O argumento

Reunião pública de 22-1-60 - Questão n° 29 - LM

Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem conforme crês.

Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo.

Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação.

Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse passo à loucura.

E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da ironia.

Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes que os opositores, de imediato, não podem admitir; em outras ocasiões, desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de ser.

Entretanto, recordemos o Cristo.

Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder celeste.

Deu nova estrutura à forma dos elementos.

Apazigou as energias desvairadas da Natureza.

Reaqueceu corpos que a morte imobilizava.

Restituiu a visão aos cegos.

Restaurou paralíticos.

Limpou feridentos.

Curou alienados mentais.

Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina.

Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em mentor excelso da Humanidade.

Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força do exemplo.

Anjo - caminhou entre os homens.

Senhor do mundo - não reteve uma pedra para repousar a cabeça.

Sábio - foi simples.

Grande - alinhou-se entre os pequenos.

Juiz dos juízes - espalhou a misericórdia.

Caluniado - lançou bênçãos.

Traído - não reclamou.

Acusado - humilhou a si mesmo.

Ferido - esqueceu toda ofensa.

Injuriado - silenciou.

Crucificado - pediu perdão para os próprios verdugos.

Abandonado - voltou para auxiliar.

Ação é voz que fala à razão.

Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não olvides que, acima de todos os fenômenos passageiros e discutíveis, o único argumento edificante de que dispõe é o de tua própria conduta, no livro da própria vida.

Emmanuel