PARÁBOLA DAS VIRGENS PRUDENTES E DAS NÉSCIAS

 

 

"O Reino de Deus será comparado a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco dentre elas eram néscias e cinco prudentes. As néscias tomando as suas lâmpadas levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. Tardando o noivo, toscanejaram todas e adormeceram. Mas à meia noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí a seu encontro! Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam suas lâmpadas. E disseram as néscias às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando! Porém as prudentes responderam: Talvez não haja bastante para nós e para vós. Ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós. Enquanto foram comprá-lo, veio o noivo; e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas e fechou-se a porta. Depois vieram as outras virgens e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade eu vos digo que não vos conheço. Portanto, vigiai, porque não sabeis nem o dia, nem a hora".

(Mateus, XXV, 1-13)

1 - CAIRBAR SCHUTEL

Há virgens e virgens, porque se umas são prudentes, outras são néscias. Esta interessante parábola deixa bem claro que o Reino dos Céus não é um pandemônio de sábios e ignorantes, não é um ambiente onde tenham a mesma cotação os prudentes e os tolos. A instrução espiritual é indispensável, assim como o é a instrução intelectual na vida social.

Os que passam a vida ociosamente, dela sugando o que de bom a lhes oferecer para a satisfação de seus deleites, os néscios, que julgam obter o Reino dos Céus, sem estudo, sem esforço, sem trabalho, finalmente aqueles que não fazem provisão de conhecimentos que lhes aumente a fé, estão sujeitos a verem apagadas as suas candeias, e a perderem a entrada às bodas quando se virem forçados, de um momento para outro, a fazer aquisição de óleo, que representa os conhecimentos que fazem combustão em nossas almas, ascendendo em nosso coração a lâmpada sagrada da fé.

A fé sem conhecimento pode ser comparada a uma candeia mal provida que à meia noite não dá mais luz. Assim é a fé dogmática, misteriosa, abstrata: na ocasião das provações, das dores, dos sofrimentos, nessa metade da noite por que todos passam, essa fé é semelhante ao morrão que fumega, da torcida que já sugou a última gota de óleo. A prudência, ao contrário, manda ao homem que seja precavido, que abasteça abundantemente não só a sua candeia, mas também a maior vasilha que puder transportar, com o combustível que se converte em luz pra lhe iluminar os passos, o caminho, a estrada por onde tem de seguir, e que assim possa, envolto em claridade, afrontar as trevas da noite inteira e ainda lhe sobre luz para com ela saudar os primeiros raios do Sol nascente.

A prudência manda ao homem que estude, pesquise, examine, raciocine e compreenda. As virgens, tanto as da primeira condição, como as da segunda, representam a incorruptibilidade, representam todos aqueles que se conservam isentos da corrupção do mundo. Mas não é bastante resguardar-se da corrupção para se aproximar do grande modelo: Jesus, o Cristo. Assim como sem a candeia bem abastecida de combustível as virgens néscias não puderam ir ao encontro do noivo e entrar com ele nas bodas, assim também sem uma luz que bem esclareça e ainda uma provisão de combustível que faça luz, pode ir ao encontro do Cristo e penetrar nos umbrais da aliança espiritual, para tomar parte nas bodas cantando hosanas ao santo nome de Deus.

A necessidade é um entrave que paralisa o Espírito, arrojando-o depois na mais densa escuridão. Não é bastante a virgindade espiritual para a entrada da criatura humana no Reino de Deus, mas é preciso que a mesma seja ligada ao conhecimento, a todo o conhecimento que nos foi dado por Jesus Cristo, nosso Mestre e irmão maior. Não podeis haver no Céu um misto de ignorância e de santidade. Toda santidade é cheia de sabedoria, porque é da sabedoria aliada à santidade que vem a verdadeira fé e a consequência prática das boas obras.

As virgens néscias, por não terem azeite, não encontraram e nem puderam receber o noivo, assim como não tomaram parte nas bodas, porque suas lâmpadas se apagaram à chegada do noivo. As virgens prudentes, ao contrário, acompanharam o noivo e com ele entraram nas bodas, porque tinham as suas lâmpadas bem acesas. A religião não é crença abstrata. É um conjunto maravilhoso de fatos, de ensinamentos, que se unem, se completam, se harmonizam concretamente. Só os néscios não a compreendem, porque não abastecem as lâmpadas que lhes iluminariam esse reino da verdade, onde as bodas eternas felicitam os espíritos trabalhadores, humildes e prudentes.

A necedade, é a antítese da prudência; esta não pode existir onde impera aquela. Necedade, ignorância, falta de tino, são os maiores entraves à elevação do Espírito para Deus. A prudência é cheia de sabedoria, de circunspecção, de consideração e de serenidade de Espírito. A prudência não obra desordenadamente, mas se afirma pela temperança, pela sensatez e pela discrição. O inverso se dá com a necedade. Envolta em trevas, debatendo-se em plena escuridade, não mede as responsabilidades, não prevê consequências, não arrazoa os atos que pratica.

