VISÃO ESPÍRITA NAS
DISTONIAS MENTAIS

INTRODUÇÃO

O Espiritismo ainda é o grande desconhecido. E, por ser desconhecido, é avaliado do modo mais desencontrado possível. Os seus opositores, na maioria das vezes, pouco sabem de sua estruturação filosófica, científica e ética.

O combate, quase sempre, é gratuito. Existem casos de aversões, com certa dose de medo, desencadeados por informações defeituosas e sectaristas. Em dias que não se vão longe a visão deturpada alcançou tal ponto que alguns chegaram a acreditar ser o Espiritismo fábrica de debilidade mental. Hoje, entretanto, já não existe tal procedimento, ao menos nos que raciocinam, observam e estudam. Os hospitais espíritas, em suas estatísticas, têm mostrado posições animadoras com os doentes mentais pela utilização de terapêutica eclética e os novos horizontes dos métodos alternativos, sem descaso pelo que já foi conquistado pela ciência.

Espiritismo é doutrina dos novos tempos, com a mais perfeita estruturação psicológica que se tem conhecimento. Representa uma verdadeira renascença para as idéias universalistas. É doutrina simples de apresentação e complexa em sua essência por açambarcar todos os campos do conhecimento humano. Os seus conceitos, além de alcançarem a realidade do dia-a-dia, oferecem condições e valores ideais para a conduta humana.

A finalidade do Espiritismo é a busca de conhecimentos do mundo espiritual e suas manifestações na dimensão física naquilo que se possa alcançar. Sabemos que, com a nossa intelecção, percebemos muito pouco. Bem claro que o nosso psiquismo não se encontra parado; ele avança, cada vez mais, no programa evolutivo da vida, o que propicia progresso em nossas percepções.

O relacionamento entre os dois mundos (físico e espiritual) é acontecimento bem habitual, mostrando-se com espontaneidade ou mesmo em condições adrede preparadas. Tem por finalidade precípua a instrução e conhecimento de outros horizontes da vida. Nossa visão, ao lado de outros sentidos, muito pouco arrecada do meio em que vivemos, e não pode representar a medida das coisas, embora estejamos avançando no mecanismo evolutivo.

O processo evolutivo, que em última análise será ascensão de psiquismo, atinge a todo ser vivo, basicamente em suas estruturas espirituais. Com isso, os Espíritos, quer encarnados ou desencarnados, variam em seus conhecimentos, de acordo com o grau evolutivo em que se encontram. Asseverou Kardec com precisão: "Essa diversidade na qualidade dos Espíritos é um dos pontos mais importantes a considerar, porque ela explica a natureza boa ou má das comunicações recebidas; é em distingui-las que devemos empregar todo o nosso cuidado."

A soma imensa de fatos corretos atados ao intercâmbio mediúnico nos fala de modo inconcusso e cabal da imortalidade. Fatos que tais, jamais devem ser encarados como sobrenaturais; são fatos naturais que obedecem às apropriadas leis das relações do mundo visível com o chamado invisível. Em tempos outros foram considerados fatos sobrenaturais pela ignorância e pelo fanatismo.

O Espiritismo, possuindo angulação científica, procura estudar e entender o conteúdo de relacionamento entre as dimensões físicas e espirituais, que são de todos os tempos da história da humanidade. São estudos do mais profundo interesse científico, de benéficos resultados no alargamento dos horizontes da psique humana, possuindo métodos com específicas adequações.

O Espiritismo não se detém em exclusiva angulação científica. Quando reformula, conceitua e interpreta os aspectos do fenômeno, mostra o seu valor filosófico em outro parâmetro.

Um terceiro aspecto do Espiritismo se revela na ética religiosa quando aproveita os efeitos científicos e filosóficos sobre a imortalidade, reencarnação, intercomunicação espiritual e fatos outros, de modo a propiciar um íntimo estado de religiosidade estruturado dentro de uma verdade patente - a fé em ação. Assim, o Espiritismo, sem ser uma religião constituída, sem dogmas, liturgias ou objetivações da divindade, possibilita o raciocínio desse conjunto de valores psicológicos alicerçados em leis inteligentes. Com isso, avançam as relações humanas para com a Divindade, fazendo integração em parâmetro moral, onde o sentido religioso será sua efetiva expressão.

