27 - VAIDADE

Vantías vanitatum, et omnia vanitas, ECLESIASTES
Este mundo, como planeta de categoria inferior, é um grande palco de vaidades onde se entrechocam as vítimas daquele mal. Dizemos — vítimas — porque realmente o são todos os que se deixam enredar nas malhas urdidas pelas múltiplas modalidades em que o orgulho se desdobra.

A vaidade sempre produz resultado oposto àquele a que suas vítimas aspiram, confirmando destarte a sábia assertiva do Mestre: Os que se exaltam serão humilhados. Se meditássemos na razão por que Jesus, no Sermão do Monte, primeiro contacto que teve com o povo, iniciou aquela prédica dizendo — bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus —, ficaríamos sabendo que a soberba, sob seus vários aspectos, constitui a pedra de tropeço que embarga nossos passos na conquista dos bens imperecíveis consubstanciados no reino de Deus.

Geralmente se costuma glosar em todos os tons a vaidade da mulher. E que diremos da do homem? A vaidade da mulher está na periferia, é inócua, quase inocente. Seus efeitos recaem sobre ela própria, não afeta terceiros; demais, o tempo mesmo se incumbe de corrigi-la, mostrando-lhe a ingenuidade de sua presunção.

E a do chamado sexo forte? Realmente, ao menos nesse particular a denominação assenta-lhe perfeitamente. A vaidade do homem é profunda, radica-se nos refolhos recônditos do seu coração. E' cruel, é feroz e sinistra em seus malefícios, cujos efeitos, por vezes, separam amigos, destroem povos e arruinam nações. A vaidade do homem tem feito correr rios de sangue e torrentes de lágrimas, estendendo o negro véu da orfandade sobre milhares de seres que mal haviam iniciado a existência.

Para comprovarmos o asserto, temos o testemunho da história do passado e a do presente. Que fizeram os tiranos ditadores de ontem e de hoje? Que fator, senão a vaidade, preponderou no ânimo dos Napoleões, dos Júlios Césares, dos Hitlers e dos Mussolinis, levando-os a desencadearem conflagrações, cada um na sua época, tripudiando sobre a vida humana, direito, a liberdade e a justiça? Diante, pois, dos flagelos e das hecatombes deflagradas pela vaidade masculina, que representam o "baton", o "rouge", o esmalte, as "permanentes"? Coisas infantis, íngenuidades!

Cumpre ainda assinalarmos aqui que os edificantes exemplos de humildade registados nos Evangelhos não tiveram nos homens os seus protagonistas, mas nas mulheres. Haja vista a atitude de Maria de Nazaré, já quando recebeu a investidura de Mãe do Cristo de Deus, já no que respeita à compostura em que se manteve, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos que se relacionavam com seu Filho, da manjedoura à cruz.

A figura quase apagada em que Maria se conservou é o pedestal de glória em que refulge seu adamantino Espírito, justificando assim a justeza e a propriedade da sentença do Senhor: Os que se humilham serão exaltados.

Dizem que as guerras também contribuem para a obra da evolução. E' certo que Deus sabe tirar das próprias loucuras, que os homens cometem, os meios de corrigi-los e aperfeiçoá-los; todavia, não é menos certo que Deus não precisa nem necessita de tais insânias para realizar seus desígnios.

A guerra, portanto, sendo uma calamidade, uma infração monstruosa das leis humana e divina, nada pode apresentar que a justifique. Como fruto do atraso moral, da cegueira espiritual e da vaidade dos homens, está condenada e proscrita pela consciência cristã revivida e proclamada pela Terceira Revelação.

VINICIUS

CIZÂNIA
RESISTÊNCIA AO MAL
VAIDADE