A PEDRA AZUL

1 - MENSAGEM DO MÉDIUM

Queridos irmãos:

Esta obra é um dos resultados de maravilhosas experiências que vimos vivenciando desde os idos de 2001 quando, por nosso intermédio, venerável benfeitor espiritual dispôs-se a usar nossa mente e mãos para colocar no papel algumas situações, mostrando a que são submetidos alguns Espíritos que não sabem se conduzir em cada romagem física, oferecida pelo Criador, preferindo o caminho das pedras, os quais, por sua invigilância, orgulho, vaidade e falta de amor ao próximo, aliados ao seu livre-arbítrio, assumem dívidas enormes, que somente podem ser resgatadas à custa de muito sofrimento e renúncia. Mas o Pai, em Sua infinita bondade e sabedoria, sempre oferece a Seus filhos novas oportunidades de crescimento.

Surpreendemo-nos com tudo quanto nos foi passado, porque nos sentíamos incapazes de discorrer sobre questões tão polêmicas que, para os incrédulos das ações do Criador, podem até parecer sejam irreais. Ora por intuição, ora guiados pelo querido Amigo, que nos relatava o desenrolar dos fatos, colocávamos no papel toda a trama.

Uma experiência gratificante, na verdade.

O dom da mediunidade, que é tão antigo quanto o mundo, segundo a Doutrina e inerente a todo Espírito encarnado, quando aflorado, não pode e não deve estacionar. (O Livro dos Médiuns, Capítulo XXXI, XI). Pelo contrário, aqueles que emergiram essa divina graça, precisam aprimorá-la, educando-a através de cursos de Educação Mediúnica promovidos por respeitáveis Casas Espíritas e, como condição sine qua non, usando do crivo da razão, possam desenvolvê-la e aperfeiçoá-la, fazendo uso da missão primordial do mediunato, "dando de graça, o que de graça receberam", como nos propôs Jesus.

Mas devem manter-se vigilantes contra o escolho em que poderiam quebrar-se. Esse escolho, como já vos disse, é o orgulho. (Espírito Joana D 'Arc - O Livro dos Médiuns - Capítulo XXXI, XII).

Nesse diapasão, pois, confiantes em nossa capacidade, sentimo-nos inteiramente à vontade para escrever, ou melhor, servir de instrumento ao que nos desejava transmitir o Amigo Marco. E assim foi que, uma noite, durante o mês de julho de 2001, enquanto estávamos reunidos com nossa esposa assistindo a um programa de televisão, a campainha da casa soou. Era o Anísio, um querido irmão que vivia da caridade alheia e que, costumeiramente, por volta das dezenove ou vinte horas, às vezes bem mais tarde, fazia-nos uma visita para tomar um cafezinho - como ele costumava dizer-, desde quando passamos a atendê-lo à nossa porta. Com o tempo, passou a nos visitar normalmente às quartas-feiras, por volta das vinte e três horas e para que não ficasse ao relento, e também para não perturbar a paz dos vizinhos, passamos a acolhê-lo sob as dependências da cobertura de estacionamento de nosso carro, em cujo espaço, então, devidamente acomodado, oferecíamos-lhe um lanche reforçado, acompanhado de uma boa caneca de café que passávamos na hora, após o que, ele mesmo fechava o portão, deixava o prato e a caneca, num local apropriado, e ia embora. Numa dessas noites, entretanto, além de fria, chovia muito, fato que nos deixou preocupados com o destino daquele irmão, pois sabíamos que dormia na rua, não tendo, sequer, um lugar onde encostar a cabeça para descansar. Na tentativa de minimizar a situação, oferecemos-lhe um abrigo improvisado com um grande saco plástico, desses utilizados para resíduos, o qual pudesse protegê-lo da intempérie.

Agradecido, retirou-se.

Já era tarde da noite, quando nos recolhemos para o descanso do físico.