Todo esse bloco de idéias espiritistas desemboca no estuário da imortalidade, cujo sustentáculo encontra-se no mecanismo evolutivo. Para que o processo de imortalidade se afirme, haverá necessidade dos períodos de renovação, a fim de existir perpetuidade do influxo da vida. As renovações se dariam sem modificações da essência do processo, com aquisições e as constantes ampliações que as experiências através das eras podem propiciar. As renovações se expressarão, diante da lógica dos fatos, perante as etapas de morte e nascimento na matéria, isto é, diante do processo reencarnatório e desencarnatório.

Em face de tal procedimento, a essência espiritual continuará sempre a mesma, embora crescendo em aquisições mediante o rosário reencarnatório. Lógico que no processo reencarnatório estaria a "chave-mestra" explicativa do infinito impulso da vida. Reencarnação que se passará em todos os níveis, adaptada às diversas categorias fenomênicas; em cada grau de vida existirá o seu próprio tipo de renovação. Onde se manifeste a vida, aí existirá a imortalidade, o campo energético imortal afirmando-se diante do processo renovatório da reencarnação.

Alhures assim nos expressamos: A idéia palingenética (reencarnatória), que atravessou a humanidade com todos os matizes das respectivas épocas, nos dias de hoje desloca-se francamente da filosofia, em busca dos capítulos da biologia. Acreditamos, mesmo, que esse será o caminho pela necessidade lógica de explicar hoje muitos fenômenos da vida. É claro que essas idéias se assentaram nas judiciosas pesquisas e experimentos de Crookes, Mayer, Hodgson, Geley, Schrenck-Notzing, Delanne, Flammarion, Osty, Bozzano e muitos outros. Vilela, em seu livro "O destino humano", disse que" ( ...) a doutrina palingenética tem um poder de síntese tão maravilhoso que equilibra o sentimento e a razão numa harmonia superior. Ela impõe-se ao nosso espírito com a lucidez imperiosa dum axioma e a intuição profunda - visão divina - que o pensamento não sabe modelar, nem a palavra pode traduzir. Essa demonstração encontra-se em cada um dentro de si".

A palingênese, pela lógica que encerra, é de grande aceitação na atualidade, quando a compreensão humana atinge horizontes mais amplos. Uma idéia que suporta milênios, e fazendo parte das civilizações mais antigas da Terra, e penetrando intelectualidades de elite, tem que possuir em sua essência um estofo de perfeição e poderosos alicerces com algo interessante e real. Isto, seria racional, tão pleno de lógica, praticamente respondendo por uma prova dentro do campo filosófico.

A reencarnação (palingênese) é assunto tão antigo que as várias civilizações reconheciam-na como verdade, não só nos setores da religião, mas também da filosofia. Nos papiros egípcios as vidas sucessivas representam asssunto costumeiro. Nos Upanishads e no Bhagavad-Gitâ são alicerces do pensamento. Heródoto, em suas descrições, tratava o assunto com familiaridade. Os essênios, os chineses e japoneses, os escandinavos e os germanos, desde que se organizaram como povo, tinham a reencarnação como natural e lógica. Na Kabala e no Talmude, a idéia palingenética é baseada em seus conceitos religiosos. No próprio Alcorão e no Evangelho, a reencarnação é assunto fartamente divulgado e perfeitamente compreensível. No Evangelho de João existe expressiva passagem (3:3) da visita de Jesus a Nicodemos: "Não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo." Mais adiante (3:7): "Não te maravilhes por eu te dizer: importa-vos nascer outra vez."

Os filósofos gregos de maior envergadura, inclusive a escola pitagórica, tinham a reencarnação como verdade e conceito definido, único capaz de elevar as razões filosóficas do destino humano. Em Ovídio e Cícero o fenômeno reencarnatório é ventilado com naturalidade e razão pura.

