A MEDIUNIDADE E A LEI

NOTA PRELIMINAR

Os nossos penalistas, na elaboração do Código Penal vigente, principiaram, ao que parece, por planejar a extinção da prática mediúnica.

Mas a idéia primitiva dos legisladores foi um tanto abrandada; em vez da liquidação total da mediunidade, o que se proibiu foi a mediunidade curadora.

E para que não houvesse nenhuma frincha por onde pudessem escapar aqueles que vivem a preocupar-se com o bem dos outros, em vez de cuidarem de si, trataram os doutos juristas de não deixar respiradouro por onde pudesse tomar fôlego o taumaturgo.

Não poderá ele levantar o dedo para aliviar as dores do seu semelhante, que não caia imediata, quase automaticamente na canoa policial, na engrenagem legal, na repressão penal.

Em defesa do Código e da repressão surgiram vários panegiristas, os quais, de passagem, dada a feliz oportunidade, vinham de rijo, não só nos curandeiros, para eles mistificadores contumazes, senão ainda nos espíritas, igualmente burlões, quando não lamentàvelmente tolos.

Folhetinistas, penalistas, juízes, procuradores, tribunais, não deixavam, nos seus escritos, nos seus comentários, nas suas sentenças, nos seus pareceres, nos seus acórdãos, de defender a lei draconiana, de encomiá-la, de gabá-la entusiàsticamente, do mesmo passo que, como um complemento, verberavam a falsidade das curas e a velhacaria dos curadores.

As mais das vezes, por aproveitarem a cajadada, metiam na refrega os embustes das experiências psíquicas e os erros da Doutrina Espirita.

E' este o assunto de que nos vamos ocupar. Entrar em semelhante embrechado seria inconcebível temeridade, se não fora crermos, ainda, na misericórdia divina.

Carlos Imbassahy

I - A INTERVENÇÃO DE UM JURISTA
..Das contradições ao sobrenatural ..O erro e a ignorância
..Os preceitos do Cristo e as curas ..Sonhos
..O grande argumento  
II - MÉDIUNS E MÉDICOS
..A falibilidade da Medicina ..Curas mediúnicas
III - A LEI
..O curanderismo e a repressão ..A lei e a pena
..O crime ..A responsabilidade
..A nocividade ..A injustiça
..A última palavra ..Últimas considerações
IV - O ACÓRDÃO DA PRIMEIRA CÂMARA
..O baixo nível dos curadores ..A ignorância do médium
..A inspiração do Espírito.A cura e a fé. ..As religiões e as curas
..A incapacidade. As alterações físicas ..Incapacidade absoluta
..A incapacidade em geral ..O aspecto normal nos casos mediúnicos
..A voluntariedade da ação ..Enganos incompreensíveis do Espírito
..Mistificadores e criminosos ..A infalibilidade da Medicina
..Enganos de várias ordens ..Realidade das experiências
..Bebedice e fenomenologia ..Cientistas citados
..Visão ..Premonição
V - OUTROS ACÓRDÃOS
VI - COMENTÁRIOS AO CÓDIGO PENAL
VII - TERMINEMOS