UM CASO DE DESOBSESSÃO

Um caso de desobsessão

Determinada pessoa debaixo de terrível perturbação espiritual foi conduzida a um centro espírita na esperança de que ali a criatura pudesse ser atendida devidamente, esclarecendo-se o Espírito obsessor.

Com efeito, o presidente do centro à frente de um grupo de médiuns bem abnegados levou horas a fio atendendo aquele caso, na tentativa de doutrinar a entidade perturbadora.

Tudo foi feito: preces, palavras amorosas, esclarecimentos fraternos, passes magnéticos.

O obsessor, porém, se mantinha irredutível. Era um Espírito muito endurecido. Não se comovia, não queria de modo algum deixar de atormentar a vítima, que se debatia, urrava, ameaçava destruir tudo e todos.

Lá pelas tantas, já um tanto esfalfados os médiuns e o presidente, vendo que nada conseguiam, resolveram chamar em socorro da vítima uma senhora rezadeira, que morava ali por perto do centro.

A pobre da benzedeira, que jamais transpusera aquela porta, veio meio acanhada, meio sem jeito. Veio porque fora convidada para fazer uma caridade.

E, tendo vindo, viu o estado lastimável em que se encontrava a doente.

Então proferiu um Pai Nosso com tanto sentimento, com tanta pureza de intenção, com o rosto banhado em lágrimas de viva emoção, que para logo o Espírito se aquietou, reconheceu seu erro e, tendo também chorado copiosamente, prometeu afastar-se da enferma que, de fato, passou a apresentar sensível melhora.

Quer dizer, a cura deu-se em questão de uns 15 minutos, se tanto.

Ao sair, a benzedeira se explicou com voz envergonhada:

"— Pois é, gente... quando foram me chamar, eu até fiquei com receio de vir. É que hoje de manhã, porque fizesse muito frio, eu tomei dois tragos de cachaça!"

É claro que, dizendo isto, não estou dizendo que se deva tomar cachaça para ter forças na hora de doutrinar um obsessor.

Aguardente não faz bem a ninguém em circunstância alguma! Médium ou não — cada qual deve viver bem longe dos alcoólicos. E' socorrer, na medida do possível, os alcoólatras.

Também devo deixar claro que a mim me falecem condições de avaliar as qualidades morais do presidente do centro e dos médiuns que tentaram esclarecer a entidade obsidente.

Não tenho a menor dúvida de que eles de fato deram o melhor que havia em seus corações nobres e voltados para o Bem!

Tudo fizeram para ser úteis e isto não se pode de modo algum deixar de ser ressaltado!

No entanto, aquela humilde rezadeira deu tanto amor, veio com tanta pureza, estava revestida de tanta força moral, que conseguiu, mercê de Deus, asserenar aquele Espírito sofredor que estava causando sofrimento. Extraia você, leitor amigo, deste caso as melhores conclusões!

Celso Martins