Os filósofos mais recentes como Hume, Leibnitz, Schelling, Schopenhauer, escritores como Goethe e todos os pensadores que no século passado construíram as bases do espiritualismo, com trabalhos de honesta comprovação, apoiam a palingênese, não só como fenômeno aceitável, mas, principalmente, como necessidade lógica.

O fenômeno reencarnatório oferece condições que traduzem a evolução como infinita, sem privilégios, de conquista lenta e harmoniosa, sendo a dádiva de todos pelas aquisições adquiridas através dos tempos. A palingênese é o único processo que assegura o porquê da imortalidade da alma, a razão da pluralidade das existências e dos mundos com suas imensas formas e moldes evolutivos. Com isso, em nosso planeta, alcança todos os reinos da Natureza, com as nuanças que lhe são próprias. Do mineral ao vegetal e ao animal, a palingênese é a palavra unificante e de ordem, única capaz de explicar a razão de ser da vida em seus multifaces aspectos.

Somente a reencarnação poderia explicar o desequilíbrio e a divergência das condições dos nascimentos, com toda a seqüência de fatos sociais que se impõem. Todo ser será justificado em face das suas próprias obras. As experiências, realizações, emoções positivas ou negativas, faltas, tudo enfim repercutirá no próprio EU. O resultado estará ligado à conduta de cada um, e, para que a evolução se positive, só o trabalho e esforço tem sentido e significado reais. Não importa como uma bandeira religiosa possa oferecer a salvação; esta representa, exclusivamente, a aquisição de cada um nas realizações e cumprimento de deveres. O aspecto externo, o que aparenta, o que se diz e afirma, nada representa em face do se faz e do que se constrói e cria.

A desigualdade dos seres só poderá ser explicada como escala evolutiva, e todos, sem privilégios nem exceções, passarão pelos mesmos roteiros e oportunidades, não importando a época, porquanto a eternidade não poderá ser medida nem avaliada com a nossa mente finita; só haverá sentido nas obras criadas e realizadas. Quem nada fez, ou trabalhou com potências negativas, continuará rastejando, aguardando as realizações e suplantações de todas as condições do plano onde se encontra. A evolução de cada ser, em busca de um ideal, só poderá existir com a divergência de degraus evolutivos - os que ensinam e administram encontram-se ao lado dos que aprendem; estes, por sua vez, serão os orientadores do porvir.

Fator de discussão e muita incompreensão é o esquecimento das vidas passadas. O esquecimento pregresso do encarnado, este bem maior da vida, seria um véu equilibrante evitando as naturais desarmonias se participássemos das outras vivências passadas; nossa atual cerebração não suportaria tamanha carga de emoções, que impediriam novas construções psicológicas. Isto porque, no estágio evolutivo de nível inferior em que nos encontramos ainda, este proceder é praticamente um bem, uma proteção, pela nossa capacidade de avaliação dos horizontes e alcances da vida. Todas as atividades têm conseqüências e os esquecimentos temporários determinados pelas vivências nas personalidades, longe de serem interpretados como fator negativo, reforçam e sustentam a moral palingenética.

Vêm corroborar, no caráter moral da questão, as divergências das aptidões humanas, onde anotamos casos de gênios precoces, cuja única explicação seria a continuação de condições adquiridas em etapas anteriores, jamais como resultado direto da herança cromossômica. Se a herança fosse exclusivamente resultado do jogo cromossomial paterno e materno, os gênios, os grandes dotados de aptidões, seriam aqueles que apresentariam um sentido prolífico maior. No caso, a natureza possuiria o esquema de suas defesas, os mecanismos para que a evolução se afirmasse, cada vez mais, protegendo o que fosse melhor.

Assim, os inteligentes, os artistas, os mais capacitados seriam os vanguardeiros da procriação, o que realmente não acontece. Os mais prolíficos são os menos dotados. Isto seria contrário ao sapiente e conhecido poder do aproveitamento da evolução.

Ainda nessas mesmas idéias, os jovens são os que possuem melhores condições procriativas em comparação com os mais velhos. Entretanto, os mais velhos apresentam melhores aptidões, até mesmo em dose superlativa em comparação com os jovens, na herança dos caracteres psicológicos, intelectuais e experiências morais. A evolução terá que se valer e aproveitar outros mecanismos, outros caminhos seguros, a fim de conservar seus valores; a chave explicativa estaria na reencarnação, onde não haverá perda, por menor que seja, no processamento da herança.