Esta parábola, como dissemos, ensina aos que aspiram o Reino dos Céus, a necessidade da instrução, do cultivo do Espírito, do exercício da inteligência e da razão, para a obtenção do conhecimento supremo, que nos guindará à eterna felicidade. Não basta dizer: Senhor! Senhor! Não basta proferir preces, nem pronunciar orações mais ou menos emocionantes para que a porta da felicidade nos seja aberta. É preciso, primeiro que tudo, "abastecer as lâmpadas e os vasos". O mandamento não é só: amai-vos, é também: instruí-vos.

A sabedoria é o óleo sagrado da instrução. Sem ela não há caminho para o Reino dos Céus, nem entrada para a "casa de Deus". Sendo nossa estadia na Terra um meio de instrução, seremos néscios se descurarmos desse dever para nos entregarmos a labores ou diversões fúteis que nenhum progresso espiritual nos podem proporcionar. As cinco "virgens prudentes" simbolizam os que lêem, estudam, experimentam, investigam, raciocinam, procurando compreender a vida, trabalhando pelo seu próprio aperfeiçoamento.

As cinco "virgens néscias" são o símbolo daqueles que sabem tudo o que se passou, menos o que precisam saber: não estudam, enfatiam-se quando se lhes fala de assuntos espirituais; chegam mesmo a dizer que, enquanto estão nesta vida, dela tratarão, reservando o seu trabalho de Espírito para quando se passarem para o outro mundo. Geralmente, são estes que, nos momentos angustiosos, ou quando a "morte" lhes bate á porta, revestem-se de uma "fé" toda fictícia e exclamam: Senhor! Senhor! E como não podem obter o "óleo" de que fala a parábola pensam poder adquiri-lo com os mercadores, mas ao voltarem encontram "fechada a porta" e ouvem a voz de dentro que lhes diz: "Em verdade, não vos conheço"!

É preciso vigiar: procurar a verdade, onde quer que se encontre. É preciso adquirir conhecimentos, luzes internas que nos fazem ver o Senhor e nos permitem ingressar na sua morada. A religião é luz e harmonia; assim se apresentou elas aos discípulos no Cenáculo: em forma de "línguas de fogo e como um vento impetuoso que encheu toda a sala". E para segui-la é preciso ter olhos e ouvidos. A necedade nada sabe, nada compreende, nada conhece, nada pensa. Só a prudência nos pode guiar no caminho da vida aproximando-nos daquele por cujos ditames conseguiremos nossa redenção espiritual.

CAIRBAR SCHUTEL

2 - EM BUSCA DO MESTRE - PEDRO DE CAMARGO ( VINÍCIUS )

"Então o reino dos céus é semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco dentre elas eram néscias, e cinco prudentes. As néscias, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; mas, as prudentes levaram azeite em suas vasilhas juntamente com as lâmpadas. Tardando o noivo, toscanejaram todas e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um alarme: saí ao encontro! eis o noivo que chega! Então se levantaram todas aquelas virgens e preparam as suas lâmpadas. E disseram as néscias às prudentes: Dai-nos do vosso azeite porque as nossas lâmpadas se estão apagando. Porém, as prudentes retrucaram: Talvez não haja bastante para nós e para vós; ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós. Enquanto foram comprá-lo, veio o noivo; e as que estavam apercebidas, entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. Depois vieram as outras virgens e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. "Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora".

Eis aí como a parábola das Dez Virgens reporta-se a um desses acontecimentos comuns entre os judeus. Preparava-se o banquete de núpcias em determinado salão. Os convidados aguardavam ali a chegada do noivo. Formava-se uma ala de moças para recebê-lo. Em seguida, todos se dirigiam à sala do festim, devidamente ornamentada, onde tinha lugar o banquete. O Senhor figura, então, o caso de dez moças que, convidadas, foram esperar o noivo, levando as suas lâmpadas acesas para a recepção conforme a praxe costumeira. Dentre elas, cinco eram tolas ou frívolas, e, disso deram prova, deixando de abastecer convenientemente os depósitos com o azeite necessário. Outras cinco, precavidas e assizadas, premuniram-se do indispensável combustível.

À chegada do noivo, estas entraram com o séquito nupcial para tomarem parte no banquete, fechando-se, logo após, a porta. Aquelas outras, tendo-se ausentado em procura do azeite — pois só então notaram a carência desse elemento — ao voltar encontraram as portas cerradas. Bateram, então, apelando para o promotor do festim. Do interior do salão, este responde: Não vos conheço. Termina a parábola com a seguinte advertência: Portanto vigiai, por isso, que não sabeis o dia nem a hora.

