EXPIAÇÃO  E  EVOLUÇÃO

Emmanuel

 

          O traje tem o tipo de costura a que se filia, mas a pessoa que o veste nada tem de comum com o sinal da fábrica.

          O vaso revela o estilo do oleiro, no entanto, o líquido que carrega, não obstante guardar-lhe a contextura, é de essência diversa.

          O corpo, igualmente, traz a marca dos pais que o entretecem na oficina da hereditariedade, todavia, o espírito que o maneja é muito diferente, na constituição psicológica, embora, muitas vezes, lhe comungue as tendências.

          Cada criatura renasce, transportando consigo a herança dos próprios atos.

          Regenerações e tarefas que a desencarnação interrompe alcançam recomeço em existência seguinte.

          A expiação alinha os quadros de enfermidade e infortúnio que começam do berço e a evolução desdobra realizações e esperanças que se entremostram na meninice.

          Justo compreender que Há reencarnações, equivalentes a estágios de reajuste e resgate, iniciativa e continuidade, lição e sacrifício, com lutas correspondentes a ministérios e provas, dívidas e créditos, progresso e aperfeiçoamento, recuperação e missão.

          A História nos apresenta rapazelhos prodígios, quando Pascal, escrevendo um tratado das seções cônicas de Euclides, e Mozart, compondo uma ópera, um e outro, antes dos quinze de idade, na experiência física. Hoje como ontem, é possível encontrar, entre menores delinqüentes, as mais avançadas vocações para crueldade, tanto quanto na rua, legiões de pobres criaturas empolgadas no desequilíbrio.

          Saibamos iluminar a mente infanto-juvenil na chama do conhecimento superior.

          Infância é o dia que alvorece.

          Educando-nos, para conseguir educar, conduziremos jovens e adultos à edificação do porvir, através da responsabilidade de viver, porque a morte, por escrituraria da Justiça Divina, surgirá para cada um.

 

 

 

Do livro Nascer e Renascer -  Psicografia de Francisco Cândido Xavier