A chuva havia reduzido a intensidade, mas não cessara. Entretanto, como havíamos adormecido ansiosos com o que pudesse estar acontecendo com aquele irmão, pela madrugada fomos acordados por um movimento estranho em nosso dormitório, oportunidade em que, com os olhos físicos, pudemos enxergar que alguns vultos, em fila indiana, saindo de um dos cantos daquela dependência, atravessavam-na rumando para a porta de saída. Víamos nitidamente, como se fossem pessoas que ali estivessem compelindo-nos a acompanhá-las, fato que nos deixou deslumbrados com aquela inusitada situação, uma vez que, conquanto exerçamos nosso mediunato no Núcleo Espírita Segue a Jesus - NESJ, aqui em São Paulo, no bairro da Casa Verde, não muito longe de nossa casa, no qual atuamos juntamente com uma equipe de companheiros e companheiras em atividades de tratamentos espirituais dirigidos a viciados em fumo, álcool e outras drogas, além de procedermos a comentários evangélicos preparatórios. Não desenvolvemos a mediunidade da vidência, apenas a psicofônica, tendo algumas experiências, é bem verdade, com a psicografia, pois, de algum tempo àquela data, colocávamos no papel, mensagens de entidades espirituais que desejassem manifestar-se por nosso intermédio, valendo-se de nossas mãos, sendo esta nossa primeira experiência num trabalho deste tipo, o que nos encantou sobremaneira.

Dentre os vultos que desfilaram à nossa frente, um destacou-se por seu traje claro, parecendo-nos uma túnica usada na velha Roma Imperial. Jamais tivemos outra experiência igual.

E como havíamos perdido o sono, dirigimo-nos a outro compartimento da casa, no qual, rogando o auxílio de nossos benfeitores espirituais, fomos envolvidos por uma venerável entidade que, usando de nossas mãos e aptidões mediúnicas, narrou-nos:

Querido amigo:

Sabemos que te encontras preocupado com o andarilho que serves à tua porta, e que caminha sob a chuva inclemente que lhe cai sobre a cabeça. Contudo não te inquietes porque esse teu irmão está amparado pelo Pai que, sempre vigilante, não perde de vista nenhum de seus filhos e continua na tua tarefa e não te desassossegues com o destino daquele irmão, atendo-te, assim, ao que vamos ditar-te doravante e quando estiveres cansado ou com sono avisa-nos que te daremos espaço para que possas repousar. Prepara-te, pois a partir de agora vamos nos utilizar de tua condição mediúnica para relatar algumas experiências vividas no Plano material, cujo conteúdo, talvez, possa te interessar e a teus amigos, se assim nos permitires. Deves escrever da forma que sentires, como se fôssemos nós que estivéssemos escrevendo, e deixa de lado o preconceito dos que possam não aceitar o que estamos descrevendo, pois ela irá narrar situações através das quais aprenderemos a prática do perdão e da renúncia, enfatizadas pelo meigo rabi da Galiléia, quando de sua passagem entre nós, para a evolução da Humanidade. Ouve a chuva cair e serena tua ansiedade, deixando envolver-te por nossos pensamentos e vamos ao trabalho, pois, de agora em diante iremos compelir-te a escrever, já que vimos em ti um braço amigo do qual poderemos nos servir para colocar no papel muito do que sentimos e vivenciamos, no decorrer de algumas vidas no Planeta. Mais tarde te diremos quem somos.

Os nomes das personagens pouco importam, cabendo a ti nomeá-las como julgares melhor, para o entendimento dos acontecimentos.

