VOCÊ É CONSCIENTE?

VOCÊ É CONSCIENTE?

Se consultarmos o dicionário, encontraremos a conceituação de consciência como um atributo pelo qual o homem pode conhecer e julgar sua própria realidade; estabelecer julgamentos morais dos atos realizados; noção ou conhecimento que se estabelece por meio de análise.

Sob o aspecto moral conquistamos a conscientização dos objetivos reais da existência quando logramos discernir com equilíbrio e serenidade o certo do errado, o bem do mal em momentos de decisão e ante os desafios da vida.

A conquista da consciência é inerente ao progresso espiritual do ser, não depende do grau de cultura ou intelectualidade, nem mesmo de posição social.


No livro Momento A de consciência, Joanna de Angelis relata o exemplo do especialista em problemas respiratórios que, mesmo sabendo da gravidade do mal causado pelo tabagismo, continua a fumar, demonstrando que não adquiriu, ainda, a consciência do problema, mesmo sendo tão bem informado sobre o assunto. 0 mesmo acontece com a pessoa que permite o crime do aborto sob falsos argumentos legais ou de direitos que se faculta, assim como todos aqueles que o estimulam ou o executam, incidem na mesma ausência de consciência, comportando-se sob a ação do instinto, e, às vezes, da astúcia, da acomodação, mascaradas de inteligência.3'31 FRANCO, Divaldo P. Momentos de consciência. P. 15.

A consciência ética é fruto da moralização do ser, independentemente do grau de instrução ou de sua formação religiosa. No Evangelho de Jesus, principalmente no sermão da montanha, encontramos um roteiro moral adequado à nossa evolução, desde que o saibamos sentir e vivenciar em nossos atos diários. Entretanto, poucos o assimilam e poucos o seguem...

Allan Kardec, na questão 621 de O Livro dos Espíritos, indaga: "Onde está escrita a Lei de Deus?" E os Espíritos superiores respondem: "Na consciência".

Cada um de nós elege para si o código moral de acordo com o estágio de evolução já conquistado. Somos responsáveis pelos nossos atos, com agravantes morais se já estamos conscientes do mal ou do bem, das consequências advindas do que praticamos.

Com maior facilidade julgamos nosso próximo e esquecemos de analisar nossa conduta, buscando os atalhos do comodismo, da conveniência e das vantagens materiais, esquecidos da responsabilidade ante o futuro que nos aguarda.

Se estamos em processo de reajuste ante as Leis Divinas, por meio das dores morais, dos sofrimentos físicos, das perdas e do abandono, busquemos o equilíbrio e a serenidade íntima na prece, aquietando nossas emoções para podermos analisar nossa vida e como proceder para minorar a difícil situação que vivenciamos.

Se a consciência encontrar a paz, sofreremos menos.

Muitas pessoas que desconhecem a lei da reencarnação, quando acometidas de enfermidades graves ou sofrimentos intensos, indagam de que valem as dores e as perdas morais se ão têm consciência de terem ferido ou maltratado alguém nesta vida. Se falamos em lei de causa e efeito, argumentam por que sofrer se não nos lembramos das causas anteriores que motivaram o que passamos hoje.

Esclarecendo mais amplamente o assunto, não podemos considerar o sofrimento, apenas, sob o aspecto da punição. Deus não castiga, nós é que nos rebelamos contra as Leis Divinas e sofremos as consequências de nossos desaires e desaimos. O mais importante é a função educativa do sofrimento, ue desperta em nós a consciência moral para não infringirmos a Lei Natural ou Divina.

Leon Denis, em sua magistral obra O problema do ser, do destino e da dor, esclarece-nos à respeito:

Tudo o que vive neste mundo, natureza, animal, homem, sofre e, todavia, o amor é a lei do Universo e por amor foi que Deus formou os seres. [...]

Fundamentalmente considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação. Sem dúvida, as falhas do passado recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições de nosso destino.32 DENIS, Leon. O problema do ser, do destino e da dor. Cap. XXVI.

0 filósofo espírita tece, em torno do assunto, comentários claros e objetivos enfocando, de conformidade com Allan Kardec, a participação consciente do Espírito na escolha das provas por que deverá passar, quando no uso de seu livre-arbítrio delineia o seu futuro e a programação de vida para seu retorno ávida corporal. Como nem todos os Espíritos se encontram em condições de escolher livremente as situações aflitivas pelas quais deverá passar aqui na Terra, as leis morais serão observadas segundo o grau de necessidade de cada um, de expiação ou resgate dos erros perpetrados, sob a orientação dos Espíritos encarregados de seu retorno ao corpo físico.

A Justiça Divina se expressa concedendo ao Espírito, em vidas sucessivas, as oportunidades de progresso espiritual, desde que se arrependa e possa, retornando à Terra, se reabilitar ante sua própria consciência reparando o mal e construindo o bem, nos limites de sua condição moral.

Quando na Terra, inserido no meio social e familiar que lhe ajude a resgatar os erros do passado, o Espírito guardará uma consciência velada, uma intuição dos procedimentos que deverá ter, o que de certa forma o ajudará no processo reencarnatório aceitando mais pacientemente o sofrimento, exercitando a humildade antes os desígnios de Deus.

Muitas vezes, indagamos: "Como o fulano suporta tanta dor, sem reclamar?". A resposta é simples: Ele sabe, no recôndito de sua consciência, que está reparando, consertando o que lesou no passado, junto àquele que está mais próximo de si, na família ou na comunidade em que vive. E Leon Denis nos afirma:

É principalmente na consciência, bem o sabemos, que está a sanção do bem e do mal. Ela registra minuciosamente todos os nossos atos, e, mais cedo ou mais tarde, erige-se em juiz severo para o culpado que, em consequência de sua evolução, acaba sempre por lhe ouvir a voz e sofrer as sentenças.33Id., ib., cap. XXVI.

Em razão de nossa própria consciência, vamos descortinando nossas possibilidades de vencer as dificuldades e remover as pedras do caminho, aumentando nosso discernimento por meio da compreensão, do estudo e das reflexões em torno da vida.

Assim, nunca te entregues à desesperança, ao abandono. Não és uma pedra solta no leito do rio do destino, a rolar incessantemente. Tens uma meta, que te aguarda e que alcançarás. Penetra-te, mediante a reflexão e descobre as tuas incalculáveis possibilidades de realização. [...] Tudo podes, se quiseres. Tudo lograrás, se dispuseres.3434 FRANCO, Divaldo R Momentos de consciência. R 75 e 76.

LUCY D.RAMOS