COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS

1 - Comunicação com Espíritos de Crianças

Desde que me conheço por gente, os espíritos são parte da minha vida... uma parte considerável!

Durante minha juventude, não havia uma linha divisória clara entre o mundo visível e o invisível.

Se havia ou não uma divisão, ela se desfazia completamente à noite, quando os espíritos apareciam ao vivo e a cores.

Depois que as luzes se apagavam, eles simplesmente davam as caras. Isso nem sempre foi uma experiência agradável para mim, especialmente quando eu era pequena.

E definitivamente não era algo que eu saísse contando por aí.

É claro que meus pais sabiam que algo estava acontecendo; eu era obcecada por histórias de fantasmas e tinha criado planos de fuga elaborados para o caso de o meu quarto ficar abarrotado com esses visitantes.

Minhas estratégias incluíam uma escada dobrável, guardada debaixo da minha cama para eu poder sair pela janela do meu quarto, que ficava no segundo andar.

O abajur ficava aceso desde o anoitecer até o raiar do dia e, ainda assim, os espíritos apareciam.

2 - Visitas do Vovô

Durante meus primeiros anos, havia algo que me confortava ainda mais do que o meu cobertor angora azul: o amor do meu avô

Pop-Pop, como era carinhosamente chamado, era o único homem entre as mulheres da nossa família.

Meu avô fazia eu me sentir especial, mas, mais importante, ele fazia eu me sentir... segura.

Pop-Pop morreu de insuficiência cardíaca, quando eu mal tinha idade para ir à escola.

Na verdade, na noite em que meus pais cumprimentavam as pessoas no funeral, Pop-Pop ficou aos pés da minha cama e então me beijou na testa.

Quando eu disse à minha mãe que estava vendo Pop-Pop, pensei que ela ficaria feliz. Em vez disso, não quis mais falar a respeito.

Foi nesse momento que eu percebi que podia não ser bom ver as pessoas que os outros achavam que estavam mortas e, pior ainda, falar sobre isso!

Eu sabia que havia algo diferente em mim, e essa diferença não era necessariamente desejável.

3 - Vivendo Bem no Grande Além

Então como é estar morto? Bem, isso depende do espírito com quem você conversar. Passei muitos anos falando com espíritos de diversas origens étnicas e religiosas.

Como resultado, compreendi que há tantas descrições da vida após a morte (e nomes para o céu), quanto espíritos vivendo lá.

Mas, embora os detalhes de cada experiência possam ser diferentes, há por trás de todos os relatos uma coerência no modo como as coisas funcionam.

A vida além da morte é mais ampla e grandiosa do que podemos imaginar. Felizmente, os espíritos, especialmente as crianças, apresentam os conceitos às vezes intrincados da vida após a morte de um modo acessível e sucinto.

Um jovem espírito uma vez me disse: "Há muitos lugares diferentes aqui. Eu não visito os ruins, porque gosto de ficar com pessoas legais".

- Hummm... bem, isso me pareceu um ótimo conselho.

Desde muito cedo na vida (quando eu não conhecia nada melhor), eu me deparava com pessoas desagradáveis do plano espiritual, durante aventuras "caça-fantasmas" e em casas mal-assombradas.

Graças a esse jovem espírito, aprendi que eu podia definir parâmetros para os meus encontros. Agora só aqueles que moram na luz são bem-vindos para me visitar.

Como eu procuro ficar longe dos lugares "ruins" do pós-vida, meu interesse e referências para a comunicação com os espíritos partem do princípio do amor.

Os espíritos com quem converso estão interessados em ajudar a curar a nossa dor. Eles nos dão dicas sobre como viver melhor a vida aqui e nos ajudam a nos preparar para viver no céu um dia.

Viver no céu.

Essa é a primeira coisa que os espíritos querem que saibamos.

Eles estão vivos, não mortos.

4 - Resposta Rápida

Há vários anos, uma família completa - mãe, pai, filho e filha - veio se consultar comigo.

Quando eles estavam se sentando, um jovem espírito que parecia estar na adolescência chamou minha atenção quando começou a correr ao redor da sala.

Ele corria tão rápido que era quase um borrão. Enquanto corria, contou-me que o seu nome era Jacob. Eu disse à família:

-"Há um jovem aqui chamado Jacob e, nossa!, ele corre rápido!" A mãe começou a chorar, o pai colocou a cabeça entre as mãos, o irmão parecia querer fugir correndo dali e a irmã disse:

- "Meu irmão que morreu chamava-se Jacob, e ele era corredor no colégio". Jacob passou a falar com cada membro da família, chegando a dar uma dura no irmão por causa de seus trabalhos escolares.

(Segundo o irmão me contou, ele costumava fazer a mesma coisa antes de morrer.) Então, de repente, sem nenhum aviso, o pai de Jacob começou a chorar e deixou escapar:

-"Ele está morto e enterrado". Sem perder o ritmo, Jacob gritou no meu ouvido: "Eu não estou morto e enterrado: só estou... diferente".

Eu pensei comigo mesma, Bem, isso diz tudo, e se um dia eu escrever um livro esse será o título.

O choro de desespero do pai de Jacob é compreensível. Quando alguém próximo a nós morre, parece que a morte é o fim da vida, do relacionamento, da família e da esperança.

Nós não queremos que nossos entes queridos em espírito sejam "diferentes", queremos que eles estejam aqui.

No entanto, os espíritos olham a para nós. Então como é que os espíritos vêem a morte, especialmente os mais jovens? Bem, a morte é para eles nada mais do que um transporte para o outro lado da vida.

À primeira vista pode parecer esquisito comparar algo tão importante como a morte a um passeio de carro, barco, avião ou trem.

Mas as crianças desencarnadas, assim como as encarnadas, estão menos interessadas na viagem e muito mais no seu destino.

Qualquer um que já tenha viajado com crianças sabe disso! "Já chegamos?" é a pergunta que toda criança faz ao longo do caminho.

Quando eu falo com jovens espíritos, eles em geral evitam descrever a forma como morreram. Isso é muito frustrante para mim, porque eu sou curiosa por natureza e, o que talvez seja mais importante, porque receber detalhes sobre a morte faz com que eu sinta que estou fazendo o meu trabalho direito.

No início do meu trabalho como médium, um espírito na casa dos 20 anos veio visitar um grupo. Uma das primeiras perguntas que eu lhe fiz foi:

- "Como você morreu?" Ele respondeu: "Fui atingido na cabeça com um martelo".

- Bem! Isso fez pipocar na minha cabeça todo tipo de pergunta! Eu queria saber se tinha sido um acidente ou se ele tinha sido golpeado na cabeça com o martelo.

A resposta dele? "Essa é só a maneira como cheguei aqui". Que irritante! Eu queria detalhes e ele via sua morte como simplesmente... a rota do ponto A para o ponto B.

5 - Muito Agito no Céu

Muitas vezes me perguntam durante uma sessão:

- "O meu filho é feliz no céu?" Curiosamente, eu nunca tive dos espíritos uma resposta "sim".

Eu ficava um pouco preocupada com isso até que aprendi com eles que a nossa idéia de felicidade aqui na Terra simplesmente não traduz a experiência da vida após a morte.

Os espíritos falam mais em paz do que em felicidade. O que eu aprendi com eles é que os mortos sentem paz e, pelo que vejo, eles definitivamente não estão descansando do lado de lá.

Do ponto de vista dos espíritos, há muita coisa acontecendo no céu. A vida após a morte é muito ocupada. De acordo com os espíritos, as coisas acontecem instantaneamente, de um modo que o tempo na Terra não permite.

Embora possa ser difícil para nós compreender, essa vida frenética encanta os espíritos, especialmente os mais jovens. Um adolescente disse aos pais através de mim que, no céu, as coisas aconteciam tão rápido quanto ele queria.

Os pais confirmaram que o filho era incrivelmente impaciente e estava sempre se queixando de que queria que a vida transcorresse com mais rapidez. Na verdade, ele tinha morrido enquanto dirigia seu carro além do limite da velocidade.

O que torna essa velocidade possível na vida após a morte é o fato de os espíritos não estarem sujeitos às mesmas limitações físicas que nós. Eles podem estar em vários locais ao mesmo tempo, porque não estão revestidos de um corpo físico.

Em várias sessões, entes queridos em espírito deixaram bem claro que estão a par do que está acontecendo na vida de muitas pessoas que ainda vivem na Terra.

Por exemplo, durante uma sessão, o espírito de uma adolescente mencionou as atividades matinais de cada membro da família.

Depois de conversarem, eles ficaram surpresos ao descobrir que as atividades mencionadas tinham ocorrido ao mesmo tempol Eu sabia que a adolescente só tinha feito isso para ver a reação da família!

Os adolescentes são assim, eles só querem causar impacto.

Embora a maioria dos espíritos de crianças que me visitam fosse perfeitamente saudável quando deixou a Terra, eu também me comunico com muitos que sofriam de doenças congênitas ou terminais antes de morrer.

Uma das ligações mais impressionantes que vivi foi com uma menina que visitou a mãe num evento em grupo. Por alguma razão, ela não me deixou ver seu rosto, mas me deu o nome dela, Anna, e eu pude sentir sua presença.

Ela também tinha uma mente muito sagaz e começou a me impressionar com pensamentos filosóficos e teorias científicas. Quando Anna finalmente acabou de transmitir sua mensagem, sua mãe exclamou, saltitante:

- "Eu sabia que ela era perfeita!" A mãe de Anna passou a explicar ao grupo que a filha era deficiente mental enquanto estava na Terra.

Apesar dessas limitações, a mãe de Anna, que tinha doutorado em filosofia, queria compartilhar o que ela tanto amava com a filha.

Assim, noite após noite, em vez de ler histórias infantis para Anna, ela lia livros de ciência e filosofia. Ela sempre acreditou que a filha entendia tudo, mesmo não sendo capaz de se expressar.

Anna, em espírito, demonstrou que a mãe estava certa.

Depois de me comunicar com uma criança desencarnada que pode correr livremente quando não podia andar na Terra, imagino que cadeiras de rodas, muletas, tanques de oxigênio e leitos hospitalares ficam todos do lado de fora dos portões do céu, assim como os carrinhos de bebê nas atrações da Disneylândia. Meio fantasioso, eu sei, mas ilustra o fato de que as crianças que sofreram aqui podem, finalmente, deixar o sofrimento físico para trás.

Na verdade, todos nós que sofremos aqui vamos deixar o sofrimento físico para trás.

— Extraído e adaptado de Não Estou Morto, Só Estou Diferente!, Hollister Rand, Ed. Pensamento.