APRENDENDO A AUXILIAR

APRENDENDO A AUXILIAR

Ainda não sei muito bem se devia continuar dizendo as coisas que digo, porque desconfio que elas são banais. Porém, como sempre encontramos pessoas para as quais essas coisas são novas, é de utilidade que se ensine, recomeçando sempre. Por isso, aqui estou novamente, com muita litisfação.

Muita coisa me tem acontecido desde a última notícia que dei. Estou sendo procurado por muitos irmãos que querem colaborar também e me incentivam bastante. Hoje estão muitos deles aqui, porque quiseram conhecer minha família terrena.

Estão animados, esperando poder participar de algum trabalho que projete suas inteligências no bem e no amor aos encarnados. Acho que ainda não estamos preparados para enfrentar um trabalho de tamanha envergadura e só daqui a alguns anos teremos possibilidade de executá-lo.

É melhor para todos nós, principalmente para os encarnados, que nos mantenhamos em discreta distância, pois nenhum de nós saberia resolver os problemas que os afligem. Já tive provas dessa dificuldade, enfrentando casos estudados pelo meu grupo, sempre orientado pelo mentor (eu já expliquei que mentor é igual a professor).

O caso estudado não era dos mais complexos, mas, mesmo assim, deixou-nos embaraçados. Imagine que havia dois irmãos brigando por causa de uma moça. Perguntou-nos o mentor se saberíamos opinar sobre a questão. Os outros nada disseram e ficaram indecisos. Eu, então, resolvi expor meus pensamentos, porque achei muito natural fazê-lo. Disse que eles brigavam por uma tolice, pois a moça gostaria de um só. E se fosse o caso dos moços gostarem da mesma moça, ambos deveriam desistir e continuar sendo amigos. Então, disse-me o mentor:

- "Como você faria para normalizar a situação?"

Fui rápido na resposta, usando o conhecimento que já havia adquirido:

- "Chegaria perto de cada um deles e daria a intuição; ou esperaria que ambos dormissem para conversar com eles e convencê-los a continuar se estimando, desistindo da moça".

O mentor, muito sério, levou-nos a um canto e depois de apaziguar os contendores, fazendo um deles se afastar e o outro descansar, ficou observando o que ficava. Após alguns minutos, pôs atenção no que me pareceu ser a mente espiritual do moço, voltou sorrindo e disse que o caso estava quase resolvido.

Levou-nos dali para o lugar onde moramos. E' verdade. Nunca falei dele para você. É uma cidadezinha onde nós, desencarnados, temos tudo aquilo de que precisamos e somos abrigados de toda maldade. Outro dia eu explico. Nessa cidadezinha há um prédio grande onde eu nunca entrei. Nosso mentor deixou-nos à porta e entrou sozinho. Passado algum tempo voltou e, interrompendo nossa conversa, convidou-nos a retornarmos à casa dos contendores.

Lá estavam os dois irmãos amuados. Nosso mentor explicou:

- "O moço (que aqui vamos chamar José) sente atração pela moça, mas não vai desposá-la, porque na encarnação anterior contraiu débitos, isto é, tem por obrigação moral casar-se com outra moça da qual abusou e depois a relegou ao desamparo social. Embora ele tenha o desejo de voltar a ter Maria (demos-lhe esse nome) por companheira, não vai ser permitido.

João, ao contrário, é muito amigo (afim) de Maria e veio para ser-lhe companheiro, já que na encarnação anterior não o pôde, porque o irmão José, ao desviar-se do compromisso que contraíra com a outra, tomara-lhe a namorada Maria."

A consequência de tudo isso foi que nós tivemos de lavrar a sentença: vamos ajudar João a casar com Maria. Foi o que começamos a fazer. Tudo sob rigorosa supervisão do mentor, que nos guia passo a passo, só nos entregando serviços menores como recados acompanhamentos para proteção, vigia e outros mais.

