CONFIANÇA NA MEDIUNIDADE

Se cogitas contribuir na lavoura mediúnica ao comando de Jesus, desata as amarras que te constringem o espírito e asserena as torvações de modo a participares das lidas redentoras no serviço socorrista.

Se sentes lampejos psíquicos que te facultam o intercâmbio com as mentes desencarnadas, abre os braços ao amor e oferece-te, resoluto, laborando incansável.

Mediunidade é viaduto salvador entre os dois planos da vida, ensejando possibilidades imprevisíveis aos que transitam confiantes.

Acende a luz da oração no íntimo e deixa-te clarear pela bênção refazente que flui e reflui da comunhão com as Esferas Superiores, no colóquio da prece. Acende-a igualmente onde medrem sombras e reinem perturbações. Não te deixes impressionar pelo fenômeno puro e simples nem te permitas o desencanto pela ausência dos fatos insólitos e probantes através das tuas faculdades.

Honra e dignifica tuas forças psíquicas com a elevação de propósitos, ligado ao programa santificante da fraternidade cristã.

Nem os melindres ante aqueles que te desrespeitam as possibilidades medianímicas, nem as exaltações do entusiasmo em face dos informes recebidos e quase sempre mirabolantes.

Discretamente persevera nas leiras do auxílio anônimo, convertendo o próprio suor em linfa refrescante junto aos sedentos e aflitos da vida.

Se te parecem fracos e escassos os recursos dos registros espirituais, disciplina a mente, acura meditações, dulcifica sentimentos e ora afervorado.

Mediunidade a serviço de Jesus também é campo de experiências do amor.

Quando nada possas fazer, estanca lágrimas abrindo a boca e deixando que fluam os roteiros consoladores que dimanam do Alto.

Muitas vozes falarão da necessidade de desenvolveres as forças psíquicas e aprimorá-las. Tal é necessário. Todavia, mais fàcilmente exercitarás equilíbrio e harmonia mediúnica na conjugação da caridade por todas as formas possíveis.

Encontrarás, mesmo na grei a que te filies, companheiros severos que se dizem a serviço de seleção entre os médiuns. Não poucos diante de ti se imporão na condição de julgadores ardilosos e percucientes, humilhando as tuas melhores realizações. Fiscais intransigentes se arrogam o direito de apontar falhas e amargurar as horas dos que servem. Esquecem de que somente a verdade tem duração eterna. Precipitados, porém, estão no campo preocupados de tal forma com o joio, que imprudentemente despedaçam com ira o trigo bom, zelando, crêem, pela Seara da Luz ...

Não te preocupes com eles. Prossegue em silêncio. Há tanto sofrimento aguardando teus parcos recursos que se faz necessário multiplicar atenções e devotamento.

Ainda é destes dias o sarcasmo, a perseguição, a impiedade e a desconsideração aos médiuns.

Em todos os tempos eles provaram amarguras e malsinações sem conto.

Ainda ontem eram tidos como endemoninhados e ardiam como piras fumegantes.

A dúvida sempre os cercou, mesmo aos mais honnrados e puros.

Dá-te de coração às mãos do Senhor e deixa-te conduzir por elas.

A «mistificação» não será fantasma no teu camiinho, pois que, integrado ao bem, o próprio bem te é couraça de proteção.

Mas, se experimentares cruentas lutas íntimas ou rudes refregas que te cheguem de fora, recorda a semente - médium da abundância - que somente sacrificada no solo produz.

Judas, embora amando Jesus, deixou-se atormentar pela dúvida, apesar da vida integérrima do Amigo Divino. E não foram poucos os que apontaram Jesus como embusteiro e mistificador, não sendo raras as vezes em que Ele mesmo foi nominalmente convocado a «dar sinais», como se a sua vida não fôsse o mais eloquente testemunho da verdade.

Não te atemorizes nem te precipites.

Silencia as vozes da ansiedade ou do sofrimento e trabalha sem termo, até que te transformes em instrumento do amor a bem de todos aqueles que se misturam atônitos e agônicos nos dois lados da ponte da vida, esperando por ti.

Joanna de Ângelis