AS ESTAÇÕES DA ALMA

AS ESTAÇÕES DA ALMA

Leon Denis, o magistral filosofo-poeta do Espiritismo, menciona, em seu belo livro O grande enigma, que as diferentes idades são "verdadeiras estações da alma, que dão, cada uma por sua vez, suas flores e seus frutos".

Nessa perspectiva podemos ampliar nosso pensamento, compreendendo que a trajetória evolutiva do Espírito, desde a sua criação, também passa por estações diversas, com a diferença, porém, que ele está caminhando no rumo da luz.

Assim, o Espírito em sua jornada parte da penumbra da ignorância para a claridade do alvorecer que o conhecimento proporciona. Essa a destinação de todos nós.

E Denis acrescenta: "Todo ser já existiu; renasce e sobe, evolve assim em uma espiral, cujas órbitas vão aumentando cada vez mais".

Essa idéia sempre me pareceu extremamente bela e reconfortante.

Por maiores sejam as lutas e dificuldades, o Espírito lenta e gradualmente caminha.

À medida que a compreensão do sentido da vida, em sua expressão transcendente, se dilata, tornando-se consciente, os passos se tornam mais firmes e decididos, porque esperanças novas lhe aquecem a alma e a alegria de saber cada vez mais o estimula a novas conquistas espirituais.

Sim, somos viajantes das eras, das estações que criamos nesse sem tempo que a imortalidade nos faculta.

Lendo Lucy nos suaves, belos e instrutivos capítulos deste livro, reencontro comigo mesma - o que deve acontecer com cada um que venha a ler estas páginas -, pois imagino que as luzes do entardecer da vida terrena, na realidade, suscitam a manhã que não tarda e cujo prenúncio em breve se avizinha.

O inverno nos remete à primavera e à certeza do verão, cujo brilho se perpetua no vir-a-ser de todos os Espíritos.

Lucy é feliz: descobriu, na sabedoria adquirida, que o amor, em suas várias gradações, é a conquista suprema da alma. Ao seu lado permutamos esses saberes, tentando alcançá-la, para desfrutarmos o prazer do convívio de quem já traz nas mãos os frutos de uma colheita fecunda e proveitosa, que não cessa, porque a sementeira prossegue e novos frutos virão.

A Doutrina Espírita ensejou nosso reencontro.

Como citei no capítulo que escrevi no primeiro livro de Lucy, Recado A de amor, percebo que sempre nos conhecemos. Isso foi e é tão natural que entre nós não existe o quando.

Devo dizer, todavia, que a bênção divina me possibilitou outros reencontros semelhantes, dando-nos a entender que fazemos parte de uma família espiritual amorosa, cujos passos sempre se cruzam nesse reabastecimento imprescindível em cada nova estação.

Agradecemos a Jesus o ensejo da atual existência, a Allan Kardec que nos descortinou a visão espírita que hoje nos felicita e luariza nossas almas.

E, particularmente, agradeço a você, Lucy, porque embarcamos juntas em mais uma viagem.

Para nós, Lucy e eu, como mineiras que somos, e amamos Minas Gerais, o termo "estação" traz-nos a lembrança de um trem que vem chegando e, como num passe de mágica, estamos na plataforma esperando para embarcar, o que fazemos de imediato.

E ali estamos nós, passageiras dessa viagem. O trem segue.

Preso aos trilhos vai vencendo as distâncias; da janela olhamos o panorama, as montanhas enigmáticas, altaneiras dando lugar à planície verdejante e ensolarada.

A viagem prossegue. Estações se sucedem e o amanhã se torna hoje.

Assim é a vida.

SUELY CALDAS SCHUBERT