A  CANDEIA

Emmanuel

 

          A candeia luminosa, acima do velador, não é somente um problema de verbalismo doutrinário.

          Claro que as nossas convicções públicas revelam pensamento aberto e coração arejado, na sincera demonstração de nossas concepções mais íntimas. O ensinamento do Cristo, porém, lançou raízes mais profundas no solo do nosso entendimento.

          A lâmpada acesa da lição divina é, antes de tudo, o símbolo da nossa atitude positiva, nos variados ângulos da existência.

          O discípulo do Evangelho é convidado a afirmar-se, no mundo, a cada instante.

          Se fortes ofendido, não conserves a luz do perdão nas dobras obscuras dos melindres enfermiços.

          Se encontraste a dificuldade, não escondas a coragem nos resvaladouros da fuga.

          Se fostes surpreendido pela provação, não enterres o talento da fé no deserto do desânimo.

          Se fostes tocados pela dor, não arremesses a esperança ao despenhadeiro da indiferença.

          Se sofres perseguição e calúnia, não arrojes a oração no precipício do desespero.

          Se a luta te impôs a marcha entre espinheiros, oferecendo-te fel e vinagre, não ocultes o teu valor espiritual, sob os detritos da informação ou desalento.

          Faze a tua viagem na Terra, em companhia do Amigo Celestial, de coração elevado à Vontade Divina, de cabeça erguida na fidelidade à religião do dever bem cumprido, de consciência edificada no bem invariável e de braços ativos e dirigentes na plantação das boas obras.

          Não disfarces os teus conhecimentos de ordem superior aprende a usá-los, em benefício dos semelhantes e em favor de ti mesmo, porque assim, ainda mesmo que o sacrifício supremo da cruz se te faça prêmio entre os homens, adquirirás na Vida Maior a felicidade de haver buscado a luz da própria sublimação.

 

 

 

Do livro Nascer e Renascer -  Psicografia de Francisco Cândido Xavier