CONVERSANDO COM OS ESPÍRITOS
NA REUNIÃO MEDIÚNICA

I - DESDE OS PRIMÓRDIOS

Desde os primórdios, a humanidade busca se conhecer olhando para o invisível com curiosidade, respeito e devoção, e nesse exercício, além de todos os rituais criados pelo homem para reverenciar o sagrado, o intercâmbio mediúnico é prática antiga, recorrente em todas as épocas e lugares.

Os gregos e os romanos já o praticavam com suas pitonisas e oráculos; os indígenas nas Américas, com seus pajés e curandeiros, os profetas de Israel, as feiticeiras e os santos da Idade Média, os advinhos, os xamãs, os bruxos de todos os povos...

Perseguidos ou adorados, os médiuns em todos os tempos exerceram fascínio pelo seu poder de intermediar o mundo dos vivos e o dos mortos, mas só com Allan Kardec, no século XIX, é que a mediunidade vai ser estudada e regulada, dentro dos princípios científicos, mas, principalmente, resgatando o Cristianismo original, descortinando o mundo maior, com suas inúmeras moradas.

Conversando com os espíritos na reunião mediúnica revela, passo a passo, nos moldes da orientação de Allan Kardec, os meandros da mediunidade, os objetivos, as recomendações, e até alguns casos reais de comunicação com os espíritos.

II - APRESENTAÇÃO

O diálogo com os espíritos é uma das práticas que encontramos no movimento espírita, como decorrência do conhecimento que se tem sobre a existência dos espíritos e da possibilidade de com eles nos comunicarmos.

Ele está sempre acontecendo, nas inúmeras reuniões mediúnicas espíritas que são realizadas, diariamente, em todo o país.

E a orientação básica para realizá-lo vem das informações constantes da codificação kardequiana.

Desse diálogo usual e constante advém experiência valiosa sobre ávida transcendente, e os espíritas a procuram registrar e transmitir, para que todos dela tirem o melhor proveito.

Artigos, comentários, seminários, cursos e livros têm colocado, ao alcance dos interessados na prática do intercâmbio com o além, sugestões de como conduzir o trabalho dos médiuns e dar atendimento aos espíritos comunicantes.

Propósito assim, tivemos com nossos livros Mediunidade e Reuniões Mediúnicas. Neste último, tivemos oportunidade de examinar, em uma de suas unidades, "O Trato com os Espíritos".

Com base nessa unidade, nossa Casa Espírita tem realizado, anualmente, um "Curso de Dialogadores", visando preparar colaboradores para o atendimento aos espíritos comunicantes.

Muitos nos pediam, insistentemente, colocássemos esse curso por escrito. E' o que estamos fazendo agora, com desdobramento dos assuntos.

Na primeira parte deste livro, abordaremos o que é o diálogo, seus propósitos à luz do Espiritismo, quem dele participa e nele intervém.

Na segunda parte, foi indispensável colocar algum embasamento inicial no trato com os espíritos, para os leitores que não tiveram acesso à obra anterior.

Na terceira parte, esperamos enriquecer o tema com alguns exemplos de conversação proveitosa com os espí
ritos, que foram sendo colhidos entre os muitos diálogos realizados em nossa Casa, no decorrer dos anos.

Não trazemos grandes alterações nem maiores novidades, mas oferecemos a contribuição de quanto pudemos haurir, na literatura espírita existente a respeito e na prática perseverante do diálogo com os espíritos.

Seja este livro de algum interesse, para quem já labora na tarefa abençoada do diálogo com os espíritos em nosso movimento doutrinário, e para os que nesse campo querem se iniciar, e nos daremos por bem-sucedida ao escrevê-lo.

THEREZINHA OLIVEIRA


..CAPÍTULO 1 - CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

..CAPÍTULO 2 - O ANDAMENTO DO DIÁLOGO
..CAPÍTULO 3 - EXEMPLOS E CASOS