O  HERÓI

 

Cruz e Souza

 

 

Afrontando a aguilhão torvo e escarninho

De sarcasmos e anseios tentadores,

Ei-lo que passa sob as grandes dores,

Na grade estreita do terrestre ninho.

 

Relegado às agruras do caminho,

Segue ao peso de estranhos amargores,

Acendendo celestes resplendores,

Atormentado, exânime, sozinho...

 

Anjo em grilhões da carne, errante e aflito,

Traz consigo os luzeiros do Infinito,

Por mais que a sombra acuse, geme e brade!...

 

E, servindo no escuro sorvedouro,

Abre ao mundo infeliz as portas de ouro

Para o banquete da imortalidade.

 

Do livro Fonte de Paz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.