O ensinamento deste singelo conto é claro, está patente. Refere-se a esta nossa existência, a qual representa uma das oportunidades que nos são concedidas e preparadas para melhorarmos nosso estado e condições, como aquele banquete nupcial constitui para as donzelas uma ocasião propícia para elas se banquetearem. As prudentes aproveitaram o ensejo, enquanto as néscias o perderam, pela sua negligência e descuido. Ora, é precisamente o que se passa com todos nós neste meio onde nos encontramos: uns tiram o devido aproveitamento da sua encarnação, outros a mal­baratam em vão. Estes são os néscios, aqueles, os prudentes.

Notemos que as virgens fátuas foram vítimas do seu descaso e desídia. E de que se descuidaram elas? Do principal que, no caso em apreço, era o azeite para o abastecimento das lâmpadas. É possível que elas estivessem muito bem trajadas e mais bem adornadas, mas faltava-lhes o essencial, isto é, o combustível para sustentar as lâmpadas acesas. Elas pretenderam que suas companheiras o fornecessem, porém, estas, judiciosamente, ponderaram que não podiam dispor do seu, pois de tal resultaria, faltar para todas; que elas o obtivessem pelo meio natural, que naquela conjuntura era comprá-lo.

Desta particularidade da parábola, deduzimos que não podemos tomar de empréstimo o combustível destinado a alimentar a luz do Espírito. Cada um há de o conseguir pelo esforço próprio, que é o processo adequado e único de adquiri-lo. Não nos salvaremos, pois, nem nos habilitaremos ao reino dos céus, pelos méritos de outrem. Nada conseguiremos apelando para as qualidades e virtudes de terceiros em matéria da nossa redenção. Temos que trazer as nossas lâmpadas acesas com o nosso azeite se quisermos passar para um mundo melhor quando daqui partirmos, isto é, quando soar a nossa hora, a qual, no dizer do Senhor, não se sabe o momento em que se dará.

Notemos bem que é Jesus mesmo quem assim nos instrui e adverte. Ele é nosso redentor no sentido de nos ensinar e exemplificar os meios de redenção. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim". Ele é, pois, o caminho. Tendo-o como guia, cumpre que palmilhemos a estrada com nossos próprios pés em demanda do alvo desejado. Ele não fará a jornada por nós. Não pode fazê-lo, porque importaria em alterar a lei, que é imutável. Da lei, assevera Ele mesmo, não passará um til que não seja cumprido. E, eu não vim destruí-la, porém dar-lhe a devida execução. Portanto, crer no seu nome, no seu sacrifício, na excelência do seu mérito, na efusão do seu sangue não é tudo: é preciso, é indispensável trilhar a rota da vida, rota essa da qual Jesus é a figura, a imagem perfeita.

Quem quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me, tal a condição estabelecida. Siga-me — notemos bem. Isso quer dizer venha comigo, exemplifique-se em mim, mas caminhe, avance, prossiga na jornada sem vacilações nem esmorecimentos. Parece-nos bastante positiva e cheia de evidência a doutrina messiânica. Confundi-la, emaranhá-la amalgamando-a de erronias, de paradoxos, incongruências e paralogismos se nos afigura muito mais difícil que lobrigar a verdade pura e cristalina que dela esplende como do sol refulgem os raios luminosos que nos aquecem, iluminam e vivificam. Eu sou a luz do mundo. Aquele que me segue não andará em trevas — disse Jesus; e os fatos confirmam em toda a linha essa asserção sua. Ninguém pode pôr outro fundamento além daquele que já está posto, a saber: Cristo Jesus, sentencia o grande porta-bandeira da fé, Paulo de Tarso.

Tratemos, portanto de abastecer as nossas lâmpadas. Conservemos acesa a luz da nossa fé, dessa fé que, no sábio conceito de Kardec, o compilador do Espiritismo, encara a razão face a face em todas as épocas da humanidade. Ao curar do corpo, não olvidemos o Espírito, pois realmente somos "Espírito", e não simples agregado de moléculas que se dissociarão um dia no túmulo. Tomemos como norma de conduta o seguinte programa de um grande pensador: Procedei, diz ele, com relação ao vosso corpo como se tivésseis de viver eternamente neste mundo; e, quanto à vossa alma, comportai-vos como se tivésseis de morrer daí a alguns momentos. Não será, pois, à última hora, agindo de modo atrabiliário, recorrendo a recursos pueris e a ritualismos aparatosos que asseguraremos o reino dos céus.

A morte não opera milagres transformando o caráter e os sentimentos do indivíduo. A morte é apenas a transição de uma para outra margem da vida. E, se a morte não modifica o estado anímico, nem altera as qualidades do indivíduo, também não apaga as culpas nem dirime os crimes. A imortalidade é um postulado inseparável da responsabilidade. Dizer imortalidade é dizer responsabilidade. Ao chegar a nossa hora, o que importa é saber se estamos ou não providos do combustível espiritual. Se armazenamos, ou não, o azeite, isto é, a luz que projeta claridade nos problemas do destino. A viagem é certa e inevitável. Preparemo-nos para ela. Arrumar as malas de afogadilho quando já ? e ouve o silvo da locomotiva anunciando a partida, é insensatez. Assim procederam as virgens néscias.

