Tela do Mundo

Maria Dolores

 

A Terra esbanja beleza,

Na cúpula dos países,

Fulguram povos felizes,

Riquezas em profusão...

A Natureza soberba,

Guarda tesouros na selva,

Flores enfeitam a relva,

Veludo que adorna o chão.

 

Das cidades opulentas,

Voam naves poderosas,

Surgem torres luminosas,

Brazões, legendas, troféus...

A inteligência se alteia,

Abrindo escolas e estradas,

Há mansões dependuras,

Na luz dos arranha-céus!...

 

Mas à frente do esplendor

Em que o rumo se descobre

Surge o mundo margo e pobre,

Dos que vivem de esperar...

Tristes mães rogam auxílio

Em dolorosas andanças,

Para mirradas crianças

Que se agitam sem lugar!...

 

Irmãos despontam na praça,

Sob o fascínio do furto,

Avançam em passo curto

De empórios retiram pães;

Moços fortes ao prendê-los

Prometem pancadaria,

Há tumulto e gritaria

Em meio ao choro das mães.

 

Pegistro vozes diversas...

De quem são? Ouço gemidos,

É a multidão dos vencidos

Que mal conhece onde vai...

Junto a um posto de assistência,

Formando enorme fileira...

Aguarda-se a noite inteira,

O raro apoio que sai...

 

O progresso exalta o mundo...

E no porão da grandeza,

Há pranto, angústia, tristeza,

Embates de chaga e dor!...

Só Jesus, vencendo as sombras,

Ergue a luz da Caridade,

Conduzindo a Humanidade

Para a vitória do Amor.

 

ESTRADAS E DESTINOS - Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos