CARANDIRÚ

1 - CARANDIRÚ

No DIA 2 DE OUTUBRO DE 1992, ocorreu, em São Paulo, a chacina do Carandiru, o maior presídio da América Latina, à época. Uma rebelião promovida pelos internos do Pavilhão 9 provocou uma reação policial desmedida que chocou o mundo, tendo como consequência cento e onze presos assassinados com características dé execução.

Esse fato foi alvo de investigações policiais e processos judiciais e serviu de inspiração para teses acadêmicas, reportagens, livros e filmes. Sobre o assunto testemunharam os presos sobreviventes e os policiais participantes.

Chega, agora, ao público o primeiro depoimento de um dos internos executados no conflito. E' uma narrativa contundente, mas esclarecedora, onde ressalta, sobretudo, a ação da Providência Divina por trás de todos os acontecimentos humanos.

Um relato como este permite que a questão da criminalidade e da violência possa ser discutida da maneira ampla, como se exige num tema tão delicado e grave. A visão do problema sob um enfoque espiritual, o que dificilmente acontece entre os que participam dessa discussão, é fundamental para a perfeita compreensão do assunto.

2 - CARANDIRÚ

Esta edição foi impressa em março de 2012 pela Editora e Gráfica Vida e Consciência, de São Paulo, SP, para o Instituto Lachâtre, sendo tiradas três mil cópias, todas em formato fechado 140x210mm e com mancha de 95x185mm. Os papéis utilizados foram o Off-set 75g/m2 para o miolo e o Cartão Supremo 300g/m2 para a capa. O texto principal foi composto em Garamond 12/15, os títulos foram compostos em Engraver MT 24/16,35. A programação visual da capa foi elaborada por Andrei Polessi.

Carandiru, um depoimento póstumo é obra para ser levada em consideração por sociólogos e criminalistas. Questões já detectadas nas discussões acadêmicas são aqui retomadas, como as condições sociais interferindo nas causas da existência da criminalidade, a participação de grupos criminosos que, por serem oriundos de classes mais favorecidas da população, nunca são acusados, muito menos punidos pela participação em crimes, e, consequentemente, a existência de uma ordem jurídica que segrega ou mesmo vinga-se apenas de deteiminados setores da sociedade.

A característica mais inovadora desta obra, no entanto, é que, além do valor documental, é um relato de origem espiritual de uma entidade que tem consciência de sua responsabilidade em toda a trama vivenciada e reconhece a ação das leis divinas, que se utilizam de qualquer erro nosso como instrumento de educação e progresso. Os personagens desta história desta obra, narrada através da mediunidade, foram, supreendentemente, identificados. Confira o impressionante relato no Posfácio.

3 - PREFÁCIO

Quanta responsabilidade senti ao ler estas linhas, mescla de culpa e de mágoa sem fim. Pois existem histórias bem reais, às quais assistimos de 'camarote', sentados em nossos confortáveis sofás, em nossas aconchegantes salas, nos telejornais ou nas novelas, que tentamos ignorar ou até mesmo crer não serem possíveis, mas apenas frutos de exacerbada ficção, de tão tristes nos parecem.

Somente a doutrina espírita poderia nos trazer a luz da compreensão e da consequente aceitação e entendimento de tão cruéis vivências. Somente os princípios das vidas sucessivas poderiam nos trazer alento e a fé de que tudo se arranjará da melhor forma possível.

Estas histórias acontecem todos os dias, tão próximas de nós, nas esquinas, nos faróis, em todos os bairros de uma grande cidade.

Tantos 'Zecas' nos abordam, tantos 'Zecas' morrem diariamente, sem que nos ocupemos sequer de orar por eles. E foi assim que este homem, que me deu tantos sonhos cor-de-rosa, que durante toda uma vida me fez sentir princesa, pôde também, graças aos maravilhosos e inexoráveis desígnios de nosso Pai Maior, me ensinar, junto com nossos irmãos iluminados e nosso querido Zeca, que a vida é aprendizado duro, difícil, e que caímos inúmeras vezes, que pensamos quase sempre, não conseguir chegar lá... mas que Deus, nosso Pai, jamais nos desampara, e sempre teremos uma nova chance de recomeçar.

E citando nosso saudoso Chico Xavier - "Não podemos voltar ao passado e refazer o que fizemos, mas podemos sempre começar a partir de hoje, fazendo o melhor que pudermos daqui por diante."

Que Deus o ilumine no seu caminho, Zeca, trazendo novos aprendizados na paz e no amor de Jesus.

E a você, meu pai terreno, meu carinho e meu eterno amor, na certeza de que esta vida não foi e nem será nosso único momento juntos, mas sim o melhor que tivemos até agora em nossas longas jornadas terrestres.

Rose
SETEMBRO DE 2007

4 - ALGUNS ESCLARECIMENTOS

Durante quase trinta anos, frequentei, semanalmente, um centro espírita, de início no Parque Novo Mundo e, depois de algum tempo, no bairro de Vila Maria, na cidade de São Paulo.

Numa das reuniões, em meados de 2003, incorporou, através de nossa dirigente principal, um espírito muito humilde que, após agradecer nosso mentor espiritual pela oportunidade que lhe fora concedida de ali estar presente, dirigiu-se diretamente a minha pessoa para solicitar que eu escrevesse sua história que, segundo ele, poderia ajudar muitos irmãos em situação semelhante à que vivenciara ele em sua última reencarnação nesta terra.

Embora nunca tivesse tido qualquer experiência anterior com a psicografia espírita, comprometi-me a ajudar aquele nosso irmão já desencarnado — uma das 111 vítimas da tragédia que ficou conhecida nos meios jornalísticos como 'o massacre do Carandiru'.

Não será preciso esclarecer ao meu amigo leitor quantas dificuldades foi necessário enfrentar para que, ao longo de quase três meses ou pouco mais, de terça à sexta-feira de cada semana, me recolhesse em minha residência para receber, sempre no mesmo horário, o texto de cada capítulo deste modesto trabalho que ora é publicado.

Não fosse o incentivo constante de minha esposa e de meus filhos, teria abandonado empreitada tão difícil a que me propusera completar, inicialmente porque, sobre o assunto, meu conhecimento se resumia ao que os meios de comunicação na época do evento, em 1992, noticiaram e, depois, porque temia a interferência que poderia ocorrer de minha parte sobre o texto que me estava sendo ditado mentalmente por um desconhecido, já desencarnado.

Devo, ainda, à dirigente de nossos trabalhos, sinceros agradecimentos pelo apoio que me emprestou quanto à responsabilidade e importância desse projeto que me foi confiado.

Faço votos de que as palavras contidas neste humilde trabalho possam servir a todos que o leiam e de renovada esperança em nosso Pai, que jamais há de abandonar um filho seu na beira do caminho, durante sua jornada terrena.

Renato Castelani

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