A existência atual, em seu transcurso, mais ou menos longo, é uma conjuntura propícia; aproveitemo-la, recordando-nos daquele provérbio popular que diz: a oportunidade é calva, por isso não podemos puxá-la pelos cabelos depois que passa. Ocasião favorável perdida é desapontamento certo e inevitável; é motivo de contrariedades profundas até que sejam facultadas outras; quando ou onde, não sabemos. Tudo porque nos debatemos na vida terrena é acessório: riquezas, glórias, fama, posição, poderio. O essencial é a luz interior, luz que é o sentimento do bem, o espírito de justiça, a sensibilidade moral que nos solidariza com o próximo, de modo que soframos com os que sofrem e nos alegremos com os que se alegram.

As lâmpadas que traziam as virgens fátuas, talvez fossem de boa prata ou mesmo de ouro. Todavia, de nada lhes valeram no momento preciso visto como eram lâmpadas apagadas. Assim sói acontecer na sociedade terrena: quanta figura esbelta, cheia de vaidade; quanta estampa vistosa, repleta de imponência, mas, ó desolação, quanto cérebro oco, desprovido do azeite que sustenta a chama da luz interna! E, de outra sorte, quanto coração pobre de sentimentos, vazio de amor! O reino dos céus é acessível aos que os merecem. Não é necessário que se coloquem querubins com espadas flamejantes à sua entrada vedando o ingresso aos maus. As leis divinas são sábias e por si mesmas se executam. Prescindem de guardas e prisões.

Como sabeis, além do corpo grosseiro e pesado, temos outro, delicado e leve que nos acompanhará após a desencarnação. Esse invólucro, inseparável do Espírito, São Paulo denominava — corpo celeste, — e, na linguagem espírita, foi-lhe dado o nome de perispírito. Essa roupagem vai-se transformando à medida que o Espírito se aperfeiçoa e evolve. Sua natureza, já de si rarefeita, fluidifica-se cada vez mais em virtude da influência que sobre a mesma exerce a força do pensamento, constantemente emitida pelo Espírito que a veste. Assim se opera a seleção nas sociedades siderais. Os mais elevados pairam acima dos seres menos espiritualizados, formando-se destarte, as jerarquias por um processo natural e absolutamente justo. É, por assim dizer, uma questão de especificidade porquanto a delicadeza do corpo celeste corresponde ao grau de adiantamento alcançado pelas almas.

Aliás, a ação do pensamento atinge até mesmo o corpo perecível cujo aspecto revela o estado psíquico de cada um, conforme se verifica na forma plástica das diversas raças. Como vimos, a lei se cumpre por si mesma, a justiça se executa naturalmente, presidindo a todo esse movimento seletivo, o amor e a sabedoria de Deus. Tais doutrinas falam à nossa razão, satisfazem aos mais profundos anseios da nossa alma, consolam, confortam, entusiasmam os nossos corações. Firmemos, portanto, muito bem, a lição aprendida nesta parábola evangélica: Não podemos nos salvar por meio de procuração conferida a terceiros. Esta questão é pessoal, é intransferível. Não podemos, outrossim, abrir as portas do céu com as gazuas que certos Corretores de Salvação ofertam por aí a baixo preço.

Só penetraremos os tabernáculos eternos empunhando o facho de luz que, iluminando o nosso interior, lança também suaves claridades na senda do nosso Destino. Façamos ponto, transcrevendo um capítulo cheio de doçura, intitulado — Acende a tua lâmpada — extraído da obra "Plenitude". "No meio das névoas espessas deste mundo, acende a tua lâmpada. Não permaneças na obscuridade. Acende cuidadosamente tua candeia. O viajor que passa dirá: Quanto repouso deve haver em torno daquela luz! E quanta paz! A mulher solitária que a distinga de longe, pensará consigo: ali deve aninhar-se o amor; e o amor dos que se querem há de ser banhado pelo mesmo fulgor brando que emana da luz.

A criança que a contempla, exclamará: Talvez haja muitos meninos ao redor da mesa lendo bonitos contos e vendo belas estampas. O ladrão furtivo murmurará com receio: ali vive gente prevenida e vigilante a quem não se pode assaltar impunemente. Muitos, ao embrenhar-se nas selvas escuras deste orbe, se sentirão confortados contemplando a tua luz. Em verdade te digo que é obra de misericórdia, no meio destas sombras, que envolvem a Terra, acender a nossa lâmpada; a boa lâmpada de que o Pai Celestial proveu a todos os caminhantes da Vida".

PEDRO DE CAMARGO "VINICIUS"

3 - PAULO ALVES GODOY

Esta magnífica parábola emanada dos lábios de Jesus objetiva concitar-nos à prática de obras boas e dignas, que venham a ajudar-nos quando, no limiar do túmulo, tivermos que os defrontar com os problemas inerentes ao processo de enquadramento das nossas almas nos múltiplos planos espirituais, que formam as imensas moradas dos Espiritos.

