O MUNDO QUE ENCONTREI

1 - AOS QUE NOS LEREM:

Nossa história não é diferente das de quantos têm perdido seus entes queridos, seja de forma violenta, seja após um curto ou longo processo de doença.

Nós os amamos e o maior sofrimento que se segue ao acontecido resume-se no fato de acharmos que os perdemos para sempre, que nunca mais os teremos de volta.

Nossa vida sem eles passa a ser um vazio, uma lacuna que não sabemos preencher. Se temos formação religiosa, voltamo-nos para as orações, procurando amenizar nossa dor, sem chegarmos, porém, a compreender os desígnos do Alto.

O tempo, pouco a pouco, vai cicatrizando a ferida e projetando novas esperanças no longo e penoso caminho que temos a percorrer.

No nosso caso, Deus reservou-nos o filho mais novo, Júlio Cezar, como alimento dessas esperanças e fez revigorar a nossa fé com o dealbar de um novo dia, quando recebemos a primeira mensagem daquele que havíamos perdido quatro meses antes.

Tivemos a perfeita sensação de sua presença e suas palavras ressoaram nítidas, como se ele ali estivesse contando tudo. Outras mensagens vieram, complementando a primeira, trazendo a narração de sua vida no mundo que ele encontrou.

Uma paz indefinível invadiu-nos desde então, despertando a lembrança de dizer a outras pessoas o que se passava conosco.

Ocorreu-nos a idéia de publicar essas mensagens no suplemento espiritualista que acompanha aos domingos um jornal do Rio de Janeiro, de grande conceito e tiragem - o "Jornal dos Sports", o que realmente aconteceu.

Grande foi o interesse despertado, de tal modo que resolvemos juntar todas as comunicações em um só volume, para aumentar o número dos que seriam, como nós, favorecidos pela oportunidade de penetrar nesse mundo que ele descreve.

Ao mesmo tempo, os que nada leram ainda a esse respeito poderiam igualmente beneficiar-se com as informações trazidas do Além.

Àqueles que já tiveram a felicidade de aprofundar-se no estudo de obras de real valor, de autores espíritas encarnados e desencarnados, versando sobre os mesmos temas deste livro, rogamos relevar a simplicidade com que LUIZ SÉRGIO busca doar-nos os conhecimentos que vem adquirindo na conquista de sua evolução.

Sua intenção, a princípio, era confortar-nos, provando-nos que ele vivia.

Mais tarde, ao perceber que muitas criaturas mostravam interesse em suas mensagens, sentiu-se encorajado a prosseguir em suas investigações, na esperança de ampliar o círculo dos que, com ele, usufruiriam de seus resultados.

Deus nos ajude a alcançar o objetivo que visamos com a publicação desse despretencioso livro: o de levar aos corações feridos como o nosso o bálsamo da esperança de que seus "mortos" VIVEM e contribuir, talvez, para a formação de um mundo melhor.

Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1976
OS PAIS

2 - LUIZ SERGIO DE CARVALHO

Nasceu no Rio de Janeiro, Capital, em 17 de novembro de 1949, filho de Júlio de Carvalho e de Zilda Neves de Carvalho.

Passou três anos de sua meninice em São Paulo, retornando ao Rio em 1957. Aos onze anos de idade, transferiu-se com seus familiares para Brasília, onde fixaram residência.

Seus estudos foram feitos em Colégios do Plano Piloto: Nossa Senhora do Rosário (Irmãs Dominicanas), CA-SEB e Elefante Branco.

Cursava o oitavo semestre da Faculdade de Engenharia Eletrônica da Universidade de Brasília - UnB.

Pertencia ao quadro de funcionários do Banco do Brasil S/A., lotado na Agência Central-Brasília.

Era "lowton" da Loja Maçônica "Aurora de Brasília" e "iniciado" post-mortem na Loja "Brigadeiro Proença", do Grande Oriente, Distrito Federal.

Inteligente, possuía agudo sentido de observação e curiosidade. De índole boa, emotiva, alegre e extrovertida, sabia fazer amigos com rara facilidade, sem distinguir idade, cor ou sexo. Apreciava a leitura e a música.