Como vê, muita coisa se passa na Terra e ninguém percebe que mãos desconhecidas a orientam para tudo correr certo.

Nós costumamos dizer: "Deus nos ajude" e nem sequer temos a idéia de que realmente Deus nos ajuda, fazendo com que muitos de nós estejamos perto na hora da necessidade.

Bem, esta primeira parte foi toda preparadinha para ser escrita. Cuidei de usar bem as palavras para não terem sentido dúbio. Agora vou relatar outras coisas.

Sabe que tenho feito rápidas viagens pelo Brasil? Não sei por que razão não nos deixam sair do País em nosso trabalho. É provável que nos embaraçássemos por causa da língua diferente que os povos falam. Ainda não estamos práticos em entender os pensamentos. Somos todos aprendizes. Sobre isso ouvi uma palestra em que o orador explicava que a pessoa que treinasse, quando encarnado, a transmissão e recepção de pensamentos encontraria grande facilidade, ao desencarnar, em entender os outros Espíritos, de qualquer nacionalidade que eles fossem.

Já visitei outros sítios que não estão em contato com os encarnados. São lugares onde os desencarnados se encontram agrupados e isolados. Também tomei conhecimento das "encarnações". Falaram-nos longamente sobre isso. Eu continuo não me lembrando de nenhuma a não ser da última, porém dizem que tivemos muitas como gente. Aí, eu não me contive e perguntei:

- "Então tivemos outras sem ser gente, ou nascemos de Adão e Eva?"

Fiz mal e fui advertido, pois inquiri com ironia, mas a resposta veio, um tanto vaga, precisando de maiores detalhes, contudo havia lógica. Disseram que estamos evoluindo espiritualmente e também na forma, e que um depende do outro (espírito e forma); que já pertencemos a outras espécies de animais antes de sermos homens. Isso me fez pensar, mas não mais me atrevi a brincar'.

Essas foram as lições mais importantes que recebemos. Elas terão continuidade, porque se formam lacunas no nosso pensamento que nós não sabemos como preencher. É preciso que venham as explicações para que possamos fazer os comentários.

Quero que perceba que estou falando muito no plural. Foi-nos recomendado que usássemos o "eu" o menor número possível de vezes. O mentor sugeriu que verificássemos os encarnados e contássemos quantos caminhavam inteiramente sós.

Nós contamos apenas um em uma multidão. Então, fez-nos notar que nunca uma pessoa está só. Há sempre alguém acompanhando e auxiliando, quando não, prejudicando. Por isso, devemos ir-nos acostumando a nunca usar o pronome na primeira pessoa do singular, mas sempre no plural.

Ainda quero falar de outras coisas. No Natal, por exemplo, que também festejamos. Já na véspera, ouvimos,uma belíssima explanação com a recomendação de que não fizéssemos o nosso Natal egoisticamente. De acordo com a sugestão, o grupo, sempre seguido pelo mentor, buscou uma família necessitada de conforto; e, então, foi uma correria, intuindo um e outro para levar-lhes o necessário, a fim de que o estômago insatisfeito não os impedisse de pensar em Jesus.

Jesus é louvado em todos os trabalhos e reuniões que temos. Ensinam-nos que ele foi admirável em sua abnegação. E seu mérito é tão grande que não sabem de ninguém que conseguisse alcançá-lo.

Assim, como expliquei acima, passei o meu primeiro Natal no espaço. Já com a missão cumprida, recolhi-me a orar e, pela primeira vez aqui, orei com devoção mesmo. Não orei pedindo nada para mim, mas rogando um pouco de alegria para meus pais, que agora só ficaram com meu irmão.

Hoje recebi licença para vir fazer uma visita e deixar minha mensagem. Agradeço a oportunidade e desculpe-me se não me sinto com espírito jocoso, próprio para divertir. Outro dia voltarei, quando puder e tiver algo interessante para contar.

Quero descrever a cidadezinha onde moro. Vai achar muito curiosa.

Alayde A e Silva