Milhões de criaturas passam pela Terra completamente despreocupadas no tocante à necessidade de acumular um tesouro no Céu, preferindo perderem-se nos labirintos do orgulho, do ódio, da avareza e do egoísmo. Outros tantos milhões enveredaram e ainda há os que seguem pelo caminho do crime e dos vícios. Outros ainda não conseguem edificar qualquer coisa de útil no aprendizado comum - não praticando o mal, mas também deixando de fazer qualquer bem.

As virgens prudentes, da parábola, simbolizam aqueles que se compenetram da seriedade da vida terrena, guardando os ensinamentos evangélicos em seus corações e pautando seus atos dentro da mais irrestrita moral, adornando-os com a prática de atos virtuosos e nobilitantes.

Estes levam quantidade suficiente do combustível do amor, o que lhes dará possibilidades infindas de se integrarem na comunidade dos Espíritos Bons, que habitam as elevadas esferas da Espiritualidade Sublime, quando tiverem vencido as etapas de provações impostas pelas leis eternas do Pai, provações essas indispensáveis para que possamos nos tornar seres sábios, inteligentes e bons, virtudes que caracterizam as almas eleitas que já atingiram o Mundo Maior.

As virgens imprudentes significam simbolicamente, aqueles que passam pela Terra sem terem praticado coisas edificantes, ou sem terem amealhado as aquisições dignas, as quais iluminam as almas no roteiro das vidas sucessivas.

São os que se chafurdam nos interesses mesquinhos da vida material, esquecidos dos seus deveres e fingindo ignorar que, há quase vinte séculos, um grande Missionário deu a Sua vida no empenho de legar à Humanidade sofredora um código de luz e de verdade, susceptível de iluminar o roteiro de todas as almas.

São aqueles, cujas cogitações primárias giram em torno dos seus interesses mais imediatos, preocupados excessivamente com as mesas fartas e com a vida regalada na Terra.

São os que, encastelados no egoísmo, apenas vêem o seu restrito círculo familiar, pouco se importando com a sorte de milhões e milhões de sofredores que vivem à sua volta.

As virgens imprudentes não quiseram ter o trabalho de levar o azeite suficiente para a longa caminhada riram-se das virgens prudentes que, além do combustível do candeeiro, levaram uma reserva. Certamente, é cômodo não ter o trabalho de levar o peso de tanta responsabilidade. A vida humana é bem melhor sem as amarras do dever e sem a necessidade da observância do respeito aos direitos alheios.

As virgens prudentes, pelo contrário, muniram-se do combustível suficiente para o longo percurso, pois, o Senhor nos afirmou que ninguém sabe quando é chegada a sua hora. A desencarnação chega inopinadamente, e por isso é imprescindível que nos precatemos contra os imprevistos da hora fatal, acumulando suficientes dotes de virtude - necessários para nos facultar acesso aos planos mais espiritualizados e não termos que nos reter nos umbrais inferiores, onde o sofrimento é o instrumento de reabilitação.

Deus criou os Espíritos simples e ignorantes, dando a todos as mesmas possibilidades de progresso. Virgens da prática de atos maus, essas criaturas jamais poderão alegar que o Pai cumulou, um mais do que outro, de privilégios ou dons excepcionais. Colocados, entretanto, no roteiro comum da evolução, esses Espíritos escolhem a senda que melhor lhes aprouver: enquanto uns fazem reservas de boas obras, aureolando-se de virtudes edificantes, outros preferem enveredar pelos caminhos obscuros que conduzem à falência e às penosas lutas expiatórias.

João Batista afirmou no Capítulo 3, versículo 29 do Evangelho de João: "Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim pois já este meu gozo está cumprido." Jesus (o esposo) uniu-se à Humanidade (sua esposa), e João, o precursor do Mestre (amigo do esposo), alegrou-se sobremaneira com a Sua presença na Terra.

Jesus é o esposo da Humanidade. É de encontro a Ele que teremos de caminhar, iluminando o nosso roteiro com as nossas próprias aquisições espirituais. Na parábola, vemos de modo positivo que as virgens prudentes não puderam ceder o azeite para as imprudentes, porque as virtudes do Espírito são instransferíveis, não se transmitem, pois são inerentes a cada um.

O acesso aos planos superiores foi encontrado vedado pelas virgens imprudentes que tiveram que voltar à Terra, para, em lutas reencarnatórias soerguerem os seus Espíritos; e, pela dor e lágrimas, comprarem o azeite suficiente para, em novas caminhadas, não se defrontarem mais com a horrível contingência de não ter as boas obras para lhes facultar o ingresso aos planos mais felizes.

Paulo Alves Godoy

4 - RODOLFO CALLIGARIS

As dez virgens, nesta parábola, simbolizam aquelas criaturas que procuram resguardar-se das corrupções do mundo.