Tocava violão, preferindo músicas românticas da bossa-nova. Companheiro inseparável de seu irmão, cursavam ambos as mesmas matérias na Faculdade, participavam das mesmas traquinagens de rapaz e eram lotados na mesma Seção de trabalho, em horários iguais. Era conhecido nos meios em que habitualmente frequentava pelo apelido de "Metralha", por falar muito depressa.

Andava muito ligeiro. Físico atlético, sem ser muito alto, gostava de esportes e torcia pelo Clube do Flamengo do Rio de Janeiro.

Convidado por colegas de serviço a viajar a São Paulo em um fim-de-semana, para assistir à primeira corrida de carros "Fórmula 1", que seria realizada no Brasil, no autódromo de Interlagos, aquiescera, com o objetivo de ajudar a dirigir na estrada e rever os parentes que conhecera, praticamente, no ano anterior, principalmente a priminha Valquíria, com quem passara a corresponder-se.

Seguiram quatro no Volkswagem.

Ao regressarem, Luiz Sérgio dormia ao lado de Roberto, que estava ao volante, quando, na ultrapassagem de um coletivo, um buraco na estrada provocou o rompimento de uma peça do carro, que se desgovernou, causando o acidente.

Um fato digno de nota é que Luiz Sérgio tivera o cuidado de afivelar o cinto de segurança e exortava os companheiros a fazerem o mesmo.

Contudo, não foi isso suficiente para impedir que ocorresse o grave acidente. Roberto sofreu ferimentos que provocaram a sua invalidez.

Isto aconteceu na madrugada de 12 de fevereiro de 1973, nas proximidades de Cravinhos, Estado de São Paulo.

Os detalhes aqui apresentados foram relatados pelos dois companheiros que viajavam no banco traseiro do veículo e nada sofreram.

3 - RELACIONAMENTO COM A MÉDIUM

Somente em uns poucos dias do ano de 1972, quando parentes de sua mãe residentes em São Bernardo do Campo, SP, com quem haviam perdido contato há longos anos, visitaram Brasília, Luiz Sérgio teve a oportunidade de conhecer Alayde, com quem iria oito meses depois sintonizar para a transmissão de sua primeira mensagem, após ter deixado a vestimenta carnal.

Sua personalidade era inteiramente desconhecida da médium, bem como seus gostos, sua preferências, sua vida, afinal.

Mas foi criado naquela visita o elo propiciador do intercâmbio, porquanto Alayde, sua prima em segundo grau, espírita militante em São Bernardo do Campo, possui o dom da mediunidade psicográfica, muito embora sobre esse particular ele quase nada soubesse.

Ainda na última viagem que fez, visitou os parentes naquela cidade, sem contudo avistar-se com ela.

Após o desenlace, as duas famílias aproximaram-se mais, o que, talvez, tenha permitido a Luiz Sérgio o ensejo de perceber o vínculo espiritual a que poderia ater-se para o fim que almejava, isto é, a comunicação com a família que deixara.

Diante disso, e da seriedade com que foi e vem sendo tratado o assunto, é que os leitores poderão aquilatar o valor inestimável que representam essas mensagens para nós, seus pais.

..A NOVA VIDA
..A "INTUIÇÃO" ERA EU
..APRENDENDO A AUXILIAR
..A COLÔNIA ONDE MORO
..A AURA
..A AURA ESPIRITUAL DOS SERES
..A ESTÂNCIA DA LUZ DIVINA
..A CATEDRAL DO SOM
..O ESTUDO, O TEMPO E O ESPAÇO
..O ARQUIVO MENTAL
..EM SERVIÇO DESENCARNATÓRIO
..CORRENTES DE ESPÍRITOS
..O BALANÇO DAS ATIVIDADES
..ATENDIMENTO ANÔNIMO NA NOITE DE NATAL..
..IMANTAÇÃO DE AMBIENTE
..MEDIUNIDADE
..ORAI E VIGIAI
..HABILITEMO-NOS PARA O AMANHÃ