12 - INFLUÊNCIAS

Um pensador famoso já alertava que "uma falta jamais seria cometida, se o faltoso soubesse estar sendo observado pela pessoa que mais respeitasse". Ninguém melhor que o espírita consciente para conhecer esta profunda verdade, já que os Espíritos a tudo observam por estarem permanentemente em todo o derredor. E não se trata de um só ou dois. São inúmeros os Espíritos que acompanham o quotidiano dos homens; uma quantidade que se assemelha à multidão das mais movimentadas ruas de uma cidade.

Qual acontece com o indivíduo quando percorre uma via pública, eles, os Espíritos, só se sentem atraídos por aquilo que lhes interessa. Quando o homem transita na multidão, tem sua atenção voltada somente para certos aspectos, como por exemplo, as instruções do guarda de trânsito, os vendedores ambulantes, um rosto preocupado, uma pessoa bem vestida, outra maltrapilha, os sinais do semáforo, os luminosos ou as vitrines. O mesmo ocorre com os Espíritos: apesar das centenas que se agrupam, não vê cada um senão aquelas coisas a que dirige sua atenção, porque eles não se ocupam das que não lhes interessam (LE, perg. 456).

Há, porém, uma diferença entre o homem na via pública, e os Espííritos no quotidiano: é que o homem, como encarnado, só observa o que está ao alcance da vista; não consegue penetrar no íntimo das criaturas; os Espíritos, entretanto, podem penetrar fundo nos pensamentos, por mais secretos que sejam. Conhecem, muitas vezes, aquilo que o homem deseja ocultar a si mesmo. Nem atos, nem pensamentos podem ser dissimulados para eles (LE, perg. 457); não adianta tentar mentir ou dissimular fraquezas e intenções. A linguagem dos Espíritos é o pensamento: basta que se emita um pensamento para que ele alcance um Espírito afim ao pensamento emitido.

Os Espíritos levianos juntam-se às ilusões dos encarnados e preparam-lhes verdadeiras armadilhas; isso os leva a divertirem-se às custas dos menos avisados. Já Espíritos sérios, tais como os protetores e amigos, preocupam-se com a segurança dos que lhes são caros, lamentam suas trapalhadas e o mau uso do livre-arbítrio, e por isso procuram sempre auxiliá-los.

A influência dos Espíritos sobre os pensamentos interferem nas decisões de muitas criaturas, tanto no sentido negativo como no positivo. A alma do encarnado é também um Espírito que pensa. Cumpre atentar para os pensamentos contraditórios que ocorrem sobre um mesmo assunto. Porém, grande é a dificuldade de diferenciar os pensamentos próprios dos que são sugeridos. Os pensamentos próprios são, em geral, os que ocorrem no primeiro impulso (LE, perg. 461). Se forem na direção do bem, idéias boas virão somar-se e fortalecê-las. Se ao contrário, forem na direção do mal, sugestões das sombras é que prevalecerão, avolumando-se-lhes as conseqüências negativas; nisto consiste o "orai e vigiai" a que se referiu Jesus.

Periodicamente, Espíritos dotados de maior discernimento e inteligência encarnam com idéias próprias, trazendo descobertas científicas e mensagens evangélicas em beneficio da humanidade. No entanto, quando eles não as encontram em si mesmos, apelam para a inspiração, o que em última análise é uma evocação que jazem sem o suspeitar. (LE, perg. 462)

Não é seguro afirmar que o primeiro impulso é sempre bom. Ele é bom ou mau, segundo a natureza do Espírito encarnado. É sempre bom para aquele que ouve as boas inspirações (LE, perg. 463). Já no caso de Espíritos cuja influência é repetida pela vontade do encarnado, renunciam às suas tentativas, pois que nada mais têm a fazer ali.

O recurso infalível para se neutralizar a influência dos maus Espíritos e fazer o bem, colocar toda confiança em Deus, guardar-se de ouvir sugestões que possam dar guarida a maus pensamentos, que insuflam a discórdia e que excitam as paixões. É preciso desconfiar sempre de todos apelos que exaltem o orgulho, porque as forças do mal se prevalecem das fraquezas humanas para exercer o seu domínio.

Quando alguém se sente atribulado por um estado de angústia ou de ansiedade indefinível, ou mesmo de uma insatisfação interior sem causa conhecida, quer no estado de vigília, quer durante o sono, freqüentemente essa situação é conseqüência de contatos involuntários ou mesmo inconscientes com Espíritos imperfeitos, devido a circunstâncias criadas pelo próprio indivíduo.

A recomendação, portanto, é de se criar quotidianamente hábitos sadios para que eles inspirem permanentemente reações de paz, tranqüilidade, ponderação, segurança e amor. Eis por que, em todas as circunstâncias, é imprescindível reconhecer o valor da prece e da conversação edificante, para se ter a influência de bons Espíritos.

Equipe de Ensino FEESP
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