COMPANHEIROS  MUDOS

Emmanuel

“Deixai vir a mim os pequeninos...”
JESUS MARCOS, 10: 14.

 

“0 Espírito, pois, enverga, temporariamente, a túnica da inocência e, assim,
Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma,
toma a criança por símbolo da pureza e da simplicidade.”
Cap.VIII, 4.

 

         Com excelentes razões, mobilizas os talentos da palavra, a cada instante, permutando impressões com os outros.

         Selecionas os melhores conceitos para os ouvidos de assembléias atentas.

         Aconselhas o bem, plasmando terminologia adequada para a exaltação da virtude.

         Estudas filologia e gramática, no culto à linguagem nobre.

         Encontras a frase exata, no momento certo, em que externas determinado ponto de vista.

         Sabes manejar o apontamento edificante, em família.

         Lecionas disciplinas diversas.

         Debates problemas sociais.

         Analisas os sucessos diários.

         Questionas serviços públicos.

         Indiscutivelmente, o verbo é luz da vida, de que o próprio Jesus se valeu para legar-nos o Evangelho Renovador.

         Entretanto, nesta, nota simples, vimos rogar-te apoio e consolação para aqueles companheiros a quem a nossa destreza vocabular consegue servir em sentido direto.

         Comparecem, às centenas; aqui e ali...

         Jazem famintos e não comentam a carência de pão.

         Amargam dolorosa. nudez e não reclamam contra o frio.

         Experimentam agoniadas depressões morais, sem pedirem qualquer reconforto à idéia religiosa.

         Sofrem prolongados suplícios orgânicos, incapazes de recorrer voluntariamente ao amparo da medicina.

         Pensa, neles e, de coração enternecido, quanto puderes, oferece-lhes algo de teu amor, através da peça de roupa ou da xícara de leite, da poção medicamentosa ou do minuto de atenção e carinho, porque esses companheiros mudos e expectantes e padecentes que não podem falar.

 

 

Extraído do Livro da Esperança. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.