Mas, há virgens e virgens.

As cinco néscias representam os que se preocupam apenas em fugir ao pecado. Passam a vida impondo-se severa disciplina, evitando tudo aquilo que os possa macular, certos de que isto seja o bastante para assegurar-lhes um lugarzinho no reino de Deus. Esquecem-se, todavia, de que a pureza sem o complemento da bondade é qual uma candeia mal provida, que, no meio da noite, não dá mais luz, deixando seus portadores mergulhados na mais densa escuridão .

Já as virgens prudentes retratam os que, além dos cuidados que tomam para se manterem incorruptíveis, tratam também de prover-se do azeite, isto é, das virtudes ativas, que se manifestam em boas obras em favor do próximo. E, com a posse do precioso combustível, que se converte em luz, garantem a iluminação de seus passos no caminho que os há-de conduzir à realização espiritual, à união com o Cristo.

A chegada do noivo, como fàcilmente se deduz, é a era de paz, alegria e felicidade que a Terra desfrutará num futuro próximo, quando, após sofrer grandes transformações, será devidamente expurgada para tornar-se a morada de espíritos de boa vontade, que aqui implantarão uma nova civilização, verdadeiramente cristã, baseada no Amor e na Fraternidade Universal.

A recusa das virgens prudentes em darem do seu azeite às virgens néscias, significa claramente que as virtudes são intransferíveis, devendo cada qual cultivá-las com seus recursos pessoais.

E' preciso, portanto, "vigiar", ou seja, trabalhar com afinco e sem esmorecimento pelo próprio aperfeiçoamento, para que mereçamos participar dessa nova fase evolutiva do orbe terráqueo.

Se descurarmos desse dever, deixando para a última hora as diligências desta ordem, ou imaginando, idiotamente, que outrem, os profissionais da religião, possam suprir nossas deficiências espirituais, sem qualquer esforço de nossa parte, sucederá que, no momento crítico, ver-nos-emos desprovidos do "azeite" de que fala a parábola, e, enquanto o formos procurar com os "mercadores", o ciclo se fechará, surpreendendo-nos de fora, o que equivale a dizer, relegados a planos inferiores, onde haverá "choro e ranger de dentes."

Então, será inútil clamar: "Senhor, Senhor, abre-nos a porta", porque o Cristo nos responderá: "Não vos conheço."

Nem poderia ser de outra forma, porquanto data de dois mil anos esta advertência evangélica: "Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."

Rodolfo Calligaris

5 - A PARÁBOLA DAS VIRGENS E NÉSCIAS (OU DAS DEZ VIRGENS) - Therezinha de Oliveira

Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que tomando suas lâmpadas saíram ao encontro do esposo.

Reino dos céus

Bem sabemos, é a vida espiritual, o que se passa no plano do espírito, a situação no lado de lá da vida.

As virgens

0 termo virgens não se refere a corpos, simboliza a alma de quem procura se resguardar espiritualmente das corrupções do mundo. O número dez sugere, talvez., uma porcentagem. Mesmo entre os que se dizem cristãos, nem todos se resguardam dos vícios e desvios morais, apenas cerca de dez por cento o fazem, na estimativa de Jesus.

Outro item que pode nos confundir é saber que as 10 virgens saíram ao encontro do esposo. Em nossa Ignorância, pensamos que vão se casar com esse esposo e tal pensamento nos escandaliza e perturba. Mas, ao tempo de Jesus, os judeus já não eram polígamos; havia, sim, a possibilidade do divórcio, porém procuravam seguir a recomendação: "ninguém seja infiel à muIher da sua mocidade". (Malaquias 2:15)

As dez virgens numa festa de bodas se explica pelo costume judaico de formarem as amigas da noiva um cortejo, recebendo o noivo à entrada da casa para conduzí-lo até à nubente, no interior. As lâmpadas (tochas, fachos luminosos) eram necessárias para iluminar o caminho, pois as núpcias se realizavam à noite.

A imagem de um casamento ou núpcias é várias vezes empregada comparativamente no Novo Testamento: por Jesus (O Festim de Bodas, Mateus 22), por Paulo (Efésios 5:22/33) e por João (Apocalipse 19:7/9 e 21:2). É a união simbólica do pensamento divino com a humanidade, sendo Jesus o noivo ou esposo, que traz a ideia divina para a "igreja", o agrupamento dos que crêem.

A figura da "Nova Jerusalém", no Apocalipse, anuncia uma nova era, realmente cristã, quando a humanidade, espiritualmente mais evoluída, já terá assimilado o pensamento, o sentimento e a ação do Cristo.

Quem se resguarde dos desvios morais, participará da instalação dessa nova era, como "virgem", acompanhante da noiva, por acolher na vanguarda o pensamento divino e, impregnando-se dele, o levar em ideia e ação ao meio social, conduzindo o "noivo" à casa da humanidade.

Continuando, informa Jesus:

E cinco delas eram prudentes, e cinco néscias.

