A GRANDEZA DO TEMPO

A GRANDEZA DO TEMPO

Usualmente definimos o tempo como a duração das coisas e pessoas, sucessão dos dias, horas, minutos ou, ainda, o período que une dois acontecimentos. O tempo, em sua diversidade, não é igual para todos. Muitas vezes passa célere, deixando-nos aturdidos ante os acontecimentos que não podemos controlar... De outras vezes, lentamente, retardando nossa vida, como se estivéssemos parados como meros expectadores diante o que nos sucede. E, não raras vezes, ficamos ansiosos desejando que os minutos e horas corram para que possamos assistir ao que nos aguarda nas fronteiras da vida...

Condicionamos o tempo aos acontecimentos da existência, dividindo-o em faixas etárias e estabelecendo tempo para estudar, para amar, para casar, para trabalhar, para descansar, para meditar no que se fez; enfim, muitas atitudes ficam perdidas no tempo sem nenhuma conotação aparente com o que nos sucede no momento atual.

Quando já amadurecidos pelo conhecimento espírita, podendo vivenciar o Evangelho de Jesus, é sempre tempo de trabalhar, de recomeçar, de se arrepender, de reparar, de lutar por dias melhores, de perdoar, de amar...

O tempo é tão importante para nós, Espíritos imortais, que perdê-lo significa não conseguir nunca mais recuperá-lo nas mesmas condições e será sempre muito importante saber usá-lo com sabedoria, pois ele irá determinar como estaremos vivendo em nosso futuro.

O tempo é muito generoso quando sabemos entendê-lo e também cura muitos males. Basta ter paciência, saber esperar o momento oportuno. A vida terrena é muito rápida comparada à eternidade do Espírito. Não dispomos de muito tempo em cada reencarnação e temos que usufruir ao máximo a oportunidade que nos foi concedida para nosso progresso espiritual.

Em O Livro dos Espíritos, questão 240, Allan Kardec indaga aos Espíritos superiores sobre o tempo: "A duração, os Espíritos a compreendem como nós?". Obtendo como resposta: "Não e daí vem que nem sempre nos compreendeis, quando se trata de determinar datas ou épocas". E Kardec elucida: "Os Espíritos vivem fora do tempo como o compreendemos. A duração, para eles, deixa, por assim dizer, de existir. Os séculos, para nós tão longos, não passam, aos olhos deles, de instantes que se movem, na eternidade, do mesmo modo que os relevos do solo se apagam e desaparecem para quem se eleva no espaço".23KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.

Os Espíritos vivem em outra dimensão. Têm constituição específica e, por serem incorpóreos, não ocupam um espaço físico percebido pelos nossos sentidos. Quando estudamos o perispírito e suas propriedades, entendemos como são diferentes nossos padrões de medida e percepção dos estabelecidos no plano espiritual. A Ciência tem avançado bastante no campo da Física, coerente com os ensinos dados pelos Espíritos por meio das obras psicografadas, principalmente por Chico Xavier, com abordagens profundas no estudo da energia e dos fluidos, mas estamos muito distanciados, ainda, da compreensão maior do que realmente acontece nesta outra dimensão de vida.

Agora que já adentramos na etapa final de nossas vidas, o tempo vai se tornando mais valioso. Já conseguimos auferir valores com maior discernimento.

Nestas reflexões acerca do tempo, recordamos tantos fatos ocorridos e as inúmeras vezes que ouvimos de corações amigos sábias advertências convidando-nos a aguardar mais um pouco, não nos precipitarmos, esperar pacientemente o tempo passar... Quando você sofrer alguma injustiça ou for alvo de censura, sendo mal interpretado em suas atitudes, lembre-se de que o "tempo é o melhor advogado de defesa" e aguarde... Ele irá apagar as lembranças inoportunas, os aborrecimentos, as mágoas...

Nem sempre podemos agir dessa forma. Muitas vezes temos de tomar posições ante as lutas do dia a dia, para não sermos omissos, principalmente quando se trata de defender ou ajudar nosso próximo. Contudo, em causa própria, a melhor conduta é o silêncio, a espera, deixar que o tempo abençoado nos faça ver melhor as coisas, os acontecimentos.

Quando estamos no meio do nevoeiro, não distinguimos nada em torno de nós. Assim, também, quando estamos vivenciando os acontecimentos, não estamos fora do tempo, não podemos visualizar melhor o que nos acontece, como proceder sem complicar, ainda mais, nossas vidas.

O melhor a fazer é dar um tempo, esperar que as coisas se esclareçam.

Esta atitude não é omissão ou irresponsabilidade. É fruto da serenidade íntima com a qual devemos atender aos impositivos da vida.

Prossigamos trabalhando, cumprindo nossos deveres, e deixemos que o tempo modifique nossas disposições íntimas ante os fatos que não podemos mudar.

Aconselha-nos Joanna de Angelis:

São os problemas solucionados que proporcionam maturidade e harmonia íntima. Sem eles, como exercícios, torna-se improvável o êxito. [...] A felicidade é, portanto, uma forma de viver e, para que se torne permanente, é necessário que seja adquirido o nível de consciência do espírito, e isto começa quando se descobre e se atenta para o que realmente se deseja da vida além dos níveis imediatos do gozo e do prazer.

A conquista deste estágio dependerá unicamente de nosso esforço e vale a pena lutar, enquanto é tempo, na busca do que constitui, realmente, a felicidade.

LUCY D. RAMOS