DINÂMICA DA PALAVRA

Instado a falar, deixa que os lábios se te enfloresçam de esperança e alegria, com que esparzirás a palavra no rumo dos corações em ansiedade.

Apesar de te encontrares sob a cruz dos testemunhos silenciosos, desvela o teu céu estrelado de fé e clarifica com o verbo gentil as almas que te buscam em sombras e aturdimento.

Embora não te encontres em gozo de saúde ou experimentes as injunções da crueldade alheia que te aflija, entretece considerações sobre o equilíbrio, conclamando ao otimismo.

Nunca exumes temas esquecidos, cadaverizados, trazendo-os ao comentário pessimista, nem agasalhes as sugestões que induzem a apreciações deprimentes.

De forma alguma sustentes conversações acusadoras, repassando lances da vida do próximo com azedume ou apodo.

Todo problema alheio merece o nosso respeito.

Coloca a tua expressão verbal a serviço da renovação e do entusiasmo das criaturas que te cercam.

O incêndio da maledicência necessita da água do silêncio para apagar-se.

O azorrague da perseguição aguarda a atitude cordata para cessar.

A agressão devastadora desaparece diante da não-violência tranquila.

Se te chegam ao conhecimento censuras e invectivas contra tua pessoa, silencia e perdoa.

Se te alcançam estremunhamentos e acusações injustas, cala e desculpa.

Se te chocam os golpes da impiedade ou os da gratuita perseguição, prossegue no bem e compreende.

Não lamentes os que te deixaram à margem ou que se voltam contra ti.

Se insistes no dever, vão-se aqueles, mas outros virão.

Sempre que colocado na posição de quem fala, mede os teus conceitos e expende-os carregados de emoções felizes.

Com a palavra induzirás à paz ou fomentarás a guerra.

Falando e agindo, Jesus deixou-nos um legado que o tempo não venceu, permanecendo como uma constelação de astros a iluminar a noite de todos os evos, futuro em fora, inapagáveis.

Joanna de Ângelis