ainda não estou assim tão forte para prosseguir, reconhecendo embora que me estendi, talvez demasiado, no relatório de minhas informações de caráter familiar. Desejo que me saibam viva, mais viva do que nunca, a fim de continuarmos em nossas realizações para frente.

Querido papai Gerson, é preciso viver e esperar.

Mamãezinha Olinda, sigamos adiante recordando que há muita gente esperando por nós e por nossos abraços.

A vovó Marieta se lhes faz lembrada com um abraço e desejando fortemente imprimir-lhes nos sentimentos a certeza de que a morte não existe. Com muito carinho ao Geraldo, despede-se por hoje com muitos beijos de saudade e de esperança a filha do coração, que anseia continuar sendo para os dois a criança que não cresceu e que os ama, cada vez mais.

Sempre a filha agradecida,

Olimar Feder Agosti.”

 

Fonte: Livro “Esperança e Alegria” - Psicografia – Francisco C. Xavier - Autores Diversos