Dez por cento já era pouco e agora ainda fica repartido na metade? É que, mesmo entre as criaturas de costumes melhores (pela fé cristã, pelo conhecimento espiritual da vida), existem diferenças de comportamento e atitudes. Alguns são virgens prudentes, precavidos, prevenidos, cautelosos; outros são virgens néscias (que não sabem), ou loucas (sem juízo) como se lê em outras traduções.

Como podemos perceber a diferença entre as virgens prudentes e as néscias ou loucas? Pela atitude de cada uma delas:

As loucas, tomando suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com suas lâmpadas.

Sem dúvida, para sustentar a chama das lâmpadas mirante a espera pelo noivo, mandaria a prudência que se pensasse em manter uma reserva de combustível. As virgens que não agiram assim revelaram, por isso mesmo, a sua ignorância ou insensatez.

Que simbolizariam, espiritualmente, as lâmpadas que as virgens portavam? Perguntemo-nos: O que ilumina e aquece a alma? Que não nos deixa em trevas, perdidos, sem rumo no caminho da vida? Que nos reconforta e anima o coração? É a fé religiosa, a convicção que temos sobre as coisas espirituais.

Pois, assim como a lâmpada se alimenta de azeite, a chama da fé também precisa de combustível em que se sustente. Qual será o seu azeite? Em que a fé se fundamenta, como se mantém? Ela tem seu alimento no conhecimento sobre as coisas do espírito. Interessemo-nos pelas coisas espirituais, cultivando o estudo, a meditação, em torno das realidades transcendentes e as divinas leis que as regem, a fim de termos uma fé firme, raciocinada, que possa "enfrentar a razão face a face, em qualquer época da humanidade", como recomenda Kardec (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIX, item 7).

"Espíritas! amai-vos, eis o primeiro mandamento; instruí-vos, eis o segundo", conclama-nos o Espírito de Verdade: ("Dissertações Espíritas", O Livro dos Médiuns, capítulo XXXI, item 9).

Continua o Mestre a desenvolver a parábola:

E, tardando o esposo, toscanejaram todas, e adormeceram.

Tardando o esposo... Como demoram a acontecer as bodas espirituais! A instalação do reino espiritual aqui na Terra não é imediata nem fácil, como quereríamos.
Tão longa tem sido a espera pela renovação moral da humanidade, que às vezes pensamos: Quando o mundo vai mudar? Quando a humanidade se tornará correta e bondosa? Parece que nunca, jamáis!...
E tristes, quase desanimando, baixamos o padrão de nossa conduta, começamos a querer agir, no dia-a-dia, como aqueles que nada conhecem da vida espiri¬tual. Jesus simboliza essa nossa atitude ante a demora da chegada do bem, dizendo que as virgens toscanejaram e adormeceram, foram das pequenas invigilâncias até a total acomodação com o comportamento mundano. E todas as virgens falharam... Todos somos invigilantes.

Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, sai-lhe ao encontro!

Meia-noite

Que hora simbólica! Apesar das trevas, é o fim da noite, um novo dia está começando. Haverá uma época que, embora ainda trevosa, já será o advento de nova era.
E um clamor se ouvirá. O advento será bem proclamado. No sermão profético, falando sobre a vinda do Filho do Homem, Jesus dirá que anjos, com rijo clamor de trombeta, ajuntarão os escolhidos.

Nao esperemos, porém, sonidos marciais. Prestemos atenção nos clamores das pessoas, das sociedades e, até mesmo, nos clamores da Natureza que a ecologia nos aponta. Quem poderá continuar dormindo com o estridente barulho das dores e dos clamores na casa humana?

Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.

0 despertamento espiritual se faz! Por causa do aviso, do clamor, as pessoas estão acordando da descrenca e da indiferença e começam a procurar pela fé, buscar maior vivência espiritual.
Muitos sentem dificuldade para fazer brilhar e arder a sua fé. O pouco e antigo conhecimento espiritual que possuem e acreditavam fosse capaz de os iluminar ate a renovação da humanidade, de enfrentar a longa espera, não lhes está conseguindo sustentar a fé.

A evolução científica e tecnológica, a transformarão dos costumes sociais acarretaram situações inusitadas, novos e complexos problemas. Ideias ingênuas ou dogmáticas não conseguem subsistir na época atual. O momento requer mais "azeite", maior e melhor conhecimento espiritual, senão, as lâmpadas da fé se apagam...

E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

Ante os acontecimentos terríveis e dolorosos da atualidade, os que não construíram suficiente embasamento para a sua fé, desarvoram-se e se sentem quase a sucumbir.

Mas, olhando ao lado, constatam que outros continuam crentes e animados, quase serenos em meio ao tumulto, e até capazes de socorrer e amparar aos mais fracos e sofredores. Então, indagam:

Como você consegue? De onde tira essa paz, essa força? E, como as virgens loucas, pedem: Dai-nos do vosso azeite!

