SAÚDE INTERIOR

SAÚDE INTERIOR

Algumas religiões apregoam que tudo o que nos acontece, todos os males físicos ou morais, provêm dos atos punitivos de Deus. Mesmo entre os espíritas há os que acreditam serem todas as ocorrências desagradáveis fruto de atos pregressos, imputando à lei de causa e efeito a geratriz de doenças, desastres materiais e perdas morais que sofremos.

Há de se reparar, entretanto, a generalidade deste posicionamento, uma vez que a vida é construída a cada momento de nossa existência e o livre-arbítrio nos possibilita mudanças e acertos na programação reencarnatória. Sabemos que muitos sofrimentos advêm de atos da presente encarnação; têm suas causas na vida atual, como consequência de nossa invigilância, abusos, desequilíbrios, e desrespeito à lei natural.

Tratando-se da saúde física, é fácil compreender como o organismo sofre, em seus delicados equipamentos, com a sobrecarga de nossas emoções desequilibradas, do desamor dos ressentimentos, das atitudes agressivas e pessimistas. Nosso corpo físico, dotado de um maquinismo de imensas possibilidades, aparelhado de funções delicadas e aptas a desempenhar papéis reguladores com eficiente precisão, sofre, entretanto, sob a ação da mente, a alteração e o descontrole quando nos colocamos em atitudes negativas e doentias. É de nossa mente que partem as ordens e as mensagens para todo o organismo.

A cadeia glandular que segrega os hormônios desencadeadores das mais variadas substâncias irá atuar em nosso corpo criando alterações positivas ou negativas, de acordo com as emoções e os pensamentos emitidos. Ao longo das vidas sucessivas, vamos incorporando ao nosso organismo, no processo reencarnatório, em sua constituição emocional e psíquica, os bens adquiridos, selecionando genes e valores que irão determinar os tipos de provações ou expiações que iremos sofrer na vida presente e consequentemente os necessários à nossa evolução espiritual.

Joanna de Angelis nos diz que:

Em cada fase da vilegiatura, no corpo ou fora dele, o espírito conquista bênçãos que incorpora ao patrimônio evolutivo, moldando os futuros corpos de acordo com tais aquisições, que são afetadas vibratoriamente pelas ondas de energia positiva ou negativa que emite sem cessar. [...] Assim organizam-se moralmente as estruturas expiatórias e provacionais, como recursos necessários para a aprendizagem e fixação dos valores propiciatórios ao progresso.5050 FRANCO, Divaldo P. O ser consciente. P. 96 e 97.

As expiações normalmente são irreversíveis e decorrem de faltas graves do passado, como suicídio, perversidade, homicídio, avareza, ódio, vingança, etc., enquanto as provações são instrumentos de correção dos vícios morais e erros menos graves ou lesivos, que podem ser atenuados ou até mesmo sanados pelos atos de bondade e cumprimento da Lei Divina favorecendo o bem e a ordem geral.

Devemos considerar que a lei de ação e reação age segundo a Justiça Divina e não tem somente o caráter punitivo e reparador. Sua função é educativa e atua como elemento de progresso espiritual. Quando o ser age com amor e caridade, elevando suas aspirações e realizações morais, ele está se envolvendo em energias positivas que o libertam e impulsionam para patamares mais condizentes com suas ações enobrecedoras. Muitas provações são atenuadas e melhores condições de vida propiciam a ausência das dores morais ou físicas anteriormente programadas.

Segundo a Benfeitora espiritual, há no corpo humano um médico interior que dá ordens à mente. Quem orienta este médico interior é o nosso espírito que articula pensamentos positivos nu negativos. Leciona que: pensar no bem, agir no bem e amar incondicionalmente irá equilibrar nossas almas com o lenitivo da esperança, com as bênçãos da oração e proporcionará bem-estar orgânico e espiritual.

O importante na vida é a busca desta saúde interior, direcionada pelo Espírito imortal. Não importa viver muito lempo em desarmonia. A qualidade dos anos vividos é que mporta, facultando-nos equilíbrio, bem-estar e esperanças renovadas.

Joanna de Angelis nos diz:

Há um inter-relacionamento entre mente e corpo mais sério do que parece. Desse modo, o autoamor estimula a veracidade dos atos e das palavras, sustentando a saúde ou corrigindo a doença. Os tecidos orgânicos interagem por intermédio de substâncias químicas que se movimentam na corrente sanguínea e pelos hormônios do aparelho endócrino. A hipófise é-lhes a responsável, que recebe os estímulos mediante os impulsos nervosos do hipotálamo, que regula a maior parte dos fenómenos e automatismos fisiológicos. Todo esse mecanismo ocorre através de fibras nervosas, procedentes do cérebro, que as comanda sob as ordens da mente, consciente ou inconscientemente. Por isso, a indução do autoamor promove as vibrações harmônicas que terminam por manter, organizar e reparar o organismo propiciando-lhe saúde, enquanto enfermo.

A saúde interior se estabelece com o equilíbrio da mente, harmonizando o corpo físico por meio da fé e da confiança em Deus. "Psicologicamente o autoamor é, sobretudo, autoencontro, conquista de consciência de si mesmo, maturidade, equilíbrio."

LUCY D. RAMOS