Mozart, aos 4 anos, executa sonatas e aos 11 anos torna-se compositor. Miguel Ângelo, aos 8 anos, foi dado como completo na arte da pintura pelo seu mestre. Pascal, aos 13 anos, já era conhecido matemático e geômetra. Victor Hugo revelou-se, literalmente, aos 13 anos. Liszt, menino ainda, já era considerado grande intérprete da música; aos 14 anos havia produzido uma pequena ópera. Hermógenes, aos 15 anos, ensina retórica a Marco Aurélio. Leibnitz, aos 8 anos, conhecia o latim sem mestre e, aos 12, grego. Gauss resolvia, aos 3 anos, alguns problemas de matemática. Giotto, criança ainda, traçava esboços plenos de arte e beleza, e Rembrandt já era pintor antes de aprender a ler. Aos 10 anos, Pic de la Mirandola era respeitado pelos conhecimentos que possuía do latim, do grego, do hebraico e do árabe. Trombetti, que conhecia perto de 300 línguas, entre dialetos e idiomas, aos 12 anos manuseava com facilidade, o alemão, francês, latim, grego e hebraico. Van de Kefkhore, falecido aos 11 anos, deixou 350 quadros dignos de apreciação artística. O talento musical de Beethoven fora reconhecido aos 10 anos. Pepito de Ariola, aos 4 anos, tocava árias com maestria e foi objeto de estudo pelo professor Richet.

A prova científica é o marco de que não podemos prescindir jamais, porque a reencarnação explica todas as dúvidas biológicas e, mais do que isto, amplia os conceitos e dá um sentido harmonioso às questões científicas. Dizia Geley que a palingênese é provavelmente um fenômeno verdadeiro:

1) está de acordo com todos os nossos conhecimentos científicos atuais e sem contradizer nenhum deles;

2) dá a chave de uma variedade imensa de enigmas psicológicos;

3) está apoiada em demonstração positiva.

Se colocarmos o fenômeno palingenético no mecanismo evolutivo, a vida passa a nos dar um sentido de grandeza e finalidade. A aquisição do espírito humano deve representar a elaboração de milhões de milênios em experiências variadas e desconhecidas, não ficando fora do quadro as vivências nos minerais, nos vegetais e animais. "O homem e seu cérebro atual não representam o remate da evolução, mas um estágio intermediário entre o passado, carregado de recordações animais, e o futuro, rico de promessas mais altas. Tal é o destino humano." (Leconte de Nouy.)

A prova científico-experimental da reencarnação, a de maior importância, teria um aspecto duplo. O primeiro, ligado à fenomenologia mediúnica com todas suas nuanças, cujos relatos e estudos os psicologistas e biologistas não têm o direito de desconhecer. Hoje, os fatos mediúnicos estão sendo revisados e mais bem adaptados aos conhecimentos hodiernos em virtude, principalmente, da queda que os audaciosos postulados materialistas têm sofrido com a apresentação da matéria como energia concentrada. Os fatos e manifestações mediúnicas estão fartamente registrados por toda história dos povos que constituíram civilizações. Em nossa época da história contemporânea, Allan Kardec, o sistematizador, em cuidadosos estudos, oferece à humanidade o significado integral da mediunidade. William James, pai da pragmática, concita os investigadores à verificação de fatos e relatos dignos de fé. O professor Ochorowicz, da Universidade de Lemberg, rendeu-se diante dos estudos e experiências sobre materializações realizados por William Crookes, os quais combatia fervorosamente. Masucci e Wallace ficam vencidos diante das realidades da vida espiritual. César Lombroso aceita a imortalidade, com a palingênese, após longas e minuciosas experiências.

O segundo aspecto da prova experimental foi-nos dado com o valioso auxílio da hipnose, no campo ainda pouco explorado das regressões de memória, porém consolidado com as organizadas e detalhadas experiências de vários pesquisadores.

