TIMBOLÃO

 Casimiro Cunha

Meus filhos, quem faz o mal...

Tem o mal como lição.

Vejamos o triste caso do pequeno Timbolão, apesar de bem crescido, forte alegre e bonitão, era peralta e travesso o menino Timbolão:

 

Saiu expulso da escola

enchendo a mamãe de amargor,

 atirou cinco bombas

na mesa do professor.

 

 

Junto à casa dos vizinhos

fazia sempre arruaças,

pondo fogo no jardim

e apedrejando as vidraças.

 

 

Abria malas e cofres

manejando a velha pua

e até fincava alfinetes

nas mãos dos cegos na rua

Dona Custódia a mãezinha

 Falava-lhe sempre assim:

  

-Ah! meu filho, seja bom

tenha piedade de mim.

 

 

Mas o menino teimoso

 pouco ligava aos conselhos,

depois de ouvir a mãezinha

quebrava copos e espelhos.

 

 

Um dia fez uma cobra

toda de arame e papel

tentando dar uma queda

na pobre dona Isabel.

 

 

Mais tarde pôs na cozinha

grande casca de banana

tentando dar outra queda

na lavadeira Donana.

 

 

Mas o pequeno esqueceu,

e foi no tanque brincar,

escorregou de repente

 num tombo espetacular.

 

 

 Aos gritos de toda a casa

no barulho da aflição,

lá se vai escada abaixo

o travesso Timbolão.

 

 

 Dona Custódia chorando,

chega de passo cansado,

Timbolão mais parecia

um boneco ensangüentado.

 

 

Para limpar o nariz,

 trouxeram enorme fronha

o sangue corria em bica,

a queda fora medonha.

 

 

 

Gritava e chorava tanto,

e parecia tão mal,

que foi conduzido à pressa

para o leito do hospital.

 

 

O médico examinou

demonstrando inquietação,

depois falou muito aflito,

coitado do Timbolão.

 

 

Ele partira dois dentes,

 estava com a testa inchada

e tinha a perna direita

Toda ferida e quebrada.

 

 

Envolvido em atadura,

de olhar triste e cara fina,

começou tomando soro

e muita penicilina.

 

 

Mas a perna piorava,

e era tanta a inflamação.

que o doutor sem mais demora,

pediu a operação.

 

 

Timbolão atado à mesa,

gemia desesperado,

mas lembrando, sempre, sempre,

que ele mesmo era o culpado.

 

 

Terminado o tratamento,

 parecia novo em tudo,

e abraçava a mãezinha

com grande atenção no estudo.

 

 

 Infelizmente o menino,

por haver sido tão mau,

agora estava bonzinho,

mas ficou com perna de pau.

 

 

 

Não existe efeito, sem causa.

Se tudo isso aconteceu a Timbolão, foi por motivo de seu comportamento, e desatenção aos conselhos.

 

 

Da Obra “TIMBOLÃO” – Espírito: CASIMIRO CUNHA

Psicografia: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Diagramação: Lúcia Aydir.