Afinal, plenamente confiantes, o fato é que a partir daquele dia, quando retornávamos de nossas tarefas no Segue a Jesus, e após cuidarmos de nossa amada esposa Odete, que se encontrava seriamente enferma, nossa grande incentivadora e de quem somos eternos devedores, nós nos colocávamos à disposição do nobre Amigo para servir-lhe de instrumento ao que desejava nos passar. As vezes éramos acordados durante a noite para atendermos ao convite do venerável Amigo e o mais interessante é que a escrita era vertiginosa, cujas palavras iam sendo colocadas no papel com muita facilidade, fazendo perceber que tudo quanto estava sendo escrito não era de nossa autoria, como de fato não é, limitando-nos, apenas, a adequar o texto, fazendo os devidos ajustes e correções necessárias pós-digitação.

Ao concluirmos o trabalho, o gentil Amigo identificou-se com o nome de Marco Antonio, ou simplesmente Marco, como preferia ser tratado, que em longínqua experiência no Plano da Matéria habitou o físico de um patrício romano, prometendo-nos que daria continuidade a seu trabalho por nosso intermédio, se assim o desejássemos.

Realmente, como nos dispusemos a atendê-lo, até porque achamos a experiência sedutora, nos dias que se seguiram, a venerável entidade deu continuidade à sua narrativa, fazendo-nos colocar no papel romagem material que as personagens principais vivenciaram em terras brasileiras, durante os séculos XIX e primeira metade do XX.

Uma experiência ímpar, acreditem.

Alfredo Pardini.

2 - MENSAGEM DO BENFEITOR ESPIRITUAL

Caríssimos Irmãos:

O Plano de Deus é um mistério, mas Ele nos revelará se tivermos a compreensão de entendermos os Seus desígnios.

Aos que crêem na imortalidade do Espírito e na pluralidade das vidas para a evolução individual, por seus conhecimentos trazidos pelo Espiritismo, não causará estranheza a narrativa que se seguirá, porque sabem que ao Criador nada é impossível, desde que não se fira o livre-arbítrio de Seus Filhos, pois o crescimento e os sentimentos morais de cada um deles só se consolidam quando estiverem aliados à compreensão de fatos que a muitos escapam, enquanto encarnados.

Tudo será permitido, desde que encontrados os caminhos que realmente podemos trilhar no plano da matéria.

Doravante, portanto, ireis vivenciar uma experiência que a muitos poderá parecer surpreendente, mas para outros não, posto que, como se afirmou, já detêm o conhecimento.

A cada dia nos encantamos mais e mais com as ações da Criação em favor de todos quantos habitam os Seus Reinos, seja hominal, vegetal ou mineral, desde o menor até o maior dos seres colocados sobre este dadivoso Planeta em que habitais.

Nesta narrativa, ora estaremos escrevendo pelas mãos de nosso companheiro encarnado, ora o inspirando de tudo quanto desejamos passar-lhe.

Cada um, de per si, entretanto, ao folhear a obra, analisará os fatos à luz da razão e aos que apreciarem ou não a história, externamos, desde já, nosso reconhecimento, porque somos seres espirituais em evolução, passíveis de errar.

Marco

..PRÓLOGO
..A PEDRA AZUL
..DOCES REMINISCÊNCIAS
..OS CAPRICHOS DO DESTINO
..VERÔNICA NA PEDRA AZUL
..A FESTA DE ANIVERSÁRIO
..AS BODAS
..NEM TUDO SÃO FLORES
..A FUGA DE VERÔNICA
..O SOCORRO DA PROVIDÊNCIA
..A BUSCA INFRUTÍFERA
..A INEVITÁVEL REVELAÇÃO
..O DRAMA DE VIDAL GARCIA
..O OPORTUNO ESCLARECIMENTO
..O ALERTA
..O INIMIGO TRANSFORMA-SE
..A DURA RESPOSTA
..O ESPERADO REENCONTRO
..NO PLANO ESPIRITUAL
..A VIDA RETOMA SEU CURSO
..O DRAMA DE CONSCIÊNCIA DO FRADE
..A VOCAÇÃO DE ALESSANDRA
..A PASSAGEM DE VERÔNICA
..A CONFISSÃO DO JUIZ
..AS ALEGRIAS REDIVIVAS