Mas as prudentes responderam dizendo: Não seja o caso qe nos falte a nós e a vós.

A resposta nos parece descaridosa? Materialmente se justifica, pois tentar uma divisão de combustível na última hora talvez acarretasse a falta dele, no fim, em todas as lâmpadas, prejudicando inteiramente o cortejo. Preferível ter cinco lâmpadas funcionando, do que falharem todas. Ainda aí as virgens prudentes demonstram sábia cautela.

E, espiritualmente, a resposta também está correta, porque a fé, o conhecimento espiritual, não pode ser doado de um ser para outro, cada um tem de adquiri-lo por si mesmo.

Foi o que as virgens prudentes orientaram às "loucas", ao lhes aconselhar:

Ide antes aos que o vendem e comprai-o para vós.

Se fosse azeite material, poderíamos comprá-lo dos comerciantes do ramo, mas conhecimento espiritual.
Quem venderá? Ele só nos é "vendido" nas lutas evolutivas ao preço do esforço próprio, do empenho pessoal, e em permutas da mais sincera e pura fraternidade.

Neste alvorecer de nova era, quando um mundo melhor está surgindo, em meio aos escombros do velho mundo e aos transtornos da necessária reconstrução, quem precisar de "azeite", do conhecimento espiritual, para enfrentar a realidade atual, terá de voltar ao estudo das coisas espirituais (que o proporciona), ao aprimoramento da moral e ao exercício da fraternidade (que o consolidam).

E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas.
E fechou-se aporta...

Parece-nos cruel o fechamento da porta às virgens que aflitas chegaram depois? Talvez porque nos identifiquemos com elas... Porém, a justiça divina, sempre perfeita e nunca condenadora, exige de todos o integral cumprimento das leis da vida. E, como já vimos, na parábola da rede, a evolução humana se faz em ciclos, tanto individuais como coletivos. Quem progride dentro da média prevista, "entra" enquanto a porta está "aberta", ou seja, no tempo apropriado, e atinge estados melhores, penetra em planos superiores.

Essa mesma "porta" também poderia ter dado entrada para os outros do grupo, sem qualquer privilégio para ninguém, se não se houvessem retardado. E, quando se fecha, é por imperiosa justiça. Então, será preciso esperar um novo ciclo evolutivo, o qual voltará a ensejar nina nova oportunidade de entrada ao estágio superior.

E depois chegaram também as outras virgens, dizendo:
- Senhor, Senhor, abre-nos! E ele, respondendo, disse:
- Em verdade vos digo que não vos conheço.

Novamente, achamos dura a resposta? Imagens semelhantes de porta fechada e clamor dos de fora são usadas por Jesus em outras passagens, como em Lucas l.i:22/30, e Mateus 7:21/23. Não adianta clamar, chorar, revoltar-se, querendo entrar num plano espiritual mais elevado, para o qual ainda não se está preparado, não se tem o necessário merecimento, onde o padrão de conhecimento e de conduta são superiores aos que temos e alimentamos.
Não vos conheço significa: não há sintonia entre nos, não somos do mesmo procedimento, do mesmo pensar e sentir.

E Jesus conclui:

Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir.

Jesus vai voltar à Terra? Sim, mas não corpóreamente, isso não é mais necessário, pois seu ensino já foi ministrado, seu exemplo de amor e fé já foi dado neste unindo. Será um retorno espiritual. Ele estará presente em cada pessoa que houver assimilado a sua mensagem, a doutrina que ele nos trouxe, Essa doutrina, pouco a pouco, se instalará no pensamento e no coração de todos os habitantes do planeta. É assim que ele já vive em muitos aqui na Terra, que poderiam dizer, "como Paulo: Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. (Gálatas 2:20)

Quando o progresso intelecto-moral da humanidade ensejará a instalação dessa nova era em nosso planeta? Não sabemos. (...) a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai (Mateus 24:36). Ninguém sabe, porque esse progresso dependerá do livre-arbítrio humano, de porque o progresso, lei divina, natural e imutável, mais cedo ou mais tarde se cumprirá.

Almas desejosas do bem! Procuremos manter a pureza dos sentimentos e dos costumes! Sejamos cautelosos, sejamos prudentes! Vigiemos e oremos!
Na Doutrina Espírita, há muito conhecimento sobre a vida imortal. Abasteçamo-nos desse "azeite" divino para que a nossa fé não se apague e sua luz possa brilhar sempre firme! Ainda que outros estejam a ponto de desistir, continuemos fiéis no amor a Deus e ao próximo.

Acolhamos já o pensamento divino! Jesus na mente e no coração! Colaboremos para que ele entre na casa da humanidade e aconteça, enfim, a sublime união de todos com o Cristo de Deus.

É tempo, já, de um novo e superior ciclo de vida! Inauguremos na Terra, a verdadeira era cristã. Com atos de virtude e de fraternidade, façamos surgir um mundo inteiramente novo, em que reine a paz, fulgure a luz e vibre o amor!