AFLITOS,  BEM... AVENTURADOS

Emmanuel

 

          Provavelmente, no cotidiano, terás encontrado companheiros que te pareceram marginalizados perante a estrada justa;

          os que se supunham demasiados virtuosos para sobrestar as paixões humanas, a escarnecerem os fracos, e caíram nelas, à feição de pássaros engodados pela merenda na armadilha que os recolheu;

          os que censuravam erros do próximo, na base da ignorância, e se arrojaram depois nos despenhadeiros de enganos piores;

          os que empreenderam jornadas redentoras, colocando-te pesada carga nos ombros, afastando-se das obrigações que prometeram honrar;

          e quantos outros que ainda, incapazes de vencer a própria insegurança, desceram de eminências do serviço espiritual para aventuras turbulentas, chegando até mesmo a negação da fé que afirmavam acalentar.

          Diante de todos eles, os que desconsideraram os outros, colhendo por fim a desconsideração alheia, à face das situações complexas em que intimamente se reconhecem prejudicados e infelizes, recorda as dificuldades da própria sustentação espiritual; e examinando as provações e empeços de quem deseja acatar as responsabilidades próprias, endereça a todos os amigos, talvez em lutas mais graves que as tuas, os teus melhores pensamentos de paz e bom ânimo, a fim de que se restaurem.

          Espíritos egressos de experiências vinagrosas em existências outras que o tempo arquivou para balanço oportuno, todos ainda carregamos na próprias tendências o risco de retorno a quedas passadas, reclamando a bondade e a tolerância dos outros, de modo a demandarmos os caminhos da frente.

Partilhando a jornada humana, compreendamos que os companheiros julgados caídos estão desafiados por obstáculos e crises difíceis de atravessar.

          E, ao invés de agravar-lhes os problemas, que amanhã talvez se façam nossos, saibamos ofertar-lhes a bênção da prece quando de todo não lhes possamos estender os braços, lembrando o Divino Amigo quando asseverou, convincente:

          -“Em verdade não vim ao mundo para curar os sãos.”

 

 

Do livro Nascer e Renascer -  Psicografia de Francisco Cândido Xavier