O BEM SOFRER E MAL SOFRER

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
BEM SOFRER E MAL SOFRER - LACORDAIRE Havre, 1863


18. Quando o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus", não se referia aos sofredores em, geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria extrema, mas, ah! poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas poder conduzir ao Reino de Deus. O desânimo é uma falta; Deus nega consolações, se não tiverdes coragem.

A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que se apoie numa fé ardente na bondade de Deus. Tendes ouvido freqüentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem.

A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia tribulações.


O militar que não é enviado à frente de batalha não fica, satisfeito, porque o repouso no acampamento não lhe proporciona nenhuma promoção. Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma. Ficai satisfeitos, quando Deus vos envia à luta.

Essa luta não é o fogo das batalhas, mas as amarguras da vida, onde muitas vezeS necessitamos de mais coragem que num combate sangrento, pois, aquele que enfrenta firmemente o inimigo poderá cair sob o impacto de um sofrimento moral. O homem não recebe nenhuma fé pensa por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os seus louros e um lugar glorioso.

Quando vos atingir um motivo de dor ou de contrariedade, tratai de elevar-vos acima das circunstâncias. E quando chegardes a dominar os impulsos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei, com justa satisfação: "Eu fui o mais forte!"

Bem-aventurados os aflitos, pode, portanto, ser assim traduzido: Bem aventurados os que tem a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a sua submissão à vontade de Deus, porque eles terão centuplicadas as alegrias que lhes faltam na Terra, e após o trabalho virá o repouso.

ESE, cap. V