O CAMINHO DA FELICIDADE

O CAMINHO DA FELICIDADE

Um dos objetivos do ser humano é a busca da felicidade, que poderá ser definida em dois níveis - mental e físico. A harmonização da mente com o que se estabelece como prazer ou contentamento íntimo dependerá de múltiplos fatores tratando-se do grau de adiantamento moral de cada indivíduo. O equilíbrio entre o que se busca na satisfação do que nos dá felicidade sob o aspecto físico e a disciplina ética já conquistada pelos valores espirituais seria o posicionamento ideal na procura da felicidade. Há de se considerar, portanto, os dois aspectos - Físico e espiritual - dentro dos padrões morais de cada ser.

Muitos consideram a felicidade inatingível aqui na Terra. Onde o sofrimento e as dores morais afligem o ser humano em processo de resgate e provações. Entretanto, considerando a serenidade íntima como a conquista dos valores espirituais que levam a mente a uma aceitação consciente dos sofrimentos e das perdas, pelo entendimento maior dos objetivos de nossa permanência na Terra, poderemos nos educar e redefinir as reações e os sentimentos para um melhor equilíbrio ante os desafios da vida, amenizando o que nos faz sofrer.

Vivendo num mundo de ondas e vibrações, sofremos o impacto de outros pensamentos que, ao se conjugarem com os nossos pela sintonia mental, poderão modificar nossos sentimentos levando-nos a estados variáveis de humor e de prazer.

Assim, estados mentais positivos expressam sentimentos de generosidade, compaixão, tolerância, bondade que levam o indivíduo a uma possibilidade maior de comunicação, podendo influenciar os outros com demonstrações também positivas, tornando-o uma pessoa saudável e apta a conquistar um equilíbrio mental que a torna mais segura e confiável. Quando nos aproximamos de pessoas assim, generosas e compreensivas, nos sentimos mais seguros e felizes. Elas nos permitem uma abertura maior para falarmos de nós, de nossos conflitos e problemas, porque são mais humanas e bondosas.

Dizer que a felicidade depende de um estado mental equilibrado poderá parecer difícil para algumas pessoas que ainda buscam a felicidade apenas em coisas materiais, representadas pelos objetos que as encantam e as satisfazem fisicamente.

Todos nós experimentamos, em diversas fases de nossas vidas, momentos assim, quando os sonhos de consumo se realizavam, ou podíamos conquistar determinadas posições sociais ou financeiras no âmbito profissional, e, após o entusiasmo e o prazer da conquista, voltávamos ao mesmo estágio anterior de felicidade já sinalizada em nossa mente. Se já éramos felizes, estes objetos ou essas aquisições não acrescentavam mais prazer ao nosso mundo íntimo e, se éramos infelizes, retornávamos ao estado de insatisfação anterior.

Mestres e pensadores de várias culturas já estabeleciam, há milhares de anos, a disciplina mental como fator essencial na conquista da felicidade. O treinamento sistemático da mente, substituindo valores negativos por aquisições positivas, facilitará o encontro do equilíbrio e da paz, tornando-nos mais receptivos ao bem, ao amor e à generosidade.

A mídia tem se reportado, atualmente, às influências mentais e ao valor do pensamento positivo na conquista da felicidade e na realização dos objetivos almejados, quando, realmente, nos concentramos com fé, neste desejo. Estaria aí, dizem (e estão certos), o "segredo" da realização de nossos intentos, tanto na área familiar como na profissional ou social. Apesar de evidenciarem com maior empenho as conquistas materiais, eles nos dão exemplos do valor do pensamento e de sua força na concretização de nossos ideais.

Cientistas modernos já realizam trabalhos visando ao treinamento sistemático da mente, com a seleção deliberada dos estados mentais positivos, seguida da concentração no que se almeja. Dizem que isto é possível graças à própria estrutura cerebrai e suas funções. Nascemos com cérebros que já vêm equipados geneticamente com certos comportamentos instintivos. Reagimos a determinados ambientes visando a nossa sobrevivencia. Esses sistemas básicos de instruções estão codificados em inúmeros modelos inatos de ativação das células nervosas, atuando em resposta a algum acontecimento ou pensamento. Mas a configuração de nosso cérebro não é estática, pode ser adaptada, projetar novos modelos, por ser maleável e sempre dinamica, permitindo novas combinações, novos pensamentos e experiências. Os neurocientistas chamam de "plasticidade" esta capacidade de mudanças inerente ao nosso cérebro.

Os doutores Avi Karni e Leslie Underleider realizaram experiências nos National Irutitutes of Mental Health, comprovando a capacidade de redefinir a configuração do cérebro. Demonstraram que através de uma atividade simples de coordenação motora, como o exercício repetitivo de batucar os dedos, realizada durante quatro semanas seguidas em horários programados, comprovaram, pelo exame de ressonância magnética, as alterações na área do cérebro envolvida nessa tarefa, que se apresentava mais expandida, ativando as células nervosas, tornando a função mais eficiente e mais rápida. Esta experiência os levaram a considerar que podemos mudar nossa atividade mental, pelo exercício, remodelando nossas células nervosas para atender melhor nosso objetivo.

Sob o aspecto moral e espiritual, a prática constante de pensamentos saudáveis, alterando nosso modo de pensar negativo para positivo, será resultante de um aprendizado, inserindo novos estímulos para remodelar e alterar o nosso padrão vibratório, substituindo nosso "condicionamento negativo" por um positivo, com a formação de novos circuitos cerebrais, sob o comando do espírito imortal.

Assim pensando, treinar a mente para a felicidade passa a ser uma possibilidade real.

Os benfeitores espirituais já há algum tempo nos instruem sobejamente acerca do valor do pensamento na construção de nosso destino. Leon Denis, há quase um século, já dizia:

O pensamento [...] é criador. Não atua somente em roda de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura. Modelamos nossa alma e seu invólucro com os nossos pensamentos; estes produzem formas, imagens que se imprimem na matéria sutil, de que o corpo fluídico é composto. Assim, pouco a pouco, nosso ser povoa-se de formas frívolas ou austeras, graciosas ou terríveis, grosseiras ou sublimes; a alma se enobrece, embeleza ou cria uma atmosfera de fealdade. Segundo o ideal a que visa, a chama interior aviva-se ou obscurece-se.53DENIS, Leon. O problema do ser, do destino e da dor. Cap. XXIV.

Pensando, construímos nosso destino. O pensamento é loiça criadora, e nossa felicidade poderá ser resultante do exercício mental ativando esse poder ao elaborar nossos desejos e ideais.

Certamente essa conquista estará subordinada a uma disciplina ética adquirida pela educação moral do ser no respeito à vida e ao próximo, como diretrizes seguras em seu processo de evolução espiritual.

Joanna de Angelis nos ensina que:

A felicidade se estabelece quando os dois níveis - físico e mental - harmonizam-se, ensejando o prazer emocional e transpessoal. Nesse passo alcança-se, mediante a criatividade, o prazer mental, o bom direcionamento da mente, que consegue alterar para melhor a compreensão do mundo. Esse sentido da vida, essa finalidade induz a sacrifícios de bens, riquezas, relacionamentos, para a entrega à inspiração, do significado à busca da felicidade. Tal prazer não se restringe apenas à arte em si mesma, ou à cultura, porém à vida e aos seus valores, às realizações no campo pessoal, com vistas ao bem da humanidade, à superação do ego. FRANCO, DIVALDO, O SER CONSCIENTE, p. 138

LUCY D. RAMOS