A regressão de memória, utilizada com valor científico pela hipnose, foi conseqüência das observações de pacientes que reviviam, espontaneamente, cenas e quadros pretéritos, devidamente comprovados, fenômeno esse denominado por Pitres de ecmnésia. Com esse acervo de fatos, nasce a pesquisa de regressão de memória, atingindo etapas palingenéticas pretéritas, com auxílio da hipnose, cabendo como citação primeira as experiências de Fernando Colavida, em 1887. Flournoy, professor de psicologia em Genebra, deu interessantes contribuições aos estudos em apreço. Charles Lancelin, Comillier, Léon Denis comprovaram os fatos e ampliaram as pesquisas a respeito. Pierre Janet estuda a fenomenologia e refere fatos de interesse, embora combatendo-os. Albert de Rochas, fazendo experiências sobre a exteriorização da motricidade e da sensibilidade, penetrou o terreno das regressões de memória, onde catalogou, de 1892 a 1910, 19 casos.

O problema da regressão de memória, perfeitamente comprovado, não está indene de dificuldades nem erros de interpretação, onde certos e determinados pacientes, possuidores das qualidades mediúnicas, podem absorver pensamentos de outras pessoas presentes ou ressuscitar cenas e quadros, se condições de psicometria forem evidentes. Gabriel Delanne, com apuro científico, retrata bem as dificuldades neste setor: "Somos obrigados, nestas pesquisas, a estar em guarda, em primeiro lugar, contra uma simulação sempre possível, se temos que lidar com indivíduos profissionais; em segundo lugar, mesmo com sonâmbulos perfeitamente honestos, convém desconfiar de sua imaginação, que corre muitas vezes livremente, forjando histórias mais ou menos verídicas, a que o professor Flournoy deu o nome de romances subliminais. Essa espécie de personificação de indivíduos imaginários foi freqüentemente produzida, entre outros, pelo professor Richet, que a designou com o nome de objetivação de tipos."

A pesar disso, não podemos deixar de reconhecer o valor científico e experimental de casos que traduzem perfeitamente essas idéias. Nesse grupo podemos incluir os experimentos de Flournoy com a médium Helena Smith, que forneceu provas inconcussas da reencarnação; os trabalhos de Russel Davis, o caso de Laura Raynaud relatado pelo Dr. Gaston Durville, de Katherine Bates e da senhora Spapleton, citados, ao lado de muitos outros, por Léon Denis.

Autores modernos estão fazendo renascer o método com bons critérios psicológicos. Neterton, nos Estados Unidos, possui um bom cabedal neste sentido. No Brasil, muitos psicólogos e médicos estão trabalhando com o processo regressivo, e já com expressivos resultados no campo terapêutico, porquanto o processo propicia uma verdadeira catarse. Salientamos, em S. Paulo, os trabalhos da Dra. Maria Júlia Peres e, na Bahia, as pesquisas cuidadosas da Dra. Ruth Brasil Mesquita.

Pelo visto, o processo reencarnatório encontra amparo em muitos alicerces: o científico, o filosófico e o ético.

Nas oscilações do processo de renovação, isto é, no dinamismo reencarnatório e desencarnatório, estaria a grande lei reguladora e equilibradora da vida - a Lei de Ação-Reação. A vida necessita de lastros, de experiências, de aquisições que os fatores do meio podem oferecer. Absorvemos experiências de toda ordem, de acordo com a sintonia que manifestamos, positivas ou negativas. Assim, a zona ou campo espiritual poderá estar envolvido nas malhas de fatos gratificantes e construtivos, ou de fatos reconhecidamente depreciativos. A lei reguladora, lei de ação-reação, será precisa nas conseqüências como resultado do impulso de nossas ações. André Luiz, autor espiritual do livro "Evolução em Dois Mundos", apresenta referência digna de nota: "( ...) enquistações de energias profundas, no imo de nossa alma expressando as chamadas "dívidas cármicas", por se filiarem a causas infelizes que nós mesmos plasmamos na senda do destino, são perfeitamente transferíveis de uma existência para outra. Isso porque, se nos comprometemos diante da Lei Divina em qualquer idade de nossa vida responsável, é lógico venhamos a registrar as nossas obrigações em qualquer tempo, dentro das mesmas circunstâncias nas quais patrocinamos a ofensa em prejuízo de outros."

