POR QUE ENVELHECER?

POR QUE ENVELHECER?

O escritor americano O. S. Marden, em um de seus livros de aconselhamento, intitulado As harmonias do bem, nos diz que:

"O rosto denuncia a idade quando o espírito lhe permite. 0 espírito é o escultor. Renovamos os corpos, renovando os pensamentos. Mudamos os corpos e hábitos, mudando nossos pensamentos".62150 Luzes do entardecer

Parece um tanto exagerado seu pensamento a respeito do envelhecimento físico, mas há muita verdade em suas idéias consoante o pensamento espírita. Emmanuel, no livro Fonte Viva, psicografia de Chico Xavier, nos diz que "a mente é manancial vivo de energias criadoras". Sabemos do poder da mente sobre as transformações que se operam no organismo humano na vida de relação de cada ser, influenciando de forma negativa ou positiva em sua destinação como encarnado e no mundo espiritual.

Somos poderosamente influenciados pelos nossos pensamentos e pelas limitações que impomos a nós mesmos. Somos, também, influenciados por outros pensamentos que nos sejam afins, isto é, quando nossas ondas vibratórias atraem ondas similares.

A crença de que adentramos à idade madura em determinado tempo e que estamos fadados ao envelhecimento em certo período de nossa vida levaria o ser humano a, em igualdade de condições, perder a vitalidade, a capacidade intelectual e o poder de produção em épocas idênticas. E sabemos que não é assim. A idéia ou aceitação da velhice como um fatalismo que nos impede de viver, de aprender, de conhecer novas operações de crescimento intelectual e espiritual, certamente, nos levaria mais rapidamente a perder o interesse pela vida, tornando-nos incapazes e marginalizados.

O pensamento direciona nossos atos. Se pensamos em velhice, em doenças, em decrepitude, em incapacidade física para o trabalho, esses pensamentos irão se refletir em nosso corpo, atraindo mais rapidamente as perdas naturais, os sinais de declínio físico e mental.

Entretanto, não basta a ilusão de se aparentar jovem, usando de artifícios, roupas coloridas e atitudes exteriores que denotem jovialidade. O importante é o que somos interiormente, como nos comportamos ante os desafios neste entardecer de nossas vidas. Não nos ajudarão os cosméticos, a cirurgia plástica, os modismos se não nos despojarmos do radicalismo, dos maus pensamentos, do pessimismo, da ilusória pretensão de ser jovem externa e eternamente.

Á vida moderna nos leva a um desgaste físico e mental acentuado se não soubermos gerenciar nossas atitudes, conduzindo-nos dentro de padrões éticos que nos ajudem a sobrepor as perdas naturais que ocorrem na terceira idade. Não se preocupar excessivamente com o aspecto exterior, dando mais ênfase ao crescimento espiritual, higienizando nossas mentes com leituras edificantes, aprendizados que desenvolvam a atividade intelectual, trabalho no bem, são atitudes que refletirão no corpo físico, retardando o desgaste orgânico.

Por outro lado, como espíritas, não podemos subestimar as enfermidades libertadoras, as perdas, os contratempos e limitações desta faixa etária, entendendo que o sofrimento tem sua função educativa e modeladora do espírito.

Começamos a envelhecer interiormente, e as manifestações da velhice no corpo físico são, em muitos casos, resultantes da excessiva preocupação em não envelhecer, do medo, da ansiedade, das frustrações, da inveja, do ciúme, da maledicência e de todas as mazelas morais que, infelizmente, muitos cultivam ainda.

Envelhecer é uma característica individual, e os fatores genéticos, psicológicos e espirituais irão influenciar o processo do desgaste orgânico e mental. Fisicamente, as perdas, em sua maioria, são semelhantes, mas as reações e resistências ao envelhecimento são bastante diferenciadas. Muitos idosos sofrem mais intensamente com a solidão, com o preconceito, com a exclusão no grupo social e na família.

A maneira como se vive, o hábito saudável e benéfico da prece, da meditação, do trabalho voluntário, que ocupam os espaços vazios existenciais, a fé e a crença no futuro espiritual são fatores de amadurecimento emocional, que preservam a saúde física e mental, retardando o envelhecimento. Quando adentramos a terceira idade com otimismo, coragem e fé estamos enriquecendo nossa mente com energias vivas, geradoras de revitalização das células orgânicas.

Joanna de Angelis leciona:

Não há porque temer o envelhecimento, invejar a juventude, lamentar o tempo. Esse comportamento viceja nos indivíduos imaturos. [...] A busca do sentido da vida ultrapassa a manifestação da forma e prossegue em outras dimensões, aformoseando o ser, que projeta, sim, a sua realidade para outros cometimentos existenciais futuros, outros desafios humanos [..,].

No livro Plenitude, a nobre Mentora espiritual nos leva a refletir na abrangência do amor que harmoniza nosso mundo íntimo, promovendo a restauração de nosso organismo, quando diz:

No processo de autocura, o espírito recupera as energias gastas, vitaliza, mediante a ação do pensamento, os fulcros perispirituais e predispõe-se ao resgate pelo amor, sem a intenção de negociar benefícios, antes, com a de se tornar elemento útil no concerto social, membro ativo do progresso geral e não um peso desagradável quão infeliz na economia do grupo humano onde se encontra.

Assim, as energias benfazejas que emanam de nossa mente, quando mantemos o equilíbrio, a fé, a coragem de viver, refletirão em nosso corpo, beneficiando-o com a integridade física e mental.

LUCY D. RAMOS