A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA

1 - ADVERTÊNCIA

A JUVENTUDE DE BOA VONTADE

A história que passarei a contar nada apresentará de interessante para os entendimentos que se homiziaram a sombra do mundanismo confuso e pessimista da hora de transição que convulsiona as sociedades terrenas.

Dirijo-me de preferência aos moços — a essa liberal juventude, franca e sequiosa de progresso, cujo caráter bem traduz a prolixidade dos ideais que lhe fervilham nas profundidades do coração.

Muito esperam da juventude destes últimos decênios de século os prepostos do Mestre divino — aqueles cultivadores da sua vinha sagrada porque zeladores da sua Doutrina de eleição, cujo esplendor vinte séculos de incompreensões e hostilidades não lograram arrefecer. Será indispensável, mesmo urgente, porém, lecionar a essa juventude tão rica de generosos pendores, tão enamorada de ardentes ideais quanto desordenada e inconsequente em suas diretrizes, e a quem escasseiam exemplos edificantes, lições enaltecedoras capazes de impulsioná-la, para a padronização do bem, porque as escolas do século XX não falam aos sentimentos do coração como não revigoram as lídimas aspirações da alma juvenil, enquanto que as futilidades destrutivas conluiadas com o comodismo criminoso do seculo, aboletadas no seio dos proprios lares, arredam para muito longe o antigo dulcor dos conselhos maternos como a respeitabilidade dos exem-plos paternos, os quais muito raramente, agora, se impoem, indiferentes ao dever de burilar corações dirigindo a educação dos filhos para as verdadeiras, legítimas finalidades da existência. Livros nocivos proliferam em estantes das quais os exemplos moralizadores ou educativos desertaram, corridos pela intromissão comercialista de uma literatura deprimente, criminosa na facilidade com que se expande, viciando ou pervertendo os corações em flor de jovens a quem mães descuidosas não apresentaram leituras adequadas; enquanto revistas levianas, deseducativas, destilando o vírus da inconveniência generalizada, seguem com os moços cujas mentes, muitas vezes dotadas de ardores generosos, se abastardam e estiolam vencidas por irrupções letais, qual plantazinha mimosa a falta do ar e da luz portadores da vida! Preocupa-se, por isso mesmo, o mundo invisível, de onde os olhares amoráveis dos paladinos do Zelador incomparável contemplam tão melancólicos panoramas, visto que a hora que passa e das mais graves para a humanidade que há milênios transita pela Terra através de fluxos e refluxos reencarnatórios. E que o crepúsculo de uma civilização materialista prenuncia a alvorada de um renascimento de valores morais-espirituais, em que o ideal cristao infiltrara novas seivas nos corações sedentos de luz e de justiça. Será imprescindível, portanto, que os obreiros espirituais do grande Educador de Nazaré acorram solícitos, aqui e além, desdobrando-se em vigilâncias incansáveis em todos os setores em que se movimenta a humanidade — nos pertinentes a literatura também, cuidadosos dos primórdios da grande renovação que já se vislumbra nos horizontes do porvir.

Então, colaboram eles com os homens, ansiosos por ajudá-los a se adestrarem para o sublime evento... Surgem médiuns pelos quatro cantos do planeta, dispostos aos rigores inerentes aos mandatos especiais que lhes couberam...

E os ditados de Além-tumulo se avolumam na sociedade terrena, apresentando ao homem — a juventude — o passatempo literário que lhes convém, em contraposição as más leituras a que se habituaram... assim realizando, de um modo ou de outro, o que as escolas e os lares se devotam prevenir: o ensino da moral, o culto sincero e respeitoso a Deus, a honra e a familia!

Qual modesto trabalhador da eira sagrada, enamorado do mesmo ideal que há dois milênios irradia do alto do Calvário convidando as criaturas a comunhão com o bem e o amor, aqui me tendes pronto a batalhar pelo ressurgimento da moral, voltando ainda e sempre para a Terra, hospitaleiro e abendiçoado reformatório onde venho efetuando o meu giro evolutivo, tentando, junto de vós outros, o cumprimento de deveres que me cabem.

Ouvi-me, pois, que vos falo em nome do Senhor.

Na Vila do Ibiretê, estado de Minas Gerais, aos 31 de maio de 1956.

ADOLFO BEZERRA DE MENEZES

..1ª PARTE - OS REDIVIVOS
..1 - UMA JOVEM ESPÍRITA
..2 - AMOR DE OUTRA VIDA..
..3 - O SOLAR DE SANTA MARIA
..4 - MAX
..5 - SOMBRAS DE "ONTEM" E DE "HOJE"
2ª PARTE - ESMERALDA DE BARBEDO
..1 - A NOITE DE NATAL DE 1863
..2 - BENTINHO
..3 - INVIGILÂNCIA
..4 - CORAÇÕES EM FLOR
..5 - MÃE E FILHA
..6 - VITÓRIA FÁCIL
..7 - OS ESPONSAIS
3ª PARTE - A TRAGÉDIA
..1 - PRENÚNCIOS FUNESTOS
..2 - RONDA SINISTRA
..3 - O CRIME
..4 - DOR SUPREMA !
4ªPARTE - OS SEGREDOS DO TÚMULO
..1 - QUANDO O CÉU SE REVELA
..2 - QUANDO O INFERNO SE RASGA
..3 - QUANDO O AMOR INSPIRA...
..4 - ...E QUANDO DEUS PERMITE !