A cada ação, seja de que natureza for, existirá sempre a proporcional reação-resposta com toda a gama de fatores a ela subordinados. Quando as ações estão guindadas no bem, as reações psíquicas se desenvolvem em gratificações nos campos das emoções e sensações; se estão relacionadas com a maldade e desequilíbrio, as respostas estarão sempre em posições coercitivas e quase sempre acompanhadas de dores, quer físicas ou morais. Com muita precisão a Doutrina Espírita nos diz que a sementeira é livre, porém a colheita é obrigatória, não importando o tempo-resposta, se imediato ou tardio.

É dentro dessa lei de equilíbrio que a vida se vai construindo e mostrando nas etapas de renovações (ciclo-reencarnatório) as respectivas respostas. As reações-respostas (reações cármicas), sejam de que natureza forem, representarão sempre lastros experienciais e impulsionadores do Espírito. Este carregará sempre as ânsias de seus impulsos perenes em se harmonizando com as devidas e precisas leis. Nesse processo de reações cármicas devemos considerar, não propriamente uma posição determinista, porquanto ação e reação estarão atadas a processo de consciência (caso dos hominais), onde o uso do livre-arbítrio (reduzido nos involuídos e ampliado nos mais evoluídos) mostrará graus opcionais variáveis.

No jogo da grande lei cármica o desenvolvimento do bem poderá atenuar as reações-respostas de certos endividados pretéritos. O determinismo será preciso no involuído (ausência de responsabilidade); no mais evoluído, onde o fator responsabilidade é regulador do processo consciencial, haveria as naturais variações de acordo com o grau de conhecimento.

Por tudo, os efeitos da Lei seriam proporcionais ao grau de responsabilidade que o ser carrega. Toda resposta cármica terá de ser entendida, sempre, como processo corretivo educacional, jamais uma exigente punição.

Evoluímos com as forças do bem, que tendem a dominar as forças negativas. As primeiras estão à frente retificando e orientando as segundas. O ciclo de evolução jamais será fechado, mas, sim, aberto, representando uma espiral em constante ampliação, progredindo ao infinito à medida que os lastros de experiências se vão adestrando e incorporando-se nas fontes dos impulsos do Espírito. Digamos que existiria um campo impulsionador da evolução no centro da espiral que se desloca, progredindo com esta, estabelecendo um ajustado e preciso comando. Por maiores que sejam as oscilações da linha espiral, estariam sempre subordinadas ao campo central-diretor que busca, continuamennte, novos parâmetros.

O Espiritismo, como bandeira ideal para uma filosofia de vida, oferece condições inigualáveis na formação de valores criativos que as fontes do nosso psiquismo de profundidade (Espírito) podem realizar. Aqueles que penetram, com fé raciocinada, nas razões da vida, produzem e criam, tornando o homem feliz. A felicidade não está relacionada diretamente aos fatores externos que o homem vai descobrindo, mas, sim, aos valores que ele vai criando. Os fatores externos são quantidades muitas vezes necessárias na composição do dia-a-dia da vida, porém, jamais, suplantados pelas qualidades dos valores criativos; os primeiros são impessoais e vagos, os segundos, pessoais e autênticos; os primeiros, atados ao psiquismo de superfície, os segundos, estruturados no Espírito; os primeiros são reflexos do intelecto ou psiquismo de superfície, os segundos, resultado da intuição ou psiquismo de profundidade.

A Doutrina Espírita abre os caminhos da vida ampliando horizontes e mostrando as luzes de um futuro promissor. Na vivência de seus conceitos, pela união e cooperação, encontraremos a tão decantada harmonia de um sadio universalismo.

Dr. José Andréa

CAPÍTULO I

PSIQUISMO HUMANO: CONSCIENTE...

CAPÍTULO II

BIÓTIPOS PSICOLÓGICOS....

CAPÍTULO III

DOENÇAS MENTAIS...