LIGAR E DESLIGAR...

LIGAR E DESLIGAR...

Quando adentramos a terceira idade, com longos anos de experiência na atual reencarnação, nos damos conta de que o tempo passa muito rápido. Mais célere, ainda, quando nos dispomos a trabalhar no bem, a manter a mente ligada aos deveres e compromissos no âmbito familiar, profissional e principalmente aos relacionados com a Doutrina Espírita. Temos consciência de que esses últimos foram arrolados e assumidos no mundo espiritual, e somente através do fiel cumprimento das promessas feitas ao nos prepararmos para voltar, nos darão a consciência plena do dever cumprido. Espero que ao partir os tenha realizado em sua maioria.

O envelhecimento físico jamais foi motivo de preocupação em minha vida. Acho até que não estar ligada a esse processo ajuda a não envelhecer mais rapidamente, diria até que retarda o desgaste físico e mental. As transformações físicas não afetam em profundidade o que sinto e o que penso da vida. O meu mundo íntimo está pacificado em função de outros valores e procuro manter a esperança de novas conquistas espirituais.

Sei que é transitória a vida terrena e muitas vindas e partidas antecederam este novo tempo, cujo ciclo já vai se fechando a cada dia... Procuro, assim, vivê-lo com intensidade ao lado dos que caminham comigo. Busco sempre novo aprendizado em cada oportunidade que vivencio e lição naquilo que observo. O armazenamento deste conhecimento é muito valioso e útil. Gosto de aprender coisas novas, observar as pessoas e a Natureza que, em seu dinamismo, demonstra o valor da paciência, da perseverança e da generosidade.

Relembro alguns fatos do passado como fonte de experiências para buscar a melhoria nos dias atuais, sem contudo me deter em lamentações ante as perdas naturais ou impostas pela vida, não demorando em inquietações diante do que nos espera ainda na atual existência.

Os fatos não se repetem com a mesma similitude ou intensidade, portanto não devemos cultivar ansiedade pelos momentos futuros que poderão ser agradáveis ou desagradáveis, entendendo que nunca serão idênticos, nem terão as mesmas condições ou características. O importante é o que eles representarão em nosso desenvolvimento moral.

O mais importante é a maneira de conduzir a vida no momento em que passa, mesmo estando na terceira idade. Algumas pessoas não gostam dos termos "terceira idade". Não importa a designação de terceira, quarta ou "boa idade"; o essencial é como nos sentimos nesta fase da vida.

Importantes serão todos os fatores e acontecimentos que nos levem a crescer espiritualmente. O sofrimento, as perdas, as renúncias espontâneas (algumas são impostas), o trabalho no bem, os deveres para com o grupo familiar, os compromissos profissionais e principalmente os assumidos com a Doutrina que abraçamos são fatores relevantes em nosso progresso espiritual.

Sair vitorioso ou não nestas experiências irá depender unicamente de nós.

Não posso transferir para os outros minhas responsabilidades. Isto é essencial para que eu esteja bem com minha consciência e conquiste a paz que almejo.

Mesmo com toda a bagagem de conhecimento que a vida nos proporciona e com toda a riqueza interior à luz do Espiritismo nos conduzindo para o bem, há dias em que a sombra da tristeza tenta invadir nossos corações e a inquietude espreita nossos sentimentos tentando solapar a alegria de viver... As paisagens em torno de nós perdem o colorido costumeiro, nuvens de preocupação ensombram a vida... A melancolia tenta afetar nosso mundo íntimo...

Todavia, devemos reagir contra a tristeza que tenta nos oprimir e mudar nosso pensamento, buscando na prece, na meditação, no apoio de um livro edificante a diretriz, o rumo que devemos imprimir em nossas vidas.

Emmanuel, no livro, Amigo, psicografia de Chico Xavier, nos diz que no mundo atual existem duas atitudes essenciais à própria segurança no comportamento; ligar e desligar. É uma questão de sintonia mental. Há momentos em que devemos estar ligados, atentos aos deveres e acontecimentos ila vida para não atrasarmos a marcha evolutiva. Participar, judar, incentivar os que se apoiam em nossos exemplos e prendizado, sem nos atermos às exigências descabidas e aos aprichos dos que tentam nos desviar dos objetivos essenciais ao nosso progresso espiritual.

Por exemplo: nunca nos desligar do bem, nem de tudo o que estabelece a harmonia da vida. O Benfeitor espiritual nos leciona que devemos nos ligar às boas iniciativas que visem à felicidade de todos, mas é indispensável desfocar a mente de tudo o que nos faça prejudicial ou inútil à própria existência. Caminhos que não são nossos; pontos de vista diferentes daqueles que nos orientam os passos; amigos conscientes que se afastam do melhor a fazer; familiares que voluntariamente nos menosprezam; deficiências alheias, compromissos que não nos dizem respeito, tentações que não se nos coadunam com o modo de ser, preocupações com o supérfluo, convites à aventura e assuntos outros que os noticiários infelizes te despejam à porta, em bases de sensacionalismo, são temas em cujo desdobramento os nossos créditos de tempo cairiam na vala das horas perdidas.

O que Emmanuel recomenda é que quanto mais elevados nossos propósitos de crescimento espiritual, mais vigilância teremos que imprimir às escolhas na área do pensamento e das ligações mentais, sabendo ligar e desligar para esta ou aquela experiência, evitando o desgaste inútil das horas...

Neste entardecer de nossas vidas, mais do que nunca precisamos valorizar cada minuto, aproveitando integralmente as horas dedicadas ao aprendizado, à prática do bem, apurando nossas emoções e sentimentos em busca de uma mais afinada percepção do que nos cerca e principalmente do que está em nosso mundo íntimo.

Valorizar cada momento, cada gesto de um amigo, escrever uma carta fraterna, dedicar uma flor, um sorriso de boas-vindas, escrever uma página que conforte e alegre um coração enfermo, enfim, amar a tudo e a todos no aprendizado infinito do Amor de Deus para conosco que se reflete na Natureza, na vida e nas belezas que nos envolvem.

Quando conseguirmos desligar nossas tomadas mentais de tudo o que não nos convém, superar nossas desditas para ajudar aos que padecem dores mais cruciantes que as nossas, encontraremos a paz e a alegria das horas bem vividas...

Certamente estaremos mais tranquilos e felizes ligados ao bem !